As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Fundo vinculado ao Vale do Silício anuncia US$ 130 mi para startups brasileiras

Nayara Fraga

23 de julho de 2012 | 16h41

redpointeventures_yann_de_vries_anderson_thees_legenda.jpg

O interesse dos chamados “venture capitalists” (investidores que fazem aporte em empresas nascentes) pelo Brasil está ficando cada vez mais evidente. Além do grupo alemão Rocket Internet, que aposta na loja virtual de calçados Dafiti, e do Atomico, que anunciou chegada ao País em maio e tem como presidente o cofundador do Skype Niklas Zennström, agora é a vez de a Redpoint e.ventures mostrar seu apetite pelo mercado brasileiro.

Fruto da parceria entre os fundos Redpoint Ventures, de Menlo Park (Califórnia), e e.ventures, que nasceu na Califórnia mas tem filiais em Alemanha, Rússia, China e Japão, a joint venture anunciou nesta segunda-feira o lançamento de um fundo de US$ 130 milhões para investimento em jovens empresas de internet no Brasil. A intenção, de acordo com o sócio-fundador Anderson Thees, é trazer o estilo de investimento do Vale do Silício para o País, já que a empresa tem forte vínculo com a região onde nasceram empresas como Apple, Google e Facebook. “É o melhor sistema de apoio aos empreendedores”, disse, em conversa com jornalistas hoje em São Paulo.

Nesse modelo, explica ele, os empreendedores são inteiramente responsáveis pelo sucesso do negócio. Os investidores colaboram no dia a dia com contatos e ajudam em certas atividades, mas se colocam como minoritários no contrato firmado com os fundadores. Para Thees, que já trabalhou como vice-presidente de desenvolvimento de negócios no Buscapé e presidente do Apontador, quando os fundos pegam uma participação majoritária e a empresa cresce muito, o empreendedor se vê sem espaço e prefere sair para fazer outra coisa.

A estratégia da Redpoint e.ventures no Brasil é investir em empresas de internet que se voltam para o mercado consumidor. A empresa diz esperar construir um portfólio de 20 empresas e não descarta fazer aporte em países vizinhos — a preferência, no entanto, é por negócios que atuem de alguma forma no Brasil.

Cinco jovens companhias já receberam parte (não revelada) do fundo de US$ 130 milhões. São elas a holding de startups Xangô, a agência de turismo online Viajanet, a Shoes4you, que vende assinatura de sapatos, a Sophie & Juliete, que trabalha com venda direta de bijuterias finas, e a 55Social, que faz campanhas em redes sociais. Elas receberam o aporte ao longo do últimos três anos, uma operação que ajudou a joint venture a conseguir captar o resto do dinheiro e formar o fundo.

Como funciona o fundo

Um investimento do tipo venture capital é feito por fundos em empresas que já estão com o negócio em desenvolvimento e precisam de recurso para crescer e dar passos mais ousados, como financiar a aquisição de um concorrente. O aporte individual varia de R$ 2 milhões a R$ 10 milhões, e a relação com a empresa termina quando o fundo vende sua participação.

Por trás desses fundos há sempre uma classe profissional de investidores. No caso da Redpoint e.ventures, há seguradoras e fundos de universidade, por exemplo — todos estrangeiros. A função de quem gere o fundo, portanto, é convencer os investidores de que vale a pena o investimento e de que haverá bons ganhos no futuro. A expectativa, segundo Thees, é de que os US$ 130 milhões sejam investidos em cerca de quatro anos.

Globalmente, o Redpoint Ventures e o e.ventures têm, juntas, US$ 4 bilhões sob gestão e 180 empresas no portfólio — entre elas a locadora de filmes e séries online Netflix, o BranchOut (aplicativo para conexões profissionais no Facebook) e o site de compras coletivas Groupon.  Apenas em 2011, elas participaram de 7 IPOs (oferta pública inicial de ações) e 13 vendas de companhias. Ambas fazem parte do grupo de empresas de venture capital que mais entregam retorno para o investidor.

A companhia de investimento chega ao Brasil num momento em que fundos estrangeiros enxergam no País um mercado cheio de oportunidades. O Sequoia, que investe em empresas como Google, LinkedIn e Yahoo, pretende também abrir escritório em São Paulo, segundo reportagem de maio do New York Times.

“Atraem os estrangeiros a população grande, a economia, a indústria de serviços, de tecnologia da informação, a infraestrtura”, diz Clovis Meurer, presidente da Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital. “É natural e bom que isso esteja acontecendo. É mais dinheiro na economia mundial, o que gera emprego.”

Segundo levantamento da entidade, US$ 7 bilhões foram captados em 2011 no Brasil para investimentos do tipo venture capital e private equity (quando fundos compram participação em empresas médias). Dois terços dos investimentos são de venture capital. Mas isso não significa que as empresas recebam o montante correspondente a essa fração. Dois terços da quantia levantada destina-se a investimento de private equity.

Atualizado às 19h44

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.