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5 perguntas para a Anatel sobre o 9º dígito

Nayara Fraga

26 de julho de 2012 | 07h00

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O acréscimo do nono dígito nos celulares de São Paulo e de mais 63 cidades em seu entorno está sendo feito para aumentar a oferta de novos números. Na área de código 11, há 42 milhões de linhas de telefone móvel atualmente — o limite é de 44 milhões. A medida, para a Associação de Engenheiros de Telecomunicações (AET), resolve o problema da criação de linhas, mas encoberta outras questões. Veja algumas delas abaixo:

1 – Por que aumentar um dígito no número local e não criar uma nova área tarifária (por exemplo, 10) para as cidades do entorno de São Paulo que hoje são 11? Ou: não seria mais fácil colocar Jundiaí, que tem código 11, na área de Campinas, 19?

O presidente da AET, Ruy Bottesi, acha que essa seria uma saída mais viável para conseguir atender a demanda por novas linhas. “A propósito, o que vão fazer com o 10?” Essa reflexão, no entanto, parece ter ficado para trás. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) lembra que colocou em consulta pública, aberta à sociedade, o problema do iminente esgotamento da numeração na telefonia móvel há dois anos. O resultado da consulta, na qual houve a hipótese da criação da área 10, foi que era mais simples para o usuário assimilar o nono dígito no número local.

2 – Grande parte das máquina de cartão de crédito funciona com chip, como um celular. Elas são usadas por estabelecimentos comerciais e até pessoas físicas. Não ajudaria a evitar o nono dígito se fosse usada outra tecnologia no pagamento com cartão de crédito?

Hoje, há 4 milhões de máquinas de cartão de crédito no País, segundo a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs). Cerca de 35% delas (ou 1,4 milhão) usam linhas telefônicas móveis — ou seja, funcionam como celulares (lembre-se do entregador de pizza que leva a máquina até sua casa). Essa porcentagem está em crescimento, como lembra a entidade. No ponto de vista da Anatel, esse ainda é um problema pouco representativo dentro de um universo de mais de 200 milhões de celulares no Brasil. O gerente de interconexão da Anatel, Adeilson Nacimento, disse que a agência optou por resolver isso depois. Discute-se, segundo ele, o uso de um código não-geográfico (do tipo 800; 300), o qual não se vincula a uma região específica, nessas máquinas. A mesma reflexão vale para modems de banda larga e rastreadores de veículos. Espera-se também que a telefonia de quarta geração (4G) ofereça alguma solução.

3 – As tarifas cobradas para ligar de uma operadora para a outra são caras, o que faz muita gente ter até quatro chips: um para falar de graça com quem é TIM, outro para Vivo e assim por diante. Se as tarifas fossem mais baratas, isso excluiria a necessidade de haver mais linhas de telefone celular?

Sim. Mas a avaliação do gerente da Anatel é que as ligações, até as que antes não tinham custo, passariam a ser cobradas de alguma forma — o que tiraria do consumidor o privilégio de nada pagar para fazer chamadas dentro da rede da operadora. De qualquer forma, ele afirma que as tarifas de interconexão (de uma operadora para outra) merecem atenção e que a agência tem feito intervenções com o objetivo de baixar os preços.

4 – Quando o nono dígito passar a valer, quem ligar para um celular da região 11 de São Paulo e não colocar o nove à frente do número local ouvirá uma mensagem com o lembrete de que o novo dígito está faltando. Mas e se boa parte das pessoas se esquecer da novidade? A gravação automática com o lembrete funcionará em todos os casos?

A Anatel explica que as interceptações telefônicas (quando entra a gravação com o lembrete do nono dígito) serão adotadas gradualmente. Até 7 de agosto, quem discar oito dígitos conseguirá ter a ligação completada normalmente. A partir do dia 8, começa a interceptação. Ela começa com as chamadas de longa distância, quando alguém de outro Estado ligar para um celular de São Paulo, e termina com as chamadas dentro do Estado. A operadora pode optar por completar a ligação para o cliente ou não até 16 de setembro. No dia 15 de janeiro de 2013, os números de oito dígitos deixam de existir.

5 – Estima-se que o custo para implantação do nono dígito seja de R$ 300 milhões. Como esse dinheiro está sendo gasto?

Esse número foi uma estimativa das operadoras para o gasto que elas teriam para acrescentar o nono dígito aos número de celulares, o que inclui desde as despesas com a atualização da rede até os sistemas de suporte à prestação de serviço ao cliente. A Anatel estima que esse valor será ultrapassado.

Você tem alguma dúvida em relação ao acréscimo do nono dígito nos celulares da área 11? Deixe seu comentário abaixo.


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