Na China, telas de cinema exibem comentários do público em tempo real
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Na China, telas de cinema exibem comentários do público em tempo real

Empresas chinesas criam estratégia para atrair público jovem e subvertem a tradicional experiência solitária do cinema

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25 de agosto de 2014 | 17h03

Amy Qin – The New York Times

Cinema 3D na China (China Foto Press/Getty Images)

Triunfo da obsessão por smartphones ou a mais bacana onda do futuro?

No novo modelo danmu (algo como tela-torpedo) de cinema apresentado recentemente em alguns cinemas chineses, os torpedos não são projéteis, e sim mensagens de texto, enviadas pelo público com seus celulares enquanto o filme é exibido. As mensagens são então projetadas na tela, de modo que uma determinada cena pode receber a qualquer momento a sobreposição de múltiplos comentários atualizados enquanto a ação se desenrola.

A ideia pode parecer infernal para aqueles que prezam o escapismo solitário da tradicional experiência do cinema. Mas a tela-torpedo foi pensada tendo em mente o público mais jovem para quem os celulares se tornaram canais vitais para o compartilhamento de cada pensamento – nem que seja sobre algo tão banal quanto o ar condicionado da sala -, adaptando-se a um novo estilo de vida.

No mês passado, vários cinemas da China começaram a experimentar o modelo das telas-torpedo na exibição de filmes como a animação 3D A Lenda de Qin e o terceiro filme da série de sucesso Tiny Times.

Desde o lançamento de Tiny Times 3, em julho, a distribuidora do filme, Le Vision Pictures, organizou várias exibições no formato tela-torpedo em Pequim como parte de uma estratégia de marketing pós-lançamento.

“Nosso desejo era criar uma experiência social e promovê-la entre os jovens”, disse Enya Sun, gerente de relações públicas da Le Vision Pictures. “Se fosse um filme de Zhang Yimou”, disse ela, referindo-se ao consagrado diretor chinês, “dificilmente tentaríamos esse modelo, porque o foco não estaria nos jovens. Mas, no caso de filmes voltados para o público juvenil, existe o potencial de aplicar o modelo em escala nacional”.

A ideia por trás das telas-torpedo teve origem no Japão, onde ganharam popularidade graças a um portal de vídeo chamado Nicodou, dedicado a animações, quadrinhos e jogos. Seu sucesso inspirou a criação de sites semelhantes na China.

Embora os comentários cheguem a ser tão numerosos a ponto de cobrir toda a tela, muitos defensores das telas-torpedo dizem que a ideia nem é assistir ao vídeo, e sim reunir-se para “tucao”, termo chinês que significa “pigarrear e papear”, a respeito das bobagens do vídeo.

“Mesmo quando os vídeos são monótonos, os espectadores estão reunidos e entretêm uns aos outros”, disse Hiroyuki Nishimura, fundador japonês do Nicodou, em entrevista concedida à revista Wired em 2008.

 Tradução de Augusto Calil

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