No Pacaembu, imóvel residencial de grife abusa de formas e transparências

Claudio Marques

09 de novembro de 2013 | 00h21

 

GUSTAVO COLTRI

Desde que procurou uma imobiliária para vender sua casa, há um mês, Marta Cristina Pires, de 45 anos, sabia que nem todo mundo teria gosto ou ousadia para aceitar o conceito de sua propriedade, destoante no Pacaembu. Ela vive com a família em um imóvel brutalista projetado por Joaquim Guedes, um dos mais importantes arquitetos modernos de São Paulo. É um dos exemplos do que pode ser encontrado no mercado imobiliário paulistano.

Sobram peças de concreto aparente nas arestas da casa, cercadas por enormes paredes brancas geometricamente cortadas ou grandes vidraças. Do lado de fora, a edificação até parece um prédio público com pitadas de elegância, ao lado de um conjunto de árvores altas. É da porta para dentro que o projeto, terminado em 1961, mostra porque ainda merece atenção como uma obra bela e atual.

Os visitantes entram na casa pelo segundo de seus três andares, todos acima da terra graças a um desnível considerável no terreno. Os pisos são ligados uns aos outros por rampas parcialmente suspensas ou escadas de concreto aparente encaixadas em um complexo sistema que se estende do solo ao teto da edificação, com vãos de até oito metros de altura.

“Meu filho já me perguntou se podíamos pintar de branco essas partes porque os amigos da escola diziam que ele morava em uma casa inacabada”, conta com bom humor Marta, sentada em um sofá da sala de estar, no andar mais baixo da casa.

Na área social, o chão cinzento de ardósia contrasta com a vista que os moradores têm para o jardim no externo, através de duas imensas paredes de vidros belgas que substituem totalmente a alvenaria. Do sofá, é possível ver os troncos das árvores que fazem sombra para casa, dispostos de forma esparsa ao lado de alguns arbustos – um projeto paisagístico de Eliane Guedes, mulher do arquiteto.

“É como se morássemos no campo de segunda a segunda”, diz Marta, que se mudou para a casa há três anos, depois de realizar intervenções no imóvel. Os sistemas elétrico e hidráulico foram modernizados e parte da lavanderia foi agregada à área social, ligando o novo espaço a uma sala de TV e a uma cozinha americana.
Para que as mudanças não descaracterizassem a obra, foram supervisionadas pelo filho do autor no projeto, o arquiteto Chico Guedes.

Alguns elementos em madeira surpreendem entre as paredes brancas, o concreto e os vidros, tornando a casa aconchegante em seus 539m². Várias das portas deixam à mostra os desenhos de troncos de árvores, e os pisos das escadas e nos andares superiores, de uso íntimo, são revestidos de tábuas.

O segundo piso, suspenso a partir de uma das paredes, cobre parte da sala de estar, diante de uma das paredes de vidro. O escritório da família, com uma mesa de trabalho e uma larga estante de livros, além de uma bancada, situa-se neste andar.

Os quatro dormitórios – dois deles suítes – estão no último andar e contam com varandas amplas que deixam os moradores na direção dos primeiros ramos verdes. No chão das sacadas, azulejos originais, azuis, colorem o ambiente.
Também no terceiro andar, o teto à vezes surpreende com claraboias que provêm de luz natural os cômodos, inclusive os banheiros. “Dá para tomar banho olhando para a copa das árvores”, conta Marta, olhando para o céu e as folhas do lado de fora.

Ela lamenta ter de deixar o imóvel e só venderá a propriedade porque vai se mudar para o exterior. Mas não abrirá mão do que tem por pouco: a casa está no mercado por R$ 7 milhões (www.axpe.com.br). “Temos muito carinho por esse lugar.”

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