Salas de delivery em prédios ganham força com alta do e-commerce

Salas de delivery em prédios ganham força com alta do e-commerce

Espaço exclusivo para receber encomendas nos condomínios se torna mais necessária com vendas online; incorporadoras lançam projetos até 100% automatizados, com ajuda de aplicativos

Bianca Zanatta

08 de novembro de 2020 | 05h05

Especial para o Estado

Os hábitos de consumo contemporâneos já tinham entrado no radar de incorporadoras imobiliárias, que antes da pandemia projetaram espaços para delivery e entrega de encomendas em seus novos empreendimentos, como apontado em reportagem do Estadão no ano passado. A ideia, no entanto, ainda era embrionária e pulverizada. Com a chegada da pandemia e o salto das compras on-line, a necessidade se tornou mais evidente e esses espaços vêm se multiplicando nas plantas dos futuros lançamentos de condomínios residenciais.

Segundo a 42ª edição do Webshoppers, relatório elaborado pela Ebit Nielsen em parceria com a Elo, o e-commerce teve um crescimento de 47% no primeiro semestre de 2020, saltando para 90,8 milhões de pedidos – 39% a mais do que no mesmo período de 2019.

Um levantamento da empresa de mercado Neotrust/Compre&Confie mostrou também que os brasileiros aderiram ao e-shopping em modalidades de compras que antes eram majoritariamente presenciais, como alimentos e bebidas (alta de 241%), itens de cama, mesa e banho (236%), brinquedos (211%), móveis (174%) e eletroportáteis (164%). Cosméticos e moda também ganharam destaque.

À frente de três condomínios residenciais em bairros da zona sul de São Paulo (Ibirapuera, Vila Mariana e Moema), a construtora Urbic já tinha incorporado a tendência de consumo por delivery em seus projetos, mesmo antes da pandemia.

“Entendemos que essa área vinha sendo uma necessidade para os nossos clientes, que precisam de praticidade e agilidade no recebimento de suas compras”, diz a diretora de incorporação Lilian Farinas. “Grande parte deles já usa a internet para resolver a maior parte das questões de sua rotina, incluindo a compra de artigos de farmácia e supermercado.”

A ideia é que o funcionamento seja todo automatizado, com uma uma portaria remota para controlar o acesso dos entregadores ao espaço de armazenamento por meio de câmeras e interfones. “O entregador se identifica para a câmera e comprova com documento de entrega a origem do produto e o destinatário para que as portas sejam destravadas”, explica a diretora. A entrega é depositada em um locker e a senha é indicada via SMS ao morador para que ele faça a retirada da encomenda.

Espaço de delivery projetado para o OY Campo Belo, que deve ser lançado nas próximas semanas pela You, inc. Foto: Projeção digital

Formato híbrido para encomendas

Outra que transformou o delivery room em item básico de seus lançamentos foi a You,inc, que está com dois novos empreendimentos no mercado (OY Frei Caneca e Ibira by You,inc) e deve lançar mais dois nas próximas semanas (OY Campo Belo e B.Side Faria Lima).

“Os espaços delivery já apareciam em nossos projetos de áreas comuns”, explica a diretora institucional Tatiana Muszkat, contando que a demanda crescente se intensificou com a pandemia e que, no momento em que vivemos, essa facilidade se tornou quase obrigatória.

Ela fala que em todos os projetos o espaço fica próximo à portaria principal, para que o recebimento possa ser feito por um funcionário exclusivo ou, dependendo da demanda, pelo próprio porteiro, que armazena as encomendas para retirada. “Hoje existe uma gama de aplicativos que gerenciam essa operação e podem auxiliar no uso mais eficiente do delivery.”

O formato híbrido também está nos planos da REM Construtora, que prevê a entrega de seu edifício Marcco, localizado na Vila Romana, para janeiro de 2023. O espaço de delivery terá uma zeladoria anexa de 30 metros quadrados para armazenar um volume maior de pacotes e o funcionamento do sistema será deliberado futuramente pelo prédio, segundo Rodrigo Mauro, diretor geral da construtora.

“Mas já pensamos em alocar este espaço muito próximo à entrada do prédio, de modo que um controlador de acesso possa receber a encomenda e já deixá-la dentro desta sala.”

Novos tempos, novas medidas

No caso de prédios antigos ou recém-inaugurados que não possuem espaço de delivery, o aumento no volume de encomendas, que chegou a 70% em tempos de covid-19, pode causar dor de cabeça. De acordo com Angélica Arbex, gerente de marketing e relacionamento da Lello Condomínios, a recomendação é que não se permita o acúmulo de entregas na portaria nem a intermediação dos funcionários do condomínio.

Mesmo sem ter um espaço previamente criado para armazenar encomendas, porém, áreas subutilizadas dos prédios podem ser uma alternativa para a instalação de lockers. “O entregador guarda ali o pedido para, em seguida, ser retirado por quem o fez”, exemplifica.

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