No retorno das obras, reforma do anexo do Masp lida com desafios

Projeto de remodelação do edifício Dumont-Adams foi retomado em agosto, após anos de paralisação; segundo responsáveis, maior dificuldade é a parte estrutural do imóvel

Bianca Zanatta

14 de novembro de 2021 | 05h00

Após um longo período de paralisação, foram retomadas em agosto as obras no edifício Dumont-Adams, ícone da avenida Paulista erguido na década de 1950, adquirido pela Vivo e doada ao vizinho Masp, em 2005. A ideia era construir um anexo para o museu, mas a obra foi paralisada em 2013, por desavenças entre o museu e a empresa. Resolvidos os problemas, o projeto voltou a andar.

Quem está à frente do projeto agora é o escritório Metro Arquitetos Associados, em coautoria com Júlio Neves, que ocupou a presidência do Masp de 1995 a 2009 e é responsável pelo projeto legal. “A gente entrou para fazer os projetos das exposições do museu seis anos atrás e começou a fazer diagnósticos das questões estruturais do prédio ao lado, entender como melhorar”, diz Martin Corullon, sócio do Metro ao lado de Gustavo Cedroni. “A ideia é que seja um edifício discreto, que sirva como pano de fundo para a sede, mas não um prédio genérico.”

O projeto traz alguns desafios. Um dos principais está na parte estrutural, segundo Corullon. “A intervenção é muito violenta na estrutura de concreto, estamos tirando os apoios e pilares centrais e passando tudo para a periferia. Para não carregar demais as fundações, optamos por uma estrutura em aço”, destaca.

Responsável pela obra, a engenheira Heloisa Maringoni, da Companhia de Projetos, conta que, do 1.º ao 5.º pavimento, será mantida a fachada do Dumont-Adams, mas toda a estrutura central do 5.º ao 19.º pavimentos (ático e cobertura) será feita em aço, vencendo vãos de até 14 metros com o uso de 260 toneladas do material. “A utilização de outro sistema estrutural tornaria todo o processo inviável, porque traria dificuldades que iriam desde a elaboração até a execução da reforma, além de implicar em reforços de fundação, que gerariam conflito entre as duas fundações existentes – a do edifício original e uma realizada em 2012.”

Esse sistema construtivo é o mesmo usado na reforma do Museu do Ipiranga, que deve ficar pronta em setembro de 2022 e usou 120 toneladas de aço. “Por ser pré-fabricada, com um processo de montagem inteligente, a estrutura em aço concede melhor organização e agilidade no canteiro de obras, pois não há acúmulo de areia, brita, cimento, madeira e ferragens, por exemplo”, diz Débora Oliveira, diretora do CBCA (Centro Brasileiro de Construção em Aço).

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