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Agora “gente grande”, Brasil é alvo de hackers

Nayara Fraga

29 de junho de 2011 | 13h26

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Protesto? Site do IBGE foi um dos hackeados durante a recente onda de ataques

Depois dos ataques de hackers a sites de diversos países, em um curto espaço de tempo, um alerta se acendeu em torno da segurança virtual. Só no Brasil, cerca de duzentas páginas de internet relacionadas ao governo e a prefeituras foram atacadas nas últimas semanas. Mas por que um cenário antes tão recorrente e característico do exterior agora é parte da realidade brasileira?

Para o professor da Escola Politécnica da USP Marcelo Vuffo, a explicação está na importância que o País vem adquirindo no cenário internacional. “O Brasil está ficando gente grande. A partir do momento em que o País começa a emergir como potência econômica, ele passa a ser alvo de grupos internacionais (LulzSec, por exemplo)”.

Um dos ataques mais críticos envolveu os sites “presidencia.gov.br” e “brasil.gov.br” em 22 de junho. Segundo levantamento feito pelo Serviço Federal de Processamento de Dados (SERPRO), apenas entre 0h30 e 3h foram registrados 2 bilhões de acessos, o que congestionou o site e o deixou indisponível por 40 minutos.

Trata-se, nesse caso, de ataque por meio da negação de serviço (Denial of Service, em inglês), que consiste basicamente em bombardear um site com volume muito grande de acessos até derrubá-lo. Marcelo Vuffo explica que dezenas de milhares de computadores são hackeados em diversas partes do mundo e sincronizados para atacar um endereço específico. Assim, não proteger o computador pessoal significa que ele pode ser usado em ataque semelhante, se comportando como um zumbi e obedecendo ao comando de hackers. “Você deixou seu computador ligado em casa?”, pergunta Vuffo, em referência ao cuidado permanente que o usuário deve ter.

Oportunidade. Em meio a esse cenário, empresas de segurança virtual começam a enxergar momento oportuno para a expansão dos negócios. O diretor-geral da empresa de segurança virtual Sourcefire no Brasil, Raphael D´ávila, diz que com a onda de ataques a procura pelo serviço aumentou. “Passamos muito tempo sem uma demanda tão grande igual a de agora”, afirma.

No País desde 2010, a companhia cuida da segurança de sistemas de bancos, empresas de telecomunicação, governo, instituições de ensino e indústrias. Sua expectativa é dobrar o número de clientes, hoje em 30, até o fim deste ano.

Prevenção. Nos Estados Unidos, um estudo divulgado nesta semana pelo laboratório Mitre e o Sans Institute apontou que os mais avançados ataques de hackers do último ano se valeram de falhas de softwares que poderiam ser prevenidas com teste sólido e revisão dos processos, informa o “Financial Times”. A pesquisa observa que a ação dos grupos LulzSec e Anonymous contra Sony Pictures, TV PBS e empresa de segurança em TI HBGary Federal ocorreu por meio de uma injeção de SQL, a qual se aproveita de uma falha no sistema para acessar dados protegidos e pode ser corrigida a um baixo custo.

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