Onde São Paulo tem jeito de natureza

Onde São Paulo tem jeito de natureza

Jennifer Gonzales

18 de fevereiro de 2011 | 21h30

 

Com um bom número de casas ao longo da Avenida Nova Cantareira, o endereço localizado na zona norte da cidade de São Paulo dá uma amostra do que se encontra pela frente na Serra da Cantareira. Sejam sobrados em condomínios fechados ou mansões isoladas, imóveis horizontais são maioria absoluta no vasto cenário de vegetação e, quanto mais se sobe a serra, mais verde ela fica. 

Segundo Levino Ponciano, autor do livro São Paulo – 450 bairros, 450 anos, a Cantareira é um pequeno bairro do distrito do Mandaqui.  A serra, porém, é maior do que essa área e abrange mais três municípios – Mairiporã, Guarulhos e Caieiras. 

É papel da Secretaria do Meio Ambiente, por meio da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), cuidar da preservação do local, a fim de que a colina não perca mais da sua mata exuberante.

 “No caso da Serra da Cantareira, a Cetesb autoriza ou não o desmatamento de vegetação em caso de novas construções serem requisitadas”, informa o gerente da agência ambiental, Hércules Cerullo.

 “Quem quer construir tem de pedir autorização à Secretaria Estadual do Meio Ambiente para desmatar. Para tanto, é necessário contratar um engenheiro florestal que irá verificar se o terreno se encontra em topo de morro por risco de desabamentos, se há nascentes, rios e vegetação nativa”, enumera o gerente ambiental.

 “Se houver um desses elementos no terreno, não será possível construir. Não adianta erguer um imóvel e depois alegar desconhecimento sobre as restrições de construção no local.”

 Vocação. “Quem mora na serra precisa ter vocação de morar com muito sossego”, diz o corretor da Igapó Imobiliária, Carlos Barros.  “Não há supermercados, comércio ou transporte público, mas já existe um colégio de bom nível (Pueri Domus) para os filhos dos moradores.”

 A Igapó trabalha com 19 loteamentos de casas na serra – entre eles o Sausalito, Parque Imperial e Reserva das Hortênsias, estes localizados na vizinha Mairiporã. “Noventa por cento dos imóveis à venda são casas prontas (usadas). Está cada vez mais difícil a venda de terrenos devido às restrições para construção”, afirma Barros.

 Com poucos terrenos à disposição, incorporadoras como a MSM Village aproveitam ao máximo os lotes adquiridos. Um condomínio de dez casas em área de  3,4 mil metros quadrados começará a ser construído em abril e finalizado em dois anos. Cada sobrado terá 300 m² de área útil, três ou quatro dormitórios, piscina e churrasqueira. O valor é de R$ 1,2 milhão.

 Condomínios. Segundo o gerente de vendas da MSM Village, João Carlos Andrade, os imóveis localizados em condomínios fechados tiveram valorização de cerca de 110% de 2009 para cá. “O aumento ocorreu devido à pouca oferta de casas à venda.  Quem compra são famílias com um ou dois filhos, e o casal encontra-se em uma faixa etária de 35 a 50 anos.  São pequenos empresários e executivos que decidem ter uma qualidade de vida maior, com muita natureza em volta”, conta Andrade.

Segundo ele, uma casa de padrão médio em um condomínio fechado com três dormitórios, área útil de 200 m² e área total de 500 m² valia, há dois anos, R$ 300 mil. Hoje custa pelo menos R$ 700 mil.

 “Não é possível erguer casas populares na região porque os terrenos disponíveis e legalizados são cada vez mais escassos. Para compensar o custo financeiro das construções, só é viável fazer casas de médio e alto padrão.”

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