Tenda terá ‘fábrica de casas’ no 2º semestre, com meta de reduzir prazos e custos de construção

Unidade promete inovar construção no País com produção de paredes e vigas que serão apenas montadas nos terrenos; fábrica terá 18 mil metros quadrados e ficará na região de Campinas

Circe Bonatelli

13 de março de 2021 | 05h00

A Tenda vai inaugurar no segundo semestre sua fábrica de casas. A unidade promete uma disrupção no modelo de construção no Brasil, com a produção de vigas, pilares, paredes e outros elementos dentro da fábrica, que serão transportados apenas para os terrenos no momento da montagem, proporcionando redução de prazos e custos. A fábrica terá 18 mil metros quadrados e ficará em Jaguariúna, na região de Campinas, a 125 quilômetros da capital paulista.

A linha de produção foi desenhada pela sueca Randek, fabricante de equipamentos para a construção industrializada. O navio com a encomenda já chegou ao Porto de Itajaí (SC), e a expectativa é de início da instalação da unidade fabril no segundo trimestre. “Visitamos fabricantes em diversas partes do mundo para avaliar um projeto customizado, dentro das nossas necessidades”, conta o diretor financeiro e de relações com investidores da Tenda, Renan Sanches.

As moradias produzidas na nova fábrica serão baseadas no woodframe, método com uso intensivo de madeira, muito comum no Canadá, nos Estados Unidos e na Europa. Já no Brasil é um sistema pouquíssimo explorado. A principal referência é a paranaense Tecverde, uma construtech que já fez cerca de 5 mil unidades assim.

A madeira vem de reflorestamento e tem custo mais baixo que cimento e aço, que são os carros-chefes entre os insumos no modelo atual de produção. Mesmo assim, Sanches observa que o woodframe é muito mais do que uma “casa de madeira”. “A parede tem quatro camadas: madeira, gesso, placa cimentícia e camada antiumidade. É muito mais que madeira”, ressalta, acrescentando que elas atendem as especificações de conforto térmico, acústico e segurança.

Fase de testes

A Tenda conta com dois projetos-piloto com woodframe. Um deles fica em Leme (SP), em parceria com a Tecverde. Outro fica em Mogi das Cruzes (SP), feito sem parcerias. Um terceiro terá início em breve, também no interior paulista. “O foco dos empreendimentos é o aprendizado, não a velocidade das vendas. Mostramos o projeto às pessoas, avaliamos sua aceitação e testamos preços”, conta Sanches.

Com a inauguração da fábrica no radar, a construtora passará agora a acelerar a compra de terrenos para os futuros empreendimentos. A fábrica de Jaguariúna terá capacidade de produzir até 10 mil casas por ano, nível que a companhia pretende atingir até 2026. Os investimentos devem ficar na faixa de R$ 75 milhões a R$ 100 milhões por ano.

A Tenda não abandonará seu modelo tradicional de construção, com prédios de concreto erguidos por meio de formas de alumínio. Foram lançados 18 mil apartamentos assim em 2020, e há previsão de chegar a 30 mil por ano no médio a longo prazo. Ao todo, portanto, a Tenda vê espaço se para tornar no futuro uma construtora de 60 mil unidades por ano – metade concreto, metade madeira.

O analista do Credit Suisse, Daniel Gasparete, entende que faz sentido para a Tenda buscar métodos alternativos para ganhar mais eficiência na construção. “Como a empresa poderá garantir uma demanda estável para sua fábrica, ela tem muito a se beneficiar com a iniciativa”, afirma, em relatório do banco. Com o cenário de aumento nos custos de construção, a produtividade nos canteiros deve se tornar ainda relevante para as construtoras, acrescenta.

Gasparete pondera ainda que, embora o woodframe seja relativamente novo no Brasil, ele já superou diversas barreiras, como a criação de uma regulamentação específica e o desenvolvimento de uma cadeia de suprimentos

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