Trajetória de alta de preços em Miami incentiva investidor

Trajetória de alta de preços em Miami incentiva investidor

Claudio Marques

30 de abril de 2013 | 16h08


 Crescimento. Nova expansão do mercado também criou opção de negócios na planta (Imagem: Divulgação)

GUSTAVO COLTRI

Se a baixa dos preços foi o mote da invasão brasileira no mercado imobiliário do sul da Flórida há três anos, agora o crescimento deles é o que motiva a compra de propriedades no destino norte-americano. E, cada vez mais, as aquisições ganham ares de investimento.

Regiões badaladas pelos incorporadores locais acumulam alta de mais de 20% nos valores desde o início do ano passado. De acordo com a consultora imobiliária Yara Gouveia, da Elite International Realty, o metro quadrado médio em Sunny Isles Beach, próximo à região de Aventura, a 20 quilômetros ao norte do centro de Miami, saltou de US$ 4,5 mil para US$ 5,5 mil nos últimos 12 meses. Já Brickell, ao sul e próximo de Downtown, teve no período aumento de aproximadamente 17%, passando dos US$ 3,5 mil médios para US$ 4,1 mil.

“As condições atuais e o ambiente para negócios nos EUA estão favoráveis a brasileiros. Os bancos estão com liquidez e interessados em financiar estrangeiros, com 35% de entrada e juros de 4% ao ano. Outro atrativo é o processo de compra, bastante transparente e fácil.”

Mesmo considerando os efeitos da variação, o preço dos imóveis em Miami, segundo Yara, ainda está 40% abaixo do verificado em 2007, um ano antes dos estouro da bolha imobiliária nos Estados Unidos.

“Passamos daquela fase da crise. E, no ano passado, os empreendedores começaram a lançar novos empreendimentos”, diz Chris Brooks, sócia-diretora da imobiliária Chris Brooks. Para ela, a subida nos valores do metro quadrado ofertado no sul da Flórida acompanha a recuperação da economia americana e cria condições para quem quer aproveitar este novo momento de expansão.

“Eu diria que o brasileiro ainda é um dos principais compradores de Miami, mas hoje há também um perfil diferente: o investidor.” Há, segundo Chris, tanto consumidores de imóveis prontos, interessados nas rendas de aluguel, quando de unidades na planta, ávidos pelos retornos da revenda dos bens após a construção.

Os negócios imobiliários nos Estados Unidos apresentam-se ainda como uma alternativa de fuga para poupadores brasileiros frente às instabilidades econômicas enfrentadas atualmente no País, na opinião da diretora da área internacional da Coelho da Fonseca, Gabriela Duva.


Marina Palms. Apartamento de R$ 196 m¹ é vendido por US$ 666 mil (Imagem: Divulgação) 

“O cliente quer diversificar. Ele compra em dólar e conta com a valorização do imóvel”, afirma. Por aqui, a alta de 1,94% da inflação oficial acumulada no primeiro trimestre superou a rentabilidade da maior parte das aplicações financeiras, caso, por exemplo, da renda fixa e da caderneta de poupança.

Para a CEO da consultoria Hibou Monitoramento de Mercado e Consumo, Ligia Mello, o bom momento para aquisições no sul da Flórida, deve perdurar por todo o ano até se estabilizar em novos patamares, mais elevados, a partir de 2014. “O juro nos EUA está muito mais baixo do que no Brasil. E como está havendo a valorização, o comprador sabe que terá um valor muito maior no futuro”, diz

Oferta. As opções disponíveis em Miami custam a partir de US$ 200 mil, segundo Yara. No entanto, em regiões como Brickell, uma unidade de dois dormitórios custaria pelo menos o dobro, e, em Aventura, um apartamento usado de mesma tipologia seria vendido por ao menos 50% a mais do que o valor piso.

Os imóveis de alto padrão também são muito procurados pelos brasileiros e oferecem boas oportunidades. Um apartamento de 196 m² no lançamento Marina Palms, próximo a Aventura, está avaliado em US$ 666 mil. Além disso, há opções em regiões em desenvolvimento como Hollywood Miami, Midtown e Design District.

VEJA TAMBÉM

Aluguel é objetivo de quase um terço dos compradores brasileiros em Miami

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: