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Paulo e o adeus aos seus palmtops (1998-2012)

Nayara Fraga

26 de julho de 2012 | 20h11

::BAÚ TECNOLÓGICO::

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Na época em que não havia smartphones e os celulares mais inteligentes eram StarTACs, Paulo Rogério dos Santos tinha uma espécie de “computador de bolso”.  O aparelho, um Palm Pilot, foi lançado no mercado em 1996 como uma ferramenta “muito mais fácil de usar do que papel e caneta”. Agenda de contatos, bloco de notas e calculadora eram uns de seus principais recursos. “Usando poucos botões físicos e uma tela sensível ao toque,  os usuários podem acessar informações apenas com um toque”, dizia o comunicado de imprensa sobre o produto naquele ano.

Com 12 centímetros de altura e 160 gramas, o aparelho podia ser sincronizado com computadores Mac e Windows. Tinha capacidade para armazenar 750 endereços e 100 tarefas. Destacava-se na indústria dos PDAs (Personal Digital Assistant) ou “palmtops” — da qual participaram ainda Nokia, Apple e Psion.

O de Paulo, comprado em 1998, pifou quatro anos depois. Mas isso não o impediu de comprar outro em seguida: o Tungsten 3, também da Palm. Este apresentava recursos mais avançados. A caixa preta e a tela verde da geração anterior deram lugar a um aparelho de tela colorida,  caixa de aço escovado e sistema operacional aperfeiçoado. O minicomputador havia ficado mais bonito e Paulo, satisfeito.

O namoro acabou cerca de três anos depois. Roubaram o carro de Paulo com o Tungsten 3 (T3) dentro.

Mas ele não admitiu ficar sem palmtop. Em 2005, Paulo comprou o Tungsten 5 (T5), a versão mais moderna do PDA da Palm. No novo aparelho (foto acima e abaixo), passou a guardar novamente seus contatos, fazer listas de tarefas e baixar aplicativos. Não havia inúmeras opções de programas como as hoje vistas no Google Play, do Android, ou na AppStore, da Apple. Mas ele conseguia conectar o palmtop ao computador e, de sites como Tucows.com,  fazer download de aplicativos de terceiros. Paulo se lembra de ter baixado um jogo de xadrez, uma lanterna (para deixar a tela mais branca), controle remoto universal e calculadora financeira (“equivalente a uma HP 12”, segundo ele).

O fim do T5 foi menos doloroso. Paulo usou o aparelho até 2011. Sim, enquanto os colegas já andavam com a quarta geração do iPhone no bolso (ou quinta), ele ainda usava um PDA. Para fazer ligações, ele tinha um celular analógico mesmo.

Aos poucos, o palmtop passou a ficar em casa. “Cansei de piadinhas”, diz. Ele lembra que brincavam com o fato de ele ainda usar algo que já havia ficado obsoleto. A própria fabricante do aparelho, a Palm One, já não existia mais. Foi comprada pela HP em 2010 por US$ 1,2 bilhão.

Diante de smartphones muitos mais potentes, leves (e que realmente cabiam no bolso), ele se rendeu. Estava  claro que era hora de ter um palmtop que também fizesse chamadas de voz. Portanto, comprou logo um Galaxy SII, o forte concorrente do iPhone. Para não sentir muita saudade do palm, baixou os mesmos aplicativos: calculadora financeira e lanterna.

Mas o apego pelo T5 permanece (ou permanecia). Para não deixar o aparelho totalmente encostado, Paulo continuou a colocá-lo para carregar até o mês passado. “Aí teve um dia que fui dar carga e ele não falou mais”.

Agora, o palmtop está na estante. “É que é meio sentimental, sabe?”

Paulo ainda pede ajuda. “Quem sabe eu consigo com algum leitor alguma dica de assistência para recuperar meu T5 por saudosismo!”. Uma executiva da HP, no entanto, informou a este blog que não existe mais assistência técnica para esses modelos porque eles deixaram de ser comercializados há mais de cinco anos no Brasil.

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Nota sobre o T5 publicada em 11 de outubro de 2004 do ‘Estado’

Paulo, hoje com 48 anos de idade, nunca entrou na internet no palmtop, apesar de algumas versões oferecerem esse recurso. Com o novo smartphone, ele responde e-mails durante reuniões.

Todos os PDAs que ele teve foram comprados nos Estados Unidos. O último ele acredita ter custado pouco mais de US$ 300. No acervo do ‘Estado’, a reportagem encontrou um anúncio que exibia o T5 com o preço de R$ 1.799.

Paulo chegou a considerar a compra do Treo, smartphone depois lançado pela Palm. Mas opções mais atraentes começaram a aparecer, como BlackBerry e iPhone, e ficou evidente que aquela não seria uma boa aquisição. Ele preferiu postergar a decisão, portanto, para 2011, quando comprou o Galaxy SII.

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Matéria sobre o Treo, publicada no ‘Estado’ em 4/10/2004

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