Leilão de 4G arrecada 30% a menos que o esperado
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Leilão de 4G arrecada 30% a menos que o esperado

Governo arrecadou R$ 5,8 bilhões com o leilão de 4G, abaixo dos R$ 8,2 bilhões esperados; Claro, Tim e Vivo arremataram lotes nacionais, enquanto a Algar Telecom ficou com o lote regional

Mariana Congo

30 de setembro de 2014 | 11h21

Telefonia 4G: faixa de 700 MHz vai complementar a de 2,5 GHz, leiloada em junho de 2012 (Foto: Reuters)

Telefonia 4G: faixa de 700 MHz vai complementar a de 2,5 GHz, leiloada em junho de 2012 (Foto: Reuters)

As operadoras Claro, Tim e Vivo arremataram os três lotes de abrangência nacional do leilão de telefonia 4G na faixa de 700 megahertz (MHz), realizado nesta terça-feira, 30. A Algar Telecom ficou com o lote 5, de abrangência regional.

A expectativa do governo era de arrecadar até R$ 8,2 bilhões com a venda dos lotes de telefonia 4G. Essa estimativa considerava que os quatro principais lotes da licitação seriam arrematados, o que acabou não ocorrendo após a Oi ter desistido de participar do leilão.

O resultado ficou 30% abaixo do esperado, pois o leilão 4G arrecadou R$ 5,851 bilhões de reais hoje.  O ágio – valor pago acima do valor mínimo exigido no edital – foi de apenas 0,66%. Juntos, os lotes 1, 2, 3 e 5 tinham preço mínimo de R$ 5,813 bilhões.

O Ministério da Fazenda contava com a receita extraordinária do leilão de 4G para ajudar a fechar as contas públicas deste ano. A arrecadação efetiva do governo, no entanto, será ainda menor e vai cair para R$ 4,977 bilhões. Conforme explicou o presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), João Rezende, haverá um desconto de R$ 874,3 milhões, correspondente ao aumento do rateio das obrigações das teles com os radiodifusores devido ao fato de a Oi não ter participado do leilão.

A arrecadação abaixo do esperado do leilão de 4G vem no mesmo dia em que o governo divulgou o resultado das contas públicas para agosto, no qual registrou diversos recordes negativos.

Menos antenas. A faixa de 700 MHz vai complementar a de 2,5 giga-hertz (GHz), leiloada em junho de 2012, também para a tecnologia 4G. Enquanto a frequência de 2,5 GHz tem mais capacidade e raio de cobertura menor, a de 700 MHz tem abrangência maior e necessita de menos antenas, além de ser usada por diversos países, como os Estados Unidos e a Argentina.

Segundo a Anatel, com a utilização da faixa de 700 MHz, será possível levar telefonia móvel de quarta geração e internet em banda larga de alta capacidade às áreas rurais, a um custo operacional mais baixo, uma vez que essa faixa é ideal para a cobertura de grandes distâncias.

Leilão. O primeiro dos seis lotes foi arrematado pela operadora Claro, com uma proposta de R$ 1,947 bilhão. O valor apresentado pela empresa foi de 1% acima do mínimo definido no edital, de R$ 1,927 bilhão. Além da Claro, a Tim e a Vivo também apresentaram lances para o lote 1.

A Claro, que já tem cobertura 4G em 92 municípios, comemorou o resultado. “Atingimos o nosso objetivo com a aquisição da frequência que nos permitirá manter o compromisso com os nossos usuários em oferecer a melhor experiência em serviços de telecomunicações do País”, afirmou o presidente da Claro, Carlos Zenteno, em nota.

O segundo lote ficou com a Tim por R$ 1,947 bilhão, com ágio de 0,99%.  A Vivo também apresentou lance para o lote 2. Por ter vencido a disputa pelo primeiro lote, a Claro não podia apresentar proposta para o segundo.

“A frequência de 700 MHz será muito importante para a ampliação da rede de dados móveis no País oferecendo aos clientes uma qualidade de navegação ainda melhor na quarta geração, e permitindo que o serviço chegue a um maior número de usuários”, afirma  Rodrigo Abreu, presidente da Tim Brasil, em nota.

O terceiro lote foi arrematado pela Vivo por R$ 1.927 bilhão – preço mínimo. Claro e Tim, que venceram as disputas pelos lotes anteriores, não poderiam fazer propostas para o terceiro. 

“Com a aquisição de hoje, a Telefônica Vivo atinge seu objetivo de garantir o espectro necessário à expansão do serviço de 4G a médio e longo prazos, atendendo assim à crescente demanda por acesso móvel à web em alta velocidade”, afirmou em nota o presidente, Antonio Carlos Valente.

O lote 4 correspondente a todo o País, menos as áreas de concessão da Algar Telecom e da Sercomtel (Londrina-PR). O leilão do lote 4 não recebeu nenhuma proposta válida. Por isso, voltará na segunda fase do leilão, quando todas as empresas poderão voltar a dar lances.  O lote 6, que corresponde à área de concessão da Sercomtel, também voltará a ser ofertado na segunda fase da licitação.

De abrangência regional, o lote 5 foi arrematado pela Algar Telecom por R$ 29,567 milhões, apenas R$ 7 mil acima do preço mínimo. A região correspondente à área de concessão da própria empresa, que atua na região do Triângulo Mineiro. O lote 5 foi criado pela Anatel para que a companhia pudesse fornecer cobertura 4G aos seus clientes.

(Com informações da Agência Brasil e da Agência Estado)

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