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Abrir capital será bom para o Facebook?

Nayara Fraga

23 de março de 2012 | 07h30

::DEBATE: OS PRÓS E OS CONTRAS DO IPO::

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Ilustração na Wired. ‘Não estranhe se o riso for forçado’ 


FELIX SALMON: É PRECISO MATAR O VÍCIO DO IPO

No momento em que o Facebook está prestes a abrir capital, uma discussão na imprensa especializada em tecnologia coloca em xeque o modelo de IPO (oferta pública inicial de ações, na sigla em inglês) adotado no mercado financeiro. A posição de Mark Zuckerberg, o presidente e CEO do Facebook, seria, para a Wired, o retrato da problemática relação atual das empresas com o mercado de ações.

“Quando o jovem empreendedor de tecnologia mais bem sucedido do mundo faz tudo que está em seu poder para minimizar o impacto da posse pública (consequência da entrada na bolsa de valores), isso torna uma coisa clara: o modelo de IPO está quebrado”, diz Felix Salmon, blogueiro da Reuters que assina a matéria e, como considerado por alguns, rei dos blogueiros na área financeira.

Salmon soma-se ao coro de jornalistas que enxergam em Zuckerberg uma nítida vontade de se manter longe dos assuntos relativos à venda de ações na Bolsa. (De fato, o presidente da rede social já deixou de ir ao primeiro encontro da companhia com analistas de banco.) Dividir a empresa com outros acionistas no mercado aberto, então, seria mais uma obediência à SEC (órgão que regula as bolsas de valores americanas) do que uma vontade do jovem que, aos 22 anos de idade, criou um site que valerá mais que General Motors, New York Times Company e Sprint Nextel juntos, lembra Salmon.

Em sua reportagem, carregada de um tom extremamente opinativo, o jornalista coloca o IPO como um acontecimento bom para os empregados e investidores de uma companhia, mas ruim para a companhia. “Ele força CEOs a se concentrarem nas flutuações de curto prazo das ações em detrimento do crescimento de longo prazo. Ele arranca o controle das mãos dos fundadores e o dá para milhares de acionistas anônimos”, diz Salmon.

Para ele, é preciso matar o vício sem sentido do IPO na área de tecnologia. Embora vantajosa para companhias bem sucedidas, a abertura de capital poderia ser, para as pequenas, um caminho em direção à morte. O Facebook, como pertence à primeira categoria, deve sobreviver, diz a revista.

E aí estaria, para Salmon, um dos principais problemas do mercado de capitais da atualidade — quando a empresa está preparada para ser listada em Bolsa, ela já nem precisa mais de dinheiro (caso do Google, que fez o IPO em 2004). Além disso, os critérios da SEC estão mais rígidos e os investidores que se expõem ao risco (os chamados venture capitalists) não querem saber de empresas que não tenham histórico de lucro estável, segundo o jornalista.

Aliás, para Salmon, os investidores não querem saber de nada depois de ganhar o dinheiro esperado. “Venture capitalists e anjos podem falar sobre mudar o mundo, mas o modelo de negócios deles se baseia num cálculo prosaico: comprar a um baixo preço, vender a um maior”, diz. Ele explica que o investidor tem até 10 anos, contados a partir do primeiro aporte, para vender toda a sua parte na companhia. “Depois disso, não importa para eles se a empresa sobrevive um ano ou um século”.

Como alternativa ao IPO, ele sugere:
1 – vender as ações em mercados que negociam os papéis de empresas de capital fechado na internet (onde os preços sobem de acordo com as projeções da companhia, e não especulações, segundo ele)
2 – evitar o dinheiro de venture capitalists e se financiar sozinho (já que as empresas que mais crescem nos Estados Unidos nunca receberam aportes)
3 – mudança de atitude na indústria de tecnologia (pois a empresa que diz a investidores nunca querer fazer IPO está condenada à irrelevância)

GOBRY: EMPRESA INOVADORA PRECISA DE IPO

A visão extrema de Salmon ganhou um forte contraponto no site de tecnologia Business Insider. Em um extenso texto intitulado “Desculpe, Felix Salmon, mas você está errado sobre os IPOs de tecnologia”, Pascal Emmanuel Gobry, analista da consultoria Business Insider Intelligence, diz que Salmon não entende o empreendedorismo inovador no ramo da tecnologia nem o papel dos investidores.

Ele concorda com a estatística encontrada por Salmon de que a maioria das empresas financiadas por venture capitalists vão à falência. Mas sugere que essas companhias talvez fracassem mais que outras porque se arriscam mais, algo não mencionado na Wired. “(…) o tipo de empresa que apresenta risco (e mais recompensa) são as que precisarão de apoio dos investidores”.

Salmon também reflete sobre um estudo comentado na revista que revela que as empresas que mais crescem em termos de receita nos Estados Unidos não são financiadas por investidores. Trata-se, para Gobry, de companhias de quem nunca ouvimos falar. “(…) mas quando você pega empresas que mudam o mundo, aquelas que criaram novos mercados e mudaram os existentes com produtos radicalmente inovadores, quase todas são financiadas por venture capital”.

Para Gobry, companhias inovadoras precisam, sim, de dinheiro vindo de investidores e também de IPO. O analista do BI também condena as alternativas ao IPO dadas por Salmon: “A respeito dos mercados que negociam papéis de empresas fechadas e permitiem transações independentemente das tendências globais — por favor”.

“Os argumentos de Felix se resumem a isso: ‘O IPO é ruim para as empresas de tecnologia. Portanto, nós precisamos substitui-lo com alguma coisa que é exatamente igual ao IPO, mas não o chamemos de IPO’”, diz Gobry.

Salmon responde o analista do BI em seu blog na Reuters. Menciona mais dados que fortalecem o ponto de vista do artigo da Wired, concorda e discorda de Gobry. “Gobry acredita que eu quero que seja difícil para as companhias abrir capital; isso não é verdade de maneira alguma. Uma das principais coisas das quais eu reclamo no meu texto é que é muito difícil abrir capital, o que fez o papel de injetar recursos em companhias iniciantes ser tomado pela indústria dos venture capitalists”, afirma Salmon.

Veja a matéria da Wired na íntegra aqui.
Veja a matéria do Business Insider aqui.
Veja o post de resposta de Felix Salmon ao BI aqui.


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