“Ter uma conta em nome do condomínio é mais confiável”

“Ter uma conta em nome do condomínio é mais confiável”

Para gestor, exclusividade é boa opção, desde que síndico tenha liberdade para movimentar o montante do prédio

Claudio Marques

21 de julho de 2014 | 12h31

O síndico profissional José Antônio Gralho administra dois condomínios em Guarulhos que trabalham com o sistema de conta individual. Um deles tem 28 casas e o outro três torres com 270 unidades.

“O conselho decidiu migrar da conta pool para a conta individual. Para eles, ter conta em nome do edifício é mais confiável, tem extrato em nome do condomínio, e a administradora não usará o dinheiro deles.”

Síndico dos conjuntos há dois anos, ele é o responsável por assinar cheques e fazer pagamentos, que chegam a R$ 54 mil mensais. “Para dar conta de tudo, vou ao condomínio duas vezes por semana, mas um funcionário meu vai lá dia sim, dia não, para saber se está tudo em ordem”, acrescenta.

A conta individual está em nome do condomínio. “É mais confiável, mas o edifício precisa dar 100% de autonomia para o síndico, que será responsável por toda a prestação de contas e pagamentos”, diz o síndico.

Outro lado. Síndico profissional de oito condomínios em São Paulo, Aldo Busuletti, de 51 anos, também administra cerca de 40 outros com sua empresa, Busuletti Síndicos e Associados. Quando o assunto é movimentação financeira, não vacila: “Eu prefiro a conta pool, por que centraliza os pagamentos e, mesmo assim permite que eu visualize cada condomínio.”

Busuletti. Empresa dá alternativa para cada preferência dos clientes (WERTHER SANTANA/ESTADÃO)

Segundo ele, a maior parte da sua carteira de clientes escolhe essa mesma opção, embora alguns ainda prefiram usar conta individual. “Muitos síndicos são resistentes porque não entendem como funciona”, diz.

Mesmo explicando que a conta coletiva é segurada, alguns gestores preferem não migrar. “Por isso trabalho também com a conta individual”, diz.

Busuletti diz ainda que é possível migrar. “O correto é fazer no último dia do mês, quando a movimentação fecha. O sistema é simples: encerra e insere o condomínio na pool, ou tira o prédio da pool e o síndico abre uma conta individual.”

“No caso da conta pool, a administradora faz a gestão da conta, mas o síndico, como responsável legal pelo condomínio, tem acesso para acompanhar.O síndico pode, e deve, acompanhar, ver o quanto tem e o que está sendo pago”, diz.

Misto. A gerente de relacionamento da Lello Condomínios, Angélica Arbex, conta que a administradora trabalha com um sistema chamado de central de arrecadação – segundo ela, uma evolução da conta pool.

“Chegamos a um modelo no qual, dentro de uma conta, há subcontas para cada condomínio, e os boletos são emitidos no nome do favorecido. Assim dá para saber quem é quem.”

Para Angélica, o sistema usado pela Lello há dois anos foi a melhor forma de gerenciar as receitas e despesas dos clientes. Ela diz ainda que os clientes da empresa não têm opção de mudar de modelo, já que a administradora trabalha apenas com o sistema central de arrecadação. “Se o condomínio quiser uma conta individual, precisará mudar de administradora”, diz.

“É importante que a empresa seja confiável”

Para o diretor de condomínios da Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo (Aabic), Omar Anauate, é importante que a administradora seja confiável. “Busque referências e informações comerciais, judiciais e fiscais antes da contratação. Visite a sede e verifique se ela é registrada em um órgão de classe.”

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Anaute diz que o contrato deve ser abrangente, incluindo a área financeira, de pessoal, contábil e o cotidiano do condomínio. “Em relação à conta, o ideal é que seja mista, a pool para despesas diárias e uma individual para aplicação do fundo de reserva.”

A advogada Renata Calixto Andrade, do Rayes & Fagundes Advogados Associados, esclarece que a escolha da administradora deve passar por aprovação em assembleia. Por sua vez, o modelo de conta é decisão do síndico. “Oriento a olhar os relatórios mensais e acompanhar a lisura da administradora, pedindo certidões negativas de débitos e ter uma conta com seguro”, diz.

A especialista informa que a administradora pode adotar qualquer modelo de conta, e o condomínio é quem deve escolher o melhor modelo. “Assim como as atividades, o modelo de conta deve estar no contrato”, diz.

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