Unidades lançadas caem 36,7% no primeiro semestre de 2012

Unidades lançadas caem 36,7% no primeiro semestre de 2012

Claudio Marques

22 de julho de 2012 | 09h16

GUSTAVO COLTRI

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O número de unidades residenciais lançadas até junho na cidade de São Paulo caiu 36,76% na comparação com o primeiro semestre de 2011, de acordo com dados da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp). já o preço do metro quadrado na capital paulista ficou 15,67% mais alto no período.

Ao todo, 8.924 novas unidades foram apresentadas ao mercado até junho. A região que mais recebeu residências foi a zona sul, com 3.296 imóveis. A área, porém, apresentou variação negativa de 49,73% frente aos seis primeiros meses do ano passado.

As zonas leste e oeste também tiveram forte queda, com recuos de 46,61% e 49,76%, respectivamente. Em números absolutos, contudo, a região leste é a segunda da cidade em atração de lançamentos, com 2.625 unidades. A zona oeste, por outro lado, caiu para a quarta posição na capital, com 724 imóveis contabilizados.

Apenas as regiões central, com 461 imóveis, e norte, com 1.818, apresentaram crescimento frente a 2011. O desempenho na zona norte é 80,90% superior ao do ano passado, e o do centro chega a ser 140,10% maior.

Os empreendimentos com dois dormitórios foram os únicos, entre todas as tipologias, a aumentar em número, embora o total de unidades tenha caído – de 5.661 para 4.776. Elas ficaram também 5,58% mais caras do que eram no ano passado.

A maior queda no número de residências ficou por conta dos imóveis com até um dormitório, que passaram de 2,1 mil para 687 – uma redução de 67,47%. Porém, a distribuição deles confirma a tendência de descentralização na cidade, como mencionou o Estado na edição do último domingo, dia 15 de julho. Um pouco menos acentuado, o recuo nos três dormitórios foi de 53,30%. As unidades dessa tipologia também ficaram em média 6 m² maiores.

Em preços, os imóveis de um dormitório tiveram a maior variação no primeiro semestre. Avaliados em mais de R$ 10,1 mil por metro quadrado, custam 28,30% mais do que os lançamentos em igual período de 2011. Já as unidades de quatro dormitórios tiveram o preço da metragem elevado em 21,39%. Elas ficaram maiores este ano, mas diminuíram 297 em número frente aos 2.112 novos imóveis do ano passado na cidade.

Para o diretor da Embraesp, Luiz Paulo Pompéia, a menor quantidade de unidades surpreendeu. “Era previsto, mas não com tanta intensidade. Produzimos muito nos anos 10 e 11, e o mercado não consegue absorver as unidades em dois anos.” Pompéia diz que o desempenho do setor é cíclico: “E 2012 é o primeiro ano da queda. Mesmo com o aumento no segundo semestre, deverá haver redução de 30% em relação ao ano passado”.

Neste cenário, ele considera distorcida a elevação de 15% nos preços e prevê uma pequena redução de valores nos próximos meses. “Entendo isso como os empreendedores tendo uma leitura errada do mercado. Eles estão se desconectando da realidade. Alguns dizem: ‘Eu lanço e continuo vendendo’. Mas muita gente reclama de que a velocidade de venda está caindo.”

O vice-presidente de vendas da imobiliária Abyara Brasil Brokers, Bruno Vivanco, vê com mais tranquilidade a atual conjuntura. “Isso diz respeito à aprovação (de projetos). Este ano é eleitoral e todo mundo sabe o que houve na Prefeitura. Alguns empreendimentos de 2011 ficaram para este ano, por exemplo.” O aumento de preços, segundo ele, reflete a elevação de valores no processo produtivo do setor. “O incorporador compra o terreno mais caro. O cimento aumentou, o salário do pedreiro aumentou. Se o preço não ficar maior, a conta não fecha.”

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