Saiba como economizar energia elétrica

Saiba como economizar energia elétrica

Claudio Marques

29 de março de 2014 | 08h22

 

Diante da queda no nível dos reservatórios das hidrelétricas, o governo acendeu o “sinal amarelo” a respeito da possibilidade de faltar energia. E, na última quinta-feira, em entrevista concedida ao Wall Street Journal, dos Estados Unidos, o ministro de Minas e Energia, Edson Lobão, admitiu, pela primeira vez, a hipótese de o governo lançar uma campanha para encorajar a população a reduzir o consumo de eletricidade voluntariamente. Mas, independentemente de uma campanha, os condomínios podem adotar medidas com o objetivo de economizar energia e reduzir suas despesas.

Vista noturna da capital toda iluminada (JULIO SZYMANSKI/ESTADÃO)

O coordenador de usos finais da AES Eletropaulo, Fernando Bacellar, lembra que os responsáveis pelo alto consumo de eletricidade em imóveis residenciais são iluminação excessiva ou incorreta, elevadores, bombas d’água e aquecedores.

Segundo Bacellar, deve-se fazer constantemente o gerenciamento do consumo e, sempre que possível, usar iluminação natural nas garagens, corredores e áreas comuns do edifício. “Invista em lâmpadas de LED, que têm vida útil até quatro vezes maior que as fluorescentes”, orienta.

Bacellar também recomenda usar sensores de presença nas escadas e garagens, evitando-se, assim, que as luzes fiquem acesas o tempo inteiro. Outra medida simples, pintar as paredes de cores claras, ajuda a deixar o ambiente mais claro, porque essas cores refletem melhor a luz.

“Em relação aos elevadores, se houver mais de um, evite chamar os dois ao mesmo tempo, e procure deixar um desligado durante a madrugada”, aconselha. No caso das bombas de água, Bacellar recomenda observar constantemente a existência de vazamentos, a fim de evitar o desperdício. “A água utilizada em um edifício precisa de energia elétrica para chegar até os apartamentos.”

Medidas para o uso consciente da eletricidade podem gerar economia de até 30% no consumo de um condomínio, garante o gerente da Auxiliadora Predial, Julio Herold.

“As lâmpadas de LED estão sendo bastante utilizadas nos edifícios como medida econômica e sustentável, principalmente nas garagens. O valor do produto é maior, mas o retorno é garantido”, diz.

O engenheiro civil e especialista em meio ambiente Sérgio Eduardo Gomes dos Santos trabalha para a Auxiliadora Predial dando suporte técnico aos síndicos que implantarem medidas de uso racional de energia. “Estamos viabilizando a troca de lâmpadas fluorescentes pelas de LED. Traz economia na conta e há melhoras significativas para o meio ambiente”, diz. Ele também recomenda trocar a iluminação dos jardins por luzes mais fracas e instalar holofotes nas quadras de esportes em vez de luzes dicroicas.

Energia solar, sensores de presença e luzes de LED também são as opções de economia indicadas pela gerente do Grupo Oma Patrimônios, Gisele Fernandes. “Muitos condomínios estão instalando, nas áreas comuns e garagens, sensores de presença com lâmpadas de LED, consideradas mais econômicas e de vida útil mais longa.” Gisele diz que o uso de energia solar também tem sido avaliada por condomínios, principalmente para aquecer piscinas, o que normalmente é feito com uso de gás ou de energia elétrica.

Ela lembra que as contas de consumo – água, energia e gás – juntas representam o segundo maior gasto do condomínio. “Por isso, a orientação para reduzir o consumo é constante.” Estimular a economia de água também vai ajudar a reduzir energia, acrescenta Gisele.

Todos concordam que os elevadores devem ter uso controlado. Para o diretor de marketing e serviços da Atlas Schindler, Fábio Mezzarano, equipamentos modernos e bem conservados são sinônimos de economia.

“Hoje, os elevadores são até 50% mais leves, com menos engrenagens e isso diminui o consumo de energia”, diz.

De acordo com Mezzarano, o ideal é que os condomínios com equipamentos mais antigos optem por trocá-los por modelos mais modernos e econômicos. Ele reforça a importância da manutenção correta nos elevadores, em razão de sua intensa utilização.

“A conservação adequada deixa o equipamento mais seguro e mais econômico.”

Edifícios recebem etiqueta de eficiência

O Procel Edifica foi instituído em 2003 pela Eletrobrás e pelo Programa Nacional de Eficiência Energética em conjunto com o Ministério de Minas e Energia, Ministério das Cidades. Seu objetivo é incentivar o uso eficiente dos recursos naturais (água, luz, ventilação) nas edificações.

“Até o momento, 21 edifícios residenciais no País possuem a Etiqueta de Projeto. No total, há 2024 etiquetas distribuídas entre apartamentos, áreas de uso comum e edifícios”, afirma o gerente do Departamento de Projetos de Eficiência Energética da Eletrobras, Fernando Perrone.

Até o momento, a adesão ao PBE Edifica (Programa Brasileiro de Etiquetagem de Edificações) é voluntária. No entanto, de acordo com o Plano Nacional de Eficiência Energética (PNEf), esse processo se tornará compulsório e deverá ser aplicado para construções residenciais até 2030.

Obrigatoriedade. “Neste cenário, podemos estimar que a quantidade de edifícios etiquetados será equivalente, pelo menos, ao número de edifícios novos lançados no mercado imobiliário a partir do momento em que houver a obrigatoriedade”, acrescenta.

Perrone esclarece, ainda, que a etiqueta de projeto é válida até a conclusão da construção ou, no máximo, até cinco anos a partir da sua emissão. “Depois da conclusão da obra, o proprietário deverá procurar novamente o laboratório para fazer uma inspeção no edifício construído e referendar a avaliação feita na fase de projeto e emitir a Etiqueta Final (Etiqueta de Edificação Construída)”, informa.

A Tecnisa tem dois empreendimentos em São Paulo com a etiqueta. De acordo com o gerente de desenvolvimento tecnológico da empresa, Maurício Bernardes, afirma que a empresa está investindo em eficiência energética.

“O Jardins das Perdizes, em São Paulo, tem nível A de eficiência e o Flex Guarulhos, nível B”, diz Bernardes.

No empreendimento de Guarulhos há revestimento em cores claras, medição individualizada de água, isolamento térmico na cobertura e aquecimento a gás. Além dessas medidas, no Jardim das Perdizes também existe ventilação cruzada, janelas maiores e persianas com blackout.

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