Só unanimidade garante nova área de lazer
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Só unanimidade garante nova área de lazer

Claudio Marques

19 de maio de 2014 | 10h35

Quando o empresário Wagner Diegoli, de 50 anos, ainda integrava o conselho consultivo do condomínio onde reside, entre os anos de 2006 e 2007, ele participou de um projeto para uma grande mudança nas dependências do edifício – a implantação de áreas de lazer.

“O condomínio tem cinco torres, 240 unidades e muitas salas que não eram utilizadas. Decidimos planejar espaços, como brinquedoteca, salão de jogos e de festas, fitness, piscina, quadras, churrasqueira e playground, pensando no bem-estar dos moradores ”, conta.

Antes de apresentar o projeto aos residentes, os conselheiros elaboraram planejamento detalhado dos espaços, descrevendo as novas áreas, o tempo e o valor gasto com a obra. Diegoli conta que foi feito um memorial descritivo com todas as especificações e apresentado ao corpo diretivo do condomínio.

Sabendo que a aprovação deveria ser de 100% dos condôminos, o conselho decidiu realizar uma festa para apresentar aos moradores o projeto das novas áreas. “Movimentamos o condomínio por dez dias, para que todos entendessem o projeto e então abrimos a votação.”

Síndico conseguiu 100% de aprovação  (Rafael Arbex/Estadão)

Diegoli esclarece que os festejos eram voltados para as crianças, e com isso atraía adultos, permitindo que eles conhecessem a proposta e tirassem eventuais dúvidas.

“Sabendo da necessidade de ter 100% dos votos, discutimos na mesma assembleia as vagas de garagem. Garantimos unanimidade de aprovação e demos início as obras”, conta.

Como é uma obra muito grande, o prazo para finalização foi estipulado em 12 anos. Desde a aprovação, em 2007, Diegoli já atuou como síndico do condomínio e hoje não participa nem mais do conselho.

Atualmente, a empresa dele, que presta assessoria condominial para implantação, adequação e reformulação de áreas nos edifícios, é a contratada para dirigir as obras no local.

Entre as áreas já entregues estão: quadra, playground, dependência de funcionários, banheiros, depósito, brinquedoteca, salão de jogos e de festas infantil, fitness, bicicletário, expedição e sala de comercialização (sala alugada pelos condôminos para reuniões e atividades que não sejam de comércio).

Em fase de acabamento estão a biblioteca, a sala de estudos, o segundo bicicletário e depósito, sala de repouso, atelier, bar da piscina, sauna, a quadra e a piscina – únicos espaços de lazer que já estavam no condomínio e passam por reformas.

“Já finalizamos 60% da obra e os 40% restantes estão em fase de construção e de acabamento. Gastamos R$ 1 milhão por ano com as alterações”, diz.

DIFICULDADES. De acordo com o 1º vice-presidente da Associação dos Síndicos dos Condomínios Comerciais e Residenciais do Estado de S. Paulo (Assosindicos), Renato Tichauer, conseguir aprovação para realizar mudança de destinação de área no condomínio não é tarefa fácil.

“Muitos acham que podem realizar reformas, mudanças e criar novos espaços, mas é preciso saber que deve ter 100% de aprovação dos condôminos. E a dificuldade é justamente conseguir essa totalidade”, diz.

Ele conta que já viu muitas obras impugnadas por um único voto contrário. Por isso, ele diz que quem consegue é com um trabalho de articulação e planejamento e que a nova área deve ser um desejo de todos.

Antes de abrir a votação para criação do novo espaço, Tichauer diz que deve ser realizada uma assembleia extraordinária para discutir o assunto e esclarecer as dúvidas. “Outra dica é deixar a assembleia aberta para votação por mais de um dia para aumentar a adesão.”

Para o diretor de negócios da Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo (Aabic), Marco Dal Maso mudar a destinação de áreas comuns é um processo “difícil, mas que pode ser aprovado.”

Segundo Dal Maso, o conselho do condomínio deve criar uma comissão, elaborar um projeto com arquitetos e fazer a divulgação. “Como a preocupação é a aprovação de 100%, a discussão dos pontos principais é essencial para mostrar as vantagens para os moradores”, diz.

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