Áreas de convivência precisam  prever ciclo de vida do cliente
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Áreas de convivência precisam prever ciclo de vida do cliente

Projetos bem-sucedidos fogem de modismos e projetam estilo de vida de morador ao longo do tempo, diz especialista

Claudio Marques

20 Maio 2018 | 07h28

Augusto Decker e Matheus Riga, especial para O Estado

Áreas de convivência precisam  prever ciclo de vida do cliente

Paisagismo interliga ambientes das áreas comuns e eleva interesse dos moradores. Foto: Ruben Otero/Divulgação.

O maior erro em um projeto de condomínio, segundo o professor da especialização em gestão de incorporações e construções imobiliárias da FGV, Paulo Porto, é desconsiderar a trajetória do cliente em seus diferentes momentos da vida.

Para ele, o planejamento das áreas comuns leva em consideração, na maioria dos casos, apenas o momento da entrega do imóvel, ignorando os futuros moradores ao longo do tempo.

Adaptar o projeto para o médio e longo prazo é a maneira mais eficaz de melhorar os projetos de imóveis vendidos por incorporadoras e construtoras. “Se o condomínio for planejado em cima de modismos, fica muito mais difícil utilizar esses espaços depois de algum tempo”, afirma o especialista.

O planejamento deve ser pensado de acordo com as gerações que vão usufruir do imóvel. “O prédio fica, mas, ao longo dos anos as pessoas que irão morar ali serão diferentes”, diz Porto. A estratégia é essencial para que o imóvel se mantenha valorizado e com liquidez.

“O projeto de imóvel tem de pensar no longo prazo”, afirma Porto. Segundo ele, as construtoras devem pensar não só no público que deve entrar no apartamento em até três anos, mas também naqueles que ficarão lá na próxima década ou geração.

Processo

O projeto de um empreendimento começa com uma pesquisa realizada pela construtora ou incorporadora. Nela, o perfil do bairro, do público-alvo e do apartamento são traçados e influenciam o restante do processo criativo.

Após essas definições, as construtoras e incorporadoras se unem com assessorias especializadas e administradores de bens para iniciar o planejamento. “Vira um processo de quatro, seis, oito mãos para avaliar como o empreendimento será lançado”, conta o presidente da Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo (Aabic), José Roberto Graiche Júnior.

Essa reunião de especialistas, segundo Graiche Júnior, tem como objetivo encaixar o perfil do comprador ao do empreendimento. “Existe toda uma inteligência envolvida nessa concepção”, explica. Para ele, as áreas comuns são um dos atrativos, já que cada vez mais as pessoas passam a fazer atividades dentro da própria casa.

Toques finais

Após a definição das unidades, as equipes de projeto definem o layout do edifício. A paisagista Catê Poli conta que o seu trabalho não é definir o que será feito, mas desenhar a melhor forma para entrelaçar os ambientes. “São as incorporadoras que definem os itens que o imóvel terá”, diz.

Segundo ela, as construtoras têm se preocupado em fazer espaços mais amplos, que possam ser utilizados para diversos fins. Além disso, Catê conta que a tendência é que os espaços comuns tenham áreas cada vez maiores e os apartamentos sejam cada vez menores.

A criação de espaços flexíveis em áreas comuns é uma das soluções possíveis para os projetos. “Fazemos uma combinação de mobiliários que possibilita alternativas de usos em um mesmo ambiente”, afirma a coordenadora de projetos da incorporadora You, Paula Blankenstein.

Os espaços, além de flexíveis, segundo ela, devem se integrar. “Assim, os moradores podem usar mais de um ambiente ao mesmo tempo.” Além disso, Paula diz que o layout dos ambientes e a decoração influenciam a utilização dos espaços.

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