Brastemp lança máquina doméstica de bebidas em cápsulas
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Brastemp lança máquina doméstica de bebidas em cápsulas

Nova tecnologia, semelhante à das máquinas de café, concorre com refrigerantes e sucos em garrafas, caixinhas ou latas

Mariana Congo

26 de agosto de 2014 | 12h27

Brastemp vai lançar a B.blend primeiro no Brasil (Foto: Divulgação)

A Brastemp apresentou nesta terça-feira, 26, sua primeira máquina de bebidas por demanda, chamada B.blend. A máquina faz 10 categorias bebidas quentes e frias, com gás ou sem, com cápsulas semelhantes às de máquinas de café.

“Acabou a ditadura da caixinha e da garrafa”, afirma o presidente da Whirlpool América Latina, João Carlos Brega. A Brastemp diz que, com o novo produto, quer revolucionar o mercado de bebidas com foco na individualidade e na mudança de perfil das famílias. A Whirlpool é dona da marca Brastemp.

Por enquanto, são 24 cápsulas disponíveis para bebidas como sucos, refrigerantes, chás, energéticos, cafés e chocolates. As cápsulas terão esquema de distribuição para entrega na casa do consumidor, seguindo a tendência do mercado de eletrodomésticos ofertar de serviços.

A Brastemp vai firmar parcerias com fornecedores de bebidas para criar um portfólio de cápsulas com diversas marcas – conhecidas ou novas. “Existe uma tendência muito grande de produtos voltados para a  saúde. Com isso vêm os produtos detox, marcas 100% fruta, bebidas nutricionais. Estamos abertos a trabalhar com diversas marcas”, diz Fernando Yunes, diretor sênior de novos negócios da Whirlpool América Latina.

A cápsula feita com suco natural, por exemplo, é recheada com fruta desidratada em pó. Sem a água, cada cápsula têm um quinto do tamanho da bebida. Com essa economia de espaço, a empresa pretende promover uma revolução na cadeia de fornecedores e na vida dos consumidores.

Brasil. Os brasileiros serão os primeiros a provar a novidade e a promessa é de que as vendas comecem até o fim do ano. O Brasil é o segundo mercado da Whirlpool, atrás apenas dos Estados Unidos.

A máquina será fabricada na unidade da Whirlpool de Joinville.  A tecnologia será, depois, exportada para outras filiais, a começar pela América Latina.

Preços. A empresa não informou ainda os preços da máquina e das cápsulas, e também não descartou se vai adotar o modelo de assinatura, como no purificador de água. “Esse negócio não é de venda de máquina”, destacou o presidente da Whirlpool América Latina.

O serviço de assinatura de purificador de água da Brastemp custa a partir de R$ 49,90 por mês e inclui instalação, manutenção e reparos da máquina. O modelo foi lançado em 2003 e tem 110 mil assinantes residenciais e 60 mil empresariais.

Os desafios da Brastemp no negócio das cápsulas, no entanto, deverão ser grandes, na avaliação do especialista em alimentos e bebidas Adalberto Viviani. “Fazer refrigerante em casa é uma mudança de hábito muito grande”, diz. “Será preciso um argumento muito forte para convencer o consumidor de que vale a pena.”

Além disso, para Viviani, o sucesso que as máquinas de café fizeram entre os consumidores dificilmente deve ocorrer com máquinas que fazem diversos tipos de bebida. O especialista diz que a máquina de café ganhou essa notoriedade por ser um símbolo de status e levar para casa “a experiência de consumo daquele café especial consumido no restaurante”.

A máquina apresentada hoje é para uso residencial, mas também haverá modelo para uso comercial.

Foco nas cápsulas: ‘Esse negócio não é de venda de máquina’, diz o presidente da Whirlpool América Latina, João Carlos Brega (Foto: Divulgação)

Inovação. A B.blend é fruto de quatro anos de pesquisas de inovação realizadas no Brasil e de uma parceria estratégica com a empresa europeia Bevyz, que atua no segmento de bebidas e é responsável pela licença das cápsulas da B.blend. Segundo a Brastemp, a novidade exigiu 13 patentes nacionais e três de parceiros da Whirlpool.

Mercado. Com a B.blend, a Brastemp sai na frente na corrida de grandes empresas no mercado de bebidas em cápsulas, que começou com o café. Na passagem de 2012 para 2013, o consumo de café em cápsulas cresceu 46,5% no Brasil e chegou a 0,6% dos lares, segundo dados da empresa de pesquisa de mercado Nielsen. Nos Estados Unidos, a cápsula representa 25% do gasto dos domicílios com café.

Em fevereiro deste ano, a Coca-Cola pagou US$ 1,25 bilhão por 10% de participação na Green Mountain, empresa de produção de máquinas e cápsulas de café e outras bebidas quentes. Com o investimento, a expectativa é de que a Green Mountain apresente sua máquina de bebidas frias em cápsulas em outubro. A Coca-Cola não informou se a previsão de lançamento se mantém.

Eduardo Terra, sócio da BTR Consultoria, vê na estratégia da Brastemp e da Coca-Cola uma tentativa de levar à casa do consumidor a mesma experiência “premium” proporcionada pela Nespresso e outras máquinas. “Isso se soma aos preços altos nos supermercados e restaurantes, no Brasil, e a uma onda de consumo que busca alternativas à industrialização.”

Máquina para fazer sucos, refrigerantes e bebidas quentes em casa usa cápsulas (Foto: Mariana Congo/Estadão)

(Colaborou: Nayara Fraga)

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