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Encyclopaedia Britannica dá adeus ao papel e se distancia da enciclopédia

Nayara Fraga

14 de março de 2012 | 18h29

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Apesar de ter no nome a palavra enciclopédia, a Encyclopaedia Britannica está se distanciando cada vez mais dos livros que foram a principal fonte de pesquisa de estudantes antes dos anos 2000. Seus softwares educacionais respondem hoje por 85% da receita — o resto vem da venda das versões impressa e online da enciclopédia, conforme a imprensa internacional. E o faturamento proporcionado pelas coleções impressas, separadamente, seria apenas de 1% do total, segundo o Wall Street Journal.

De agora em diante, no entanto, não haverá qualquer receita originada da enciclopédia de papel. A empresa anunciou que, depois de 244 anos, deixará de publicar edições impressas. “Eu entendo que para alguns o fim das coleções impressas possa ser encarado como um indesejado adeus a um amigo querido, confiável e fidedigno (…)”, diz o presidente da Britannica, Jorge Cauz, no site da companhia, antecipando a extensa lamentação que correu a web hoje.

Ele explica que a perspectiva da companhia, “compartilhada por mais de 100 milhões de estudantes e pesquisadores que têm acesso ao britannica.com”, é de que, ao concentrar esforços nos serviços digitais, a enciclopédia pode atualizar continuamente seu conteúdo e ainda expandir os tópicos mais relevantes sem a restrição de tamanho imposta pelo papel.

“Na verdade, nossa base digital de dados é hoje muito maior do que o que nós poderíamos imprimir”, diz Cauz. E os verbetes e histórias, lembra ele, estão atualizados porque é possível revisá-los a qualquer momento, sempre que for necessário.

A decisão de acabar com a Britannica em papel foi encarada pelo mercado como uma fatalidade do mundo moderno. Afinal, a Wikipedia, a maior enciclopédia colaborativa da internet, desponta-se como principal fonte de pesquisa dos internautas.

Mas as queixas de quem tinha o costume de usá-la (e pegá-la) foram inevitáveis. “Eu lamento seu desaparecimento não só por causa da nostalgia, mas porque, mesmo reconhecendo a utilidade de procurar coisas na web, eu também sei o quão frágil é o tecido da web”, diz Steven Nichols, jornalista do site de tecnologia ZDnet.

Ele se refere à volatilidade dos textos na internet. “Qualquer palavra escrita na web é como se falada ao vento. Elas estão aqui um dia e vão embora no seguinte”, diz.

Luxo

Fundada em 1786 em Edimburgo, na Escócia, a Enciclopaedia Britannica é a mais antiga da língua inglesa. Com boa reputação, ela se tornou um item de luxo a US$ 1.395 comprado por embaixadas, bibliotecas, instituições de pesquisa e consumidores com alto nível de educação, lembra o New York Times.

O acesso online à enciclopédia custará US$ 70 por ano. Seu conteúdo estará completamente disponível durante uma semana, a partir de hoje.

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