São Paulo recebe 2,3 mil novos imóveis em abril, queda de 13,18% ante 2013

São Paulo recebe 2,3 mil novos imóveis em abril, queda de 13,18% ante 2013

Metro quadrado dos lançamentos imobiliários da cidade de São Paulo no período ficou avaliado em R$ 8.287

Claudio Marques

10 de junho de 2014 | 12h16

GUSTAVO COLTRI

Há opções para todos os gostos e bolsos entre os lançamentos imobiliários do mês de abril em São Paulo. A cidade recebeu no mês 2.358 novas unidades residenciais, distribuídas em 52 empreendimentos, de acordo com dados da Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio (Embraesp) divulgados em primeira mão pelo Estado.

Na média, esses imóveis na planta custavam R$ 557,5 mil na época do lançamento, com metro quadrado avaliado em R$ 8.287. Dependendo da região da cidade e do tipo de produto desejado, no entanto, os preços podem variar bastante.

Mais numerosos, os imóveis de dois dormitórios tiveram o menor valor de metro quadrado entre os novos produtos paulistanos: R$ 6.806. Foram acrescentados à capital 1.142 produtos desse tipo em abril, com, em média, 55 m² – as casas representam 17,4% do total lançado, localizadas em áreas da zona leste como Penha, Ermelino Matarazzo e São Miguel Paulista.

Aliás, a zona leste foi a que reuniu a maior quantidade de unidades novas de dois dormitórios em edifícios – há ainda 296 imóveis na zona oeste, 196 na zona norte e 110 na zona sul. Dois perfis de produto marcam a região: de um lado, há lançamentos como o Go! Mooca, da Construbrokers, e o Aristo by Lindenberg – Tatuapé, do Grupo LDI; de outro, há econômicos em Itaquera, São Miguel Paulista e Ermelino Matarazzo.

Destino de 296 produtos, a zona oeste teve como destaque empreendimentos de padrões e médio e alto de boa aceitação do consumidor. No Arte Arquitetura Pinheiros 2, projeto conceitual da incorporadora Stan, há disponíveis só 30% das unidades de 90 m² oferecidas no prédio, com 98 imóveis ao todo e preço médio de metro quadrado avaliado em R$ 12,7 mil. Segundo a gerente de marketing da empresa, Sandra Germanos, esses apartamentos têm como principal alvo jovens famílias.

Há ainda opções para o público single no projeto, embora com uma proposta mais ampla do que o habitual. Os apartamentos de um dormitório do Arte Arquitetura tem 64 m², enquanto a média de abril tem 41 m², segundo a Embraesp.

Arte Arquitetura. Prédio conceitual (Divulgação)

Apenas dois outros empreendimentos ofereceram também unidades com até um dormitório, ambos na zona sul. A Trisul lançou, na zona de valor do Jabaquara, o Line SP Conceição, com 114 imóveis de um e de dois dormitórios e metragens variando dos 47 m² aos 67 m². Até o momento, 65% dos produtos ofertados nesse projeto já foram comercializados, com valores variando de R$ 7.850 a R$ 9.000 por metro quadrado.

Já a incorporadora Vitacon colocou a venda, na Vila Olímpia, mais um edifício da linha VN, dessa vez na Rua Gomes de Carvalho, que dá nome ao prédio. A maior parte da oferta por lá é de studios com, em média, 29 m², ainda que haja opções também de apartamentos duplex. Segundo o CEO da empresa, Alexandre Lafer Frankel, os investidores respondem por metade dos compradores até o momento. O edifício fica em um complexo misto que contará com um prédio corporativo, uma praça e um café abertos ao público. O metro quadrado pedido no empreendimento está na casa dos R$ 16 mil, segundo a Vitacon.

Juntos, todos os imóveis de até um dormitórios respondem por 467 unidades do total colocado à venda no mês. Em média, o metro quadrado desses apartamentos custa R$ 12,4 mil, o mais alto valor da cidade entre as tipologias disponíveis.

As unidades de três dormitórios somaram 504 produtos em abril, 85% deles em prédios destinados ao público familiar. Na média, os imóveis de três dormitórios na planta têm 82 m² e custam mais de R$ 655 mil – ou R$ 7.973 por metro quadrado.

São Paulo recebeu quatro projetos com esse perfil em abril, um deles na zona oeste (Queen Perdizes, também com quatro dormitórios), um na zona norte (Clube Jardim Vila Maria) e dois na zona leste (Aristo by Lindenberg – Tatuapé e Spazio Helbor, na Vila Prudente).

Com apartamentos variando dos 100 m² aos 125 m², o projeto da incorporadora Helbor na Vila Prudente possui 70% das suas unidades ainda à disposição dos compradores. Os valores até este domingo, dia 8 de junho, partem dos R$ 7,2 mil por metro quadrado, de acordo com a companhia, que ressalta a proximidade do metrô e de um shopping como pontos de distinção do produto.

Spazio. Unidades de até 125 m² (Divulgação)

Não muito longe dali, na região do Ipiranga, está o único lançamento somente com unidades de quatro ou mais dormitórios. Trata-se do projeto Maison Artisan, da incorporadora PDG Realty. Três torres neoclássicas de cinco andares caracterizam o empreendimento.

As metragens nesse lançamento, que reúne 61 apartamentos, variam dos 131 m² aos 177 m². Até o momento, segundo o diretor da PDG em São Paulo, Mauricio Salles, 30% das unidades já foram vendidas, especialmente para famílias da região e para consumidores em busca de preços mais atraentes do que de outros bairros da zona sul – o metro quadrado por lá custa em torno de R$ 10 mil.

Queda.  Com seus 2.358 produtos, abril teve redução de 13,18% no número de unidades lançadas na capital em relação ao resultado do mesmo mês do ano passado, segundo a Embraesp. O desempenho do mês dá continuidade às quedas verificadas desde janeiro na comparação anual.

Houve também diminuição ante o mês de março, quando 2.555 produtos foram postos à venda. Apesar do recuo, abril obteve o segundo melhor desempenho do ano, com mais de mil unidades do que janeiro e fevereiro juntos.

Na opinião do vice-presidente de comercialização da imobiliária Abyara Brasil Brokers, Bruno Vivanco, os números não surpreendem: “O mercado imobiliário está acompanhando a tendência da economia, mais apertada, com ‘PIBinho’”.

Segundo ele, o ritmo de absorção dos lançamentos caiu nos últimos meses, especialmente nos produtos de investimento. “Eles estão com velocidade de venda mais baixa do que os produtos para os usuários finais.” Até a última reunião, quando manteve a taxa básica de juros da economia em 11%, o Comitê de Política Monetária havia elevado a Selic nove vezes.

Em função da nova realidade de mercado, há menos espaço para crescimento de preços, na opinião de Vivanco. “Não há muita margem de manobra. E esse é um momento de promoções porque os incorporadores estão entregando o que lançaram nos anos anteriores.”

Fora da curva. No Attitude Home, projeto da Esser na Barra Funda, todas as 224 unidades compactas foram vendidas no lançamento. Esse é, no entanto, um produto de exceção, na avaliação de Vivanco. “Ele tem um polo gerador de demanda na porta: uma faculdade com 5 mil alunos. E o preço (em R$ 11 mil por metro quadrado) estava ajustado com o da região. Mas a tendência de mercado não muda.”

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