Piscinas reabrem sem máscara, mas protocolo fora dela deve ser seguido

Piscinas reabrem sem máscara, mas protocolo fora dela deve ser seguido

Segundo médico, restrições e distanciamento devem ser seguidos fora da água, como na área de tomar sol; 85% dos condomínios já reabriram área de lazer, segundo associação

Bianca Zanatta

18 de outubro de 2020 | 05h03

Especial para o Estado

Apesar de eventos e lançamentos ao redor do mundo serem adiados devido à pandemia do novo coronavírus, a primavera de 2020 decidiu antecipar o desfile da coleção de verão. Logo no início do mês, os termômetros em São Paulo se aproximaram do recorde de dia mais quente já registrado na história da cidade, batendo 37,4°C. Com os picos de temperatura, a piscina ganhou destaque em meio às discussões sobre a reabertura das áreas comuns nos condomínios residenciais.

De acordo com a administradora digital LAR.app, alguns síndicos fizeram pesquisas com os moradores para saber se eles se sentiam confortáveis com a reabertura e definir que medidas seriam tomadas, enquanto outros preferiram observar o ritmo e as recomendações dos órgãos oficiais de saúde.

“A redução do número de condôminos utilizando o espaço foi significativa, sendo permitida na maioria dos condomínios a permanência de uma ou duas famílias por vez, no caso de piscinas grandes”, diz Leonardo BOZ, CEO da plataforma. O tempo de uso da piscina deve ser limitado, segundo ele, para que toda a comunidade do prédio possa aproveitar. “Os condôminos também ficam encarregados de manter o distanciamento e esterilizar os objetos utilizados, como cadeiras e outros utensílios do espaço”, recomenda.

A regra geral de reabertura das áreas comuns, além das medidas de distanciamento e higienização constante, é que todos usem máscara de proteção. No caso das piscinas, no entanto, o equipamento é dispensado, tornando as outras ações preventivas ainda mais importantes.

“O cloro e as soluções desinfectantes usadas na piscina com certeza inativam o vírus dentro da água”, garante o doutor Moacyr Silva, infectologista da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein. Ele esclarece ainda que os poros da máscara de proteção se abrem quando ela é molhada, tornando-a ineficaz – e por isso o uso dentro da água é dispensado.

Michael Feitosa, advogado e síndico em um condomínio na Mooca, zona leste de São Paulo. Foto: Felipe Rau/Estadão

Além de não dividir objetos, o distanciamento social de pelo menos 1,5 metro entre as pessoas se torna fundamental. “O vírus não sobrevive na água tratada, mas a transmissão de pessoa para pessoa acontece através de gotículas e liberação de aerossóis”, lembra o infectologista. Ou seja, tudo bem nadar, mergulhar e boiar na piscina ao mesmo tempo que outra pessoa, mas nada de ficar batendo papo de pertinho, mesmo dentro da água.

O especialista alerta que essas recomendações valem somente para piscinas ao ar livre. “A piscina fechada e aquecida, comum nos prédios de alto padrão, é proibitiva”, diz, lembrando que, neste tipo de espaço, os moradores ficam confinados e o vírus permanece no ambiente.

Regras claras e reforço no controle

Segundo José Roberto Graiche Júnior, presidente da AABIC (Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo), a maioria dos empreendimentos decidiu pela reabertura gradual da área da piscina, inclusive do espaço para o banho de sol, após se assegurar de que não há propagação do vírus na água. “Mais de 85% das piscinas instaladas nos condomínios do estado de São Paulo foram reabertas”, calcula.

Para garantir a segurança dos usuários, a AABIC recomenda inclusive fazer marcação e delimitação de espaço entre as cadeiras para banho de sol e higienizar os equipamentos com frequência, independentemente do uso. “É recomendável também que todos os moradores tenham as mesmas possibilidades de usar a piscina, não pode privilegiar uma unidade em detrimento da outra”, afirma.

Apesar de todos estarem bem conscientes, a concorrência para se refrescar deve crescer com os dias mais quentes, exigindo talvez um reforço, segundo Graiche. “Com a possibilidade de aumento do fluxo de pessoas, muitos condomínios já direcionaram um funcionário para controlar e monitorar a entrada das pessoas na piscina”, conta.

Entendendo que a vida nos condomínios tende a voltar ao normal aos poucos, a Lello Condomínios produziu, em parceria com o projeto InformaSUS, integrado pelos docentes e pesquisadores da área de medicina da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), um protocolo de biossegurança com orientações gerais de prevenção e boas práticas para a retomada segura da convivência em tempos de covid-19.

“No caso das piscinas, orientamos que sigam evitando aglomerações, mantendo o distanciamento, utilizando máscaras ao entrar e sair do ambiente, além de reduzir o horário de uso e limitar a quantidade de pessoas utilizando o espaço, o que pode ser feito através de reservas”, explica Angelica Arbex, gerente de relações com os clientes.

Votação e responsabilidade

É o que tem feito o advogado Michael Feitosa, de 39 anos, no condomínio do qual é síndico, localizado na Mooca, zona leste da capital paulista. “Fomos acompanhando os protocolos de abertura do governo e fizemos um primeiro teste com a quadra, permitindo o uso de cada família por uma hora, desde que tivesse agendamento prévio”, diz.

A reabertura da piscina, assim como de outras áreas comuns, foi decidida em assembleia extraordinária. Por enquanto, é permitido o uso compartilhado por, no máximo, duas famílias, mantendo-se o distanciamento. O condomínio disponibiliza álcool em gel e exige uso da máscara para entrar e sair da área, bem como para quem fica sentado nas mesas. As espreguiçadeiras foram retiradas.

Segundo Feitosa, a retomada tem sido tranquila. “Teve um fim de semana de calor extremo em que desceram três famílias ao mesmo tempo, mas antes me consultaram sobre a possibilidade e assinaram um protocolo de ciência que isentava o condomínio de responsabilidade”, conta. A exceção foi aberta, mas com os dias de calor que vêm a galope ele deve realizar uma nova votação em breve, sugerindo que a piscina possa ser dividida por até cinco unidades.

O que pode:

  • Nadar sem máscara
  • Uso de piscina ao ar livre

O que não pode:

  • Bater papo perto do outro dentro da piscina sem máscara
  • Uso de piscinas cobertas e privativas
  • Ficar sem máscara fora da piscina, nas cadeiras

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