Vilas fechadas são vistas como alternativa barata a condomínios
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Vilas fechadas são vistas como alternativa barata a condomínios

Número de vilas cai 23% em São Paulo, mas modalidade continua atraindo moradores por segurança e tranquilidade

Isaac de Oliveira

12 de janeiro de 2020 | 06h00

Especial para o Estado

Quando saiu na hora do almoço para visitar um imóvel, a publicitária Rose Sousa, de 39 anos, não esperava encontrar um lugar sossegado no meio do Itaim Bibi – movimentado pólo econômico de São Paulo. Selada por um portão, a Rua Oscar Pereira da Silva é uma das 412 vilas fechadas da capital paulista, conforme levantamento da Secretaria Municipal das Subprefeituras.

“Achei o apartamento e disse: ‘Eu quero morar nessa rua’. Pela tranquilidade e por me dar sensação de mais segurança. Tem a portaria na entrada da rua, fora a do prédio. Para mim, vila já é sinônimo de coisa familiar, mais tranquila”, avalia Rose, que vive no lugar há mais de dois anos.

A vila em questão é formada por quatro prédios e três casas. Zelador e porteiro em um dos edifícios, o piauiense João de Deus Visgueira, de 63 anos, trabalha e mora no mesmo lugar há mais de 25 anos. Além da tranquilidade, ele também aponta que não há muitos conflitos e que boa parte dos moradores se conhecem.

A publicitária Rose Sousa mora em uma vila no Itaim Bibi há mais de dois anos. Foto: Alex Silva/Estadão

Fim de tarde, por exemplo, é o horário de pico de passeio de crianças e pets. Foi lá, inclusive, que João criou os dois filhos, hoje adultos. Se precisar deixar do lugar, o zelador já se ressente de saudades. “No dia em que eu sair do prédio, eu vou sentir falta. Eu gosto muito de morar aqui”, diz.

O número de ruas fechadas por portões ou cancelas diminuiu 23,6%, em relação ao início de 2018, quando havia 539 vilas fechadas na capital paulista, de acordo com a Secretaria das Subprefeituras. A pasta explica que a redução pode ter ocorrido pela reabertura de algumas ruas, em decorrência de fiscalização ou a pedido de moradores.

A fiscalização da Prefeitura segue a lei municipal nº 16.439, de 2016, que dispõe sobre a restrição à circulação em vilas, ruas sem saída e ruas sem impacto no trânsito local. Com o dispositivo, ficou permitido o uso de portões, cancelas ou equipamentos similares, desde que não seja impedida a visualização do interior desses espaços.

Além disso, para quem deseja selar a rua, o processo de fechamento dura de 45 a 60 dias, e é necessário que no mínimo 70% dos moradores estejam de acordo.

Custos menores

Motivos mencionados não só por quem mora, a segurança e a tranquilidade também são fatores positivos elencados por quem trabalha no mercado imobiliário. A economista do Grupo Zap Deborah Seabra afirma que imóveis de vilas estão ganhando proeminência em São Paulo e que, a depender da situação, podem ter preços mais atrativos em relação a alguns tipos de empreendimentos de mesmo padrão.

“Você consegue misturar um pouco da segurança que um condomínio oferece com o fato de você viver a cidade, que é morar na rua”, diz. “E é uma opção mais barata do que morar em condomínio, porque você não conta com toda a infraestrutura que um condomínio tem, desde opções de lazer até a própria manutenção”, complementa.

A economista ainda explica que a falta de itens ou da cobrança de taxa condominial, por exemplo, reduzem o valor de venda ou aluguel. Outro ponto que alivia o bolso se deve ao fato de que as casas em vilas costumam ser geminadas, característica que impacta na privacidade dos moradores e, consequentemente, no preço.

Ainda que nas vilas a figura do síndico não seja uma constante, em geral há uma organização entre moradores para lidarem com as questões da rua. Em uma vila localizada à Rua Dona Marta, na Barra Funda, o chaveiro Cláudio Gonçalves, de 42 anos, assume o que mais próximo chega da função sindical. Orgulhoso, ele diz que cuida do local como o seu “quintal comunitário”. Lá, já plantou árvores e trata de questões como limpeza e consertos.

“Não tem taxa mensal. Eu queria que tivesse, porque não precisaria ficar pedindo ajuda. Se acontecer alguma coisa e eu não tiver dinheiro na hora, eu aciono o pessoal. Se não tiver também, eu vejo o que faço. Mas, na maioria das vezes, são poucos que ajudam”, reclama Cláudio.

João Teodoro da Silva, presidente do Conselho Federal de Corretores de Imóveis (sistema Cofeci-Creci) esclarece que, ainda que não haja uma despesa formal, como uma taxa de condomínio, os moradores de vila costumam se articular para definir uma espécie de tarifa a ser paga para manter despesas, como segurança, manutenção de portão ou cancela, entre outros.

“Sempre haverá algum dispêndio, mas nessas circunstâncias (da vila) é um valor bem menor do que uma taxa condominial convencional, de um local que foi construído sob a forma de condomínio fechado. E isso (baixo custo) obviamente atrai mais, com toda certeza”, pontua.

Prós e contras das vilas

Custos

Taxa condominial oficialmente não existe, mas moradores em geral fazem rateio mensal para cobrir despesas em comum, como porteiro e energia

Vizinhos

Como em geral as casas de vila são geminadas, é comum a reclamação de falta de privacidade. Mas clima familiar é visto como ponto alto

Segurança

Vilas fechadas com cancelas trazem mais sensação de segurança, porém o fechamento da rua deve ser, por lei, aprovado por 70% dos moradores

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