Planejamento é palavra-chave para comprar imóvel
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Planejamento é palavra-chave para comprar imóvel

Organização financeira é essencial para poder realizar o negócio; especialistas avaliam que momento é propício à obtenção de descontos

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21 de outubro de 2018 | 07h15

Foto: Unsplash

Jéssica Díez Corrêa, especial para O Estado

A compra de um imóvel requer planejamento. Por ser um bem durável e de valor elevado, é necessário se preparar financeiramente com antecedência e analisar a fundo todas as opções antes de optar pela aquisição.

O primeiro passo ao investir o dinheiro em uma propriedade é reconhecer o momento propício para a compra. O cenário atual, afirmam especialistas, é favorável. “Hoje, temos oferta maior do que a demanda. Então, a tendência é de que os imóveis fiquem muito tempo parados. Nesses momentos, o consumidor tem mais condição de negociar preços e formas de pagamento”, afirma o professor de economia da Faculdade Getúlio Vargas (FGV) Arthur Igreja.

O estudioso também aponta que é importante conferir as taxas de juros. Mais uma vez, o período que vivemos atualmente, segundo ele, é adequado, já que a Selic, taxa básica de juros da economia, chegou ao menor valor histórico, de 6,5%. “Há crédito abundante e faltam tomadores de crédito. Selic baixa é bom sinal para a pessoa poder comprar seu imóvel.”

Estabelecido o momento adequado, é hora de organizar o orçamento para a compra. Segundo Fábio Macedo, diretor comercial da Easynvest, muitos não conseguem se planejar pois não sabem quanto ganham e, principalmente, quanto gastam. “Uma vez que você identifica seus maiores gastos, fica fácil definir onde você pode eventualmente cortar custos.” Ter um controle efetivo dos ganhos e despesas mensais é essencial, e planilhas e aplicativos podem ser aliados nesse objetivo.

Os engenheiros Larissa Nery e Guilherme Ártico, de 25 e 26 anos, respectivamente, se planejaram e cortaram os gastos supérfluos para comprar um imóvel em Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo. O casal, que vai se casar em dezembro, passou um ano poupando mensalmente para financiar o apartamento. “Juntamos a maior quantia de dinheiro possível, para que pudéssemos pagar a entrada, os impostos e outros gastos que surgissem”, conta Larissa. O valor economizado foi de 49 mil reais.

Larissa e Guilherme cortaram gastos para compra de imóvel em Guarulhos. Foto: JF Diorio/Estadão

Não há receita de bolo ao juntar dinheiro, mas a regra “50, 35, 15” é padrão entre os economistas. “Do que a pessoa ganha, 50% é para as despesas usuais, 35% é para as despesas imprevistas e 15% ou para saldar dívidas passadas ou realizar poupança. Destes 15%, normalmente a gente recomenda 10% de poupança de curto prazo e 5% de poupança de longo prazo, que é onde entram os recursos para um imóvel, por exemplo”, explica o professor de economia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Agostinho Pascalicchio.

Definida a quantia mensal a ser poupada, o passo seguinte é analisar a melhor aplicação para guardar o montante. No caso de Larissa e Guilherme, o valor economizado ficou na poupança, mas, de acordo com os entrevistados, essa não é a opção mais indicada. “Existem aplicações tão seguras quanto, porém mais rentáveis. Deixar integralmente o dinheiro na poupança não é uma recomendação saudável”, diz Igreja.

Para aplicações de curto prazo, segundo Macedo, são indicados o Tesouro Prefixado, o Tesouro Selic, CDB com liquidez diária, fundos de investimento de baixo risco e fundos DI. Pensando no médio e longo prazos, a gama de produtos aumenta. Tesouro com títulos lastreados ao IPCA, fundos multimercados, fundos de renda variável e, dependendo do perfil de investidor, até o mercado de ações pode ser opções.

Além disso, investimentos não convencionais também são alternativas. A analista de conteúdo Isabel Delalamo, de 26 anos, chegou a pesquisar a rentabilidade do Tesouro Direto e do CDB, mas investiu em bitcoins. Desde 2015, ela guardou parte do salário com o objetivo de comprar um apartamento com o noivo, Victor Hugo de Moura. O casal fez a aquisição em março e deve se mudar para o imóvel no Butantã em 2019.

Victor e Isabel adquiriram apartamento na planta no Butantã. Foto: Alex Silva/Estadão

O tipo de investimento adequado para cada um é determinado pelo tempo que a pessoa está disposta a esperar para ter as chaves do imóvel em mãos. Quanto mais longo o prazo, melhores as taxas. “Se a pessoa vai usar o dinheiro a curto prazo, o conselho é fazer investimentos menos arriscados e com liquidez maior. Se a pessoa vai usar a médio e longo prazo, ela pode ter produtos que tragam um pouquinho mais de risco. Não vai ter uma liquidez imediata, mas a vantagem é a rentabilidade mais alta”, diz Macedo.

Um questionamento recorrente na hora da compra é saber se sai mais barato adquirir o imóvel à vista ou por financiamento. Os especialistas convergem na resposta: pagam menos aqueles que pagam em uma só parcela. “A entrada ideal é a de 100%”, brinca o professor de finanças da PUC-SP e da FGV, Fábio Gallo. Pascalicchio concorda: “Quem tem condições de fazer à vista, faz o melhor negócio”. Segundo ele, o preço total do bem pode diminuir em até 30% nessa modalidade de aquisição.

Como a alternativa não condiz com a realidade de muitos brasileiros, a sugestão é dar o maior valor possível no ato da compra. “O quanto a pessoa vai conseguir antecipar é muito importante. O tamanho da entrada regula se o negócio vai ser bom ou ruim”, afirma Igreja.

A editora assistente Lígia Evangelista, de 25 anos, teve o mesmo pensamento ao adquirir o seu apartamento, em Osasco. Lígia deu R$ 112 mil de entrada, o equivalente a 43% do valor do imóvel. “Guardei esse dinheiro por quatro anos e meio. É mais vantajoso, porque os juros acabam sendo menores.”

O financiamento imobiliário possui uma das taxas mais baixas do mercado. Para consegui-lo, porém, é necessário atender os requisitos determinados por cada banco e financiar, via de regra, pelo menos de 20% a 30% do valor patrimonial do bem.

 

Adquirir na planta sai mais barato, mas exige cuidado

A compra do imóvel na planta tem o preço como grande atrativo. “Sem dúvida alguma, sai mais barato do que o mesmo imóvel pronto”, afirma o professor de finanças da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP) e da FGV, Fábio Gallo.

O motivo, segundo ele, é que quem faz esse tipo de transação está assumindo o risco da construção. “A construtora pode ter trambique e ir à falência, por exemplo. Além disso, há os riscos relacionados à obra. O empreendimento pode ter diversos problemas, como o material usado ser de má qualidade.”

Do outro lado do espectro, há o apartamento pronto, porém mais caro. “O ponto positivo dele é que já se conhece a qualidade do imóvel, o entorno. Não há os sustos que a construção pode causar”, diz Gallo.

A resposta se é mais vantajoso comprar o imóvel na planta ou com o empreendimento pronto depende principalmente do perfil de comprador. “Só a pessoa interessada consegue pesar os prós e contras e ver o que se adapta melhor à sua vida”, afirma o professor.

No caso de Isabel Delalamo, a decisão de adquirir o imóvel com o prédio ainda na fase de projeto teve saldo positivo. “Assim, temos tempo de planejar a mudança com calma, pesquisar preços de móveis e eletrodomésticos”, conta. A compradora Larissa Nery, no entanto, emite outra opinião: “O empreendimento entregue traz mais segurança e atende melhor a necessidades de emergência”.

No caso de compra na planta, a providência mais importante é verificar a reputação da empresa responsável pelo empreendimento. Para o professor de economia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Agostinho Pascalicchio, esse é o elemento decisivo na hora de optar pela aquisição. “Deve-se analisar a qualidade da construtora, sua reputação, verificar se possui boa transparência, bom prazo de entrega, se tem antecedentes que colaborem no processo de decisão. A análise deve ser feita considerando-se os riscos”, opina.

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