Começa a temporada de saldões imobiliários

Começa a temporada de saldões imobiliários

Sete promoções estão em andamento, e uma empresa confirmou evento até o fim do mês. Descontos chegam aos 40%

Claudio Marques

16 de agosto de 2014 | 19h25

Jardins. Feirão de imobiliária movimentou Rua Estados Unidos no dia 9 (Foto: Divulgação)

GUSTAVO COLTRI

Quase lado a lado, duas das maiores imobiliárias do País iniciaram a temporada de saldões no mercado imobiliário. No dia 9, corretores da Lopes e da Brasil Brokers disputavam os potenciais clientes que passavam pelas ruas dos Jardins, amontoando-se nas calçadas do bairro munidos de panfletos e bandeiras promocionais.

Neste fim de semana, ao menos sete incorporadoras realizam ações de desconto (mais informações na tabela abaixo), e outra marcou o início de um evento a partir do dia 28. Esse movimento do mercado não é necessariamente um sinônimo de desespero das empresas, na avaliação de profissionais do setor.

“Em alguns casos, a incorporadora está sim enforcada, não realizou o negócio, e precisa vender de qualquer maneira. Em outros, ela realizou o seu negócio, tem um número pequeno de imóveis remanescentes e dá desconto para arrematar o estoque”, diz o coordenador do curso de pós-graduação em Negócios Imobiliários da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), Ricardo Gonçalves

Mesmo em um evento desse tipo, as companhias podem adotar estratégias distintas para os empreendimentos, de acordo com o desempenho de mercado dos seus produtos, segundo Gonçalves. “Eu perguntaria para o corretor quantos apartamentos já foram comercializados no prédio onde tenho interesse. Se quase tudo tiver sido vendido, provavelmente o incorporador só está reduzindo um pouco sua margem (de retorno) para esgotar as unidades.”

Pechinchar, independentemente da situação da incorporadora, é a dica do coordenador do laboratório de finanças do Insper, Michael Viriato. “Existe uma oferta que cresceu, e a demanda está caindo, por isso, agora é a vez do comprador.”

A reflexão e a informação são as maiores aliadas dos consumidores, na opinião dele. “A primeira coisa a se definir é a localização. Depois, a pessoa tem de saber qual é o tipo ideal de imóvel para ela e perguntar se a unidade está de acordo com o orçamento.” O especialista recomenda, ainda, que os consumidores avaliem se atendem às exigências das instituições financeiras e se são capazes de honrar as dívidas no longo prazo.

Decididos alguns pontos básicos, os potenciais compradores devem buscar referências de preços nas regiões, segundo Viriato. “Antes de ir ao evento, a pessoa tem de fazer uma pesquisa ampla de preços no bairro que quer morar. Ela pode procurar imóveis com dois ou três anos, que são novos.” A medida permite que os clientes possam avaliar se dos descontos anunciados nas ações promocionais são, de fato, vantajosos.

Nos eventos, o fundador da imobiliária Imovelbid, Tonico Dias, sugere quem os visitantes questionem também as empresas. “Eles podem pedir a tabela de preços do mês passado e perguntar qual foi o valor do imóvel no lançamento.” Antes da entrega das chaves, as incorporadoras reajustam as tabelas de valores de acordo com o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) e os sabores do mercado. “Algumas empresas fizeram reajustes maiores (do que a demanda suportava) e agora dão desconto sobre o valor máximo, chamando de promoção.”

Uma análise sobre 110 empreendimentos com unidades remanescentes anunciadas na Imovelbid, especializada nos bens em estoque, mostra que 40 ofereciam descontos. No entanto, apenas 97 unidades nesses empreendimentos tinham abatimento de preços. “É mais um chamariz. Se as empresas estivessem desesperadas para vender, elas dariam desconto para todos os imóveis.”

Direitos. De acordo com a supervisora de habitação da Fundação Procon-SP, Renata Reis, todas as empresas que realizarem promoções são obrigadas a especificar quantos produtos estão à disposição com descontos nos feirões. “Se ela não especificar a quantidade e o consumidor, ao chegar ao saldão, receber a notícia de que não há mais imóveis disponíveis, ele pode reclamar. Cabe fiscalização.”

Antes de fechar negócio, os clientes devem se certificar de que o imóvel ofertado não possui passivos, segundo Renata. Algumas unidades oferecidas nos saldões são fruto de distratos contratuais, ou seja, já pertenceram a alguém. Além disso, residenciais prontos podem ter dívidas de condomínio ou relativas ao Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU).

Se nenhum impedimento for identificado, a cautela deve ser um aliado dos consumidores, especialmente porque o assédio é grande nos eventos. O planejador financeiro familiar Augusto Saboya lembra que a compra de um imóvel – que envolve grandes quantias e, muitas vezes, anos de comprometimento – é inimiga dos impulsos.
“A pessoa tem de se questionar antes de tomar uma decisão dessas: é uma necessidade, um desejo ou uma oportunidade? Eu tenho reservas para fazer isso e não vou me sacrificar? Ou vou sacrificar o quê? Estou disposto a pagar prestações por anos?” Se o consumidor não estiver certo das suas escolhas, a dica do especialista é esperar: “As promoções são como os trens do metrô. Se perdemos um, logo passará outro”

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