Serra gaúcha terá condomínio-vinícola

Serra gaúcha terá condomínio-vinícola

Claudio Marques

30 de março de 2014 | 17h48

Projeto. Projeção 3 D do empreendimento no Rio Grande do Sul, que terá casas, hotel butique, wine bar e videiras (Divulgação)

 EDILAINE FELIX

Que tal ter casa em um condomínio com uma vinícola e poder contar com a produção de 600 garrafas de espumantes por ano com a sua marca? Projeto já existente em países como Chile, Argentina, Portugal e Estados Unidos chega ao Brasil, na região do Vale dos Vinhedos, no município de Garibaldi, no Rio Grande do Sul.

O projeto vitivinícola chamado Terroir Vinhedos Exclusivos foi lançado na última quinta-feira. O empreendimento recebeu investimentos de R$ 30 milhões para ocupar os 284 mil metros quadrados de área total, sendo 118 mil m² destinadas às videiras e 63 mil m² aos 58 lotes de cerca de mil metros quadrados cada um, a um custo de R$ 450 mil cada.

“É um condomínio. O comprador adquire um terreno de um mil metros quadrados para construir a sua casa e tem o direito de usufruir de toda área de convivência, com piscina, quadras e wine club”, diz Maurenio Stortti, diretor da empresa de consultoria M. Stortti,

Além de casas, no espaço será construído um hotel butique com 26 apartamentos. A taxa anual de condomínio será em torno de R$ 60 mil.

A área já é reconhecida pelo plantio de uvas (chardonnay e pinot noir) apropriadas para a produção de espumantes. O responsável pela fermentação do espumante é a Família Geisse, com mais de 30 anos de experiência no ramo de vinhos.

Os condôminos não terão as videiras em seu quintal. Elas ficarão numa área comum de plantio com cerca de 1,5 mil metros quadrados. Mas cada um terá direito a 600 garrafas de espumante ou 1,5 mil quilos de uva por ano em sua cave pessoal. A vinícola Geisse dará todo suporte à plantação, produção e armazenamento do espumante.

A assinatura do projeto arquitetônico ficará com o escritório Bórmida y Yanzón, de Mendoza, na Argentina, com experiência em projetos de vinícolas ao redor do mundo.

Segundo Stortti, a consultoria está há três anos realizando pesquisas de mercado para verificar a aceitação do produto pelo público brasileiro. E, para entender melhor, ele viajou para conhecer os condomínios vitivinícolas de outros países.

“Em outros países, a produção é para venda, aqui acreditamos que o imóvel será usado para veraneio, e o espumante servirá para o morador fazer marketing de seu produto, de sua marca. O público comprador deve ser de investidores”, diz.

Para Stortti, este é o ponto que diferencia o modelo brasileiro: a bebida não será vendida, e sim usada como ferramenta de marketing.

O sócio-diretor da Lex Empreendimentos Imobiliários, Ricardo Siviero, conta que embora atuem na Serra Gaúcha há 35 anos loteando áreas no Vale dos Vinhedos esta é a primeira experiência desse porte.

“Eu vinha acompanhando empreendimentos desse tipo. Estive em Mendoza, trouxe a idéia e comecei a conversar com o Mario Geisse, diretor presidente da Vinícola Geisse sobre o projeto. Reconhecendo que era possível nos juntamos a consultoria do Stortti para fazer os estudos e avaliar a viabilidade do projeto”, diz.

Sivieiro diz que o local tem uma topografia ideal para o empreendimento. Fica no alto, o que permite que todos os lotes tenham vista para as videiras. “Tivemos todo o cuidado para não atrapalhar a paisagem.”

Para a comercialização dos lotes – com início em agosto deste ano – a Lex terá parceiros espalhados pelo País, para atender todas as regiões. O prazo estimado para vendas é de três anos, tempo previsto para o cultivo das uvas. “A parceria deu certo, temos um espaço ideal e uma demanda interessada neste tipo de empreendimento que vai incluir o enoturismo.”

 

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