Produção de fotos e vídeos de imóveis se intensifica na quarentena
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Produção de fotos e vídeos de imóveis se intensifica na quarentena

Setor imobiliário investe em soluções para melhorar visitação virtual, movimentando empresas de audiovisual, fotógrafos e agências especializadas em realidade virtual

Bianca Zanatta

31 de maio de 2020 | 06h02

Especial para o Estado

O setor imobiliário já usava imagens profissionais em sites e plataformas para atrair clientes antes da pandemia do novo coronavírus, mas a atual necessidade de garantir a visitação virtual fez crescer a procura por vídeos e fotos de qualidade. Fotógrafos, cinegrafistas, editores de vídeo e especialistas em realidade virtual e tecnologia 360º têm sido acionados para atender à demanda.

“Hoje temos 30 projetos em andamento, sendo metade deles no Brasil”, diz Henrique Driessen, CEO da Elephant Skin, empresa norte-americana fundada por brasileiros que oferece serviço de CGI (Computer Generated Imagery – imagens geradas por computador) para o mercado imobiliário. Entre os clientes nacionais estão incorporadoras como Vitacon, You.Inc. e Tegra.

“Desenvolvemos um modelo de realidade virtual capaz de substituir o uso dos óculos e que pode ser compartilhado e usado em qualquer plataforma, seja celular, tablet ou computador”, explica. A plataforma permite visitar um apartamento decorado sem sair de casa. O CEO acredita que, mais do que nunca, tais recursos são fundamentais para que a história do cliente seja bem contada. “A gente tem uma única chance de envolver a pessoa por meio de uma imagem.”

Fotógrafo do setor imobiliário e também diretor de operações na SH Prime, Henry Marra diz que os agendados para fazer imagens dos locais aumentaram. Foto: Daniel Teixeira/Estadão

Durante a pandemia, a Sh Prime Imóveis intensificou a contratação de profissionais para captação de imagens e produção de vídeos. A ideia é “proporcionar uma nova experiência de compra”, segundo o CEO Adriano Santana Fong. “Com a mudança do cenário, ampliamos o investimento em projetos digitais e antecipamos o lançamento de plataformas, como o recurso de tour virtual, a estruturação do nosso canal no YouTube e o aumento no número de imagens dos imóveis disponíveis em nosso site.”

O time tem sido acionado para ampliar o banco de imagens e detalhar mais os ambientes de cada imóvel. Como resultado da ação, o site da imobiliária registrou aumento de 27% no número de visitantes em comparação ao primeiro trimestre de 2019, principalmente nas opções com tour virtual.

Fotógrafo do setor imobiliário desde 2014, Henry Marra é também diretor de operação na Sh Prime e comanda a equipe de fotografia, composta por quatro profissionais fixos e freelancers. Ele afirma que no início da quarentena muitos agendamentos foram suspensos, mas agora estão aumentando diariamente.

“Focamos nossa equipe para fotografar imóveis vazios e com chaves na portaria, o que nos deu um retorno melhor.” Marra explica que, pouco tempo atrás, nem todos os proprietários aceitavam receber os profissionais ou autorizar a entrada no condomínio, mas agora percebem o valor de imagens de qualidade no anúncio do imóvel.

“Por conta da pandemia, estão entendendo que as fotos podem representar uma visita total para ajudar um potencial cliente”, diz. Os fotógrafos se deslocam em veículo próprio e fazem as imagens devidamente paramentados para evitar contaminação.

Por ter nascido digital, a plataforma imobiliária Kzas usa desde a fundação fotos e vídeos para garantir a avaliação dos imóveis. De acordo com o head de operações Renato Rodrigues, desde o início da quarentena as ofertas com vídeos tiveram 40% a mais de visualizações do que as outras. “Nosso vídeo é um tour guiado que leva ao cliente a mesma sensação de visitar o imóvel com um especialista ao lado”, conta.

Além do time interno de curadoria, a plataforma trabalha agora com cinco fornecedores de material audiovisual, alguns em fase de testes. “Buscamos modelos diferentes de conteúdo, focados em humanizar a experiência”, explica o executivo.

Ele acredita que esteja em curso uma mudança no perfil do consumidor, mais exigente de modo geral, mas que lida de forma orgânica com as modalidades de visitação virtual. “O público investidor e as pessoas mais jovens apresentam mais abertura para tratar do processo de maneira 100% online.”

Mercado promissor para fotógrafos

Fotógrafa profissional e CEO da Gyro Tour Virtual, Eliane Barboza tem hoje o setor imobiliário como carro-chefe, entre outras empresas que contratam seus serviços, como restaurantes e empresas de hotelaria (mas esses setores cancelaram os serviços ou adiaram por tempo indeterminado).

Ela afirma que a prestação de serviços para construtoras e imobiliárias teve aumento de 50% em relação ao mesmo período de 2019. “A procura pelo tour virtual foi a solução encontrada para mostrar os imóveis e continuar a comercializar respeitando o distanciamento social.”

Tours virtuais e até salão digital de imóveis foram algumas das ações propostas por imobiliárias e construtoras para manter fluxo do setor durante o isolamento social. Foto: Daniel Teixeira/Estadão

O time fixo tem nove profissionais, entre fotógrafos, programadores, web designer, videomaker, editor e auxiliar administrativo, e conta com uma rede de freelancers quando a demanda cresce.

Outro serviço é o tour aéreo com drone, atualmente muito usado pela construção civil. Um dos colaboradores fixos é responsável pela captação e pela edição de fotos e vídeos de obras em andamento. “Isso transmite segurança aos clientes, que acompanham pela internet a evolução da obra e seu cronograma”, diz

A opção de contratar produção profissional de fotos, vídeos 3D e tour virtual já existia na plataforma da Lopes Imobiliária antes do isolamento social, mas, segundo o diretor executivo Matheus Fabrício, a modalidade tem hoje maior aceitação.

Recentemente, a imobiliária organizou inclusive um salão digital de imóveis. “Pela primeira vez, conseguimos realizar um feirão digital em que o cliente podia visitar todos os imóveis, entre lançamentos e ainda na planta, e fazer um tour virtual a todos os apartamentos decorados.”

Para ele, a visitação virtual não deve substituir toda a experiência presencial com o fim do isolamento, mas deverá ser adotada como forma de afunilar a decisão do consumidor. “Quando ele estiver com alguns imóveis que preencham mais os seus requisitos, aí ele parte para a visita física, para de fato tomar a decisão final”, prevê o diretor.

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