Yahoo lucra, mas receitas caem e desafios da gestão Marissa Mayer persistem
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Yahoo lucra, mas receitas caem e desafios da gestão Marissa Mayer persistem

Economia & Negócios

17 de julho de 2013 | 18h48

Um olhar frio sobre os números mostra que a “grife” Marissa Mayer, ex-Google, fez bem ao Yahoo: em um ano, o preço da ação subiu quase 90%, uma dúzia de empresas foi adquirida e a avaliação geral sobre a companhia, de Wall Street ao Vale do Silício, melhorou.

Mas após arrumar a casa, Marissa ainda tem o desafio de consolidar a estratégia por trás de tantas aquisições  e colocar o Yahoo de volta ao esquadrão de elite das empresas de tecnologia.

Marissa Mayer

Ontem, o Yahoo anunciou o resultado do segundo trimestre. O lucro líquido cresceu 46% no período, para US$  331,2 milhões. No entanto, as receitas com publicidade tiveram queda de 12%. No segmento de buscas, as receitas também caíram (8%). Mas Marissa Mayer disse que está “encorajada” pelos resultados.

Os investidores estão apostando suas fichas na gestão Marissa – a sexta presidente do Yahoo em cinco anos. As ações da empresa subiram de US$ 15,6 desde a posse da executiva para quase US$ 30 nesta quarta-feira, 17. É verdade que boa parte da alta é reflexo do investimento feita há oito anos no Alibaba, o grupo de internet que mais cresce na China. No ano passado, o Yahoo vendeu quase metade de sua participação no site e recebeu US$ 7,6 bilhões. Além disso, as operações no Alibaba e no Yahoo Japão geraram mais lucro que a divisão dos Estados Unidos no 2º trimestre.

De qualquer modo, a valorização na bolsa deu fôlego para absorver o impacto da série de aquisições, diz o Wall Street Journal. Ao menos no curto prazo, as startups compradas não darão lucro, avalia o jornal americano. A maioria das empresas adquiridas no último ano são do ramo de celular, segmento no qual Marissa parece estar decidida em tornar o Yahoo competitivo. A ideia por trás disso não é gerar caixa, mas trazer cérebros para dentro da companhia.

A plataforma de blogs Tumblr foi a estrela das aquisições de Marissa Mayer, que pagou US$ 1,1 bilhão em maio.

Em outubro passado, o Yahoo comprou a desenvolvedora de aplicativos para dispositivos móveis Stamped por US$ 10 milhões. Já em março deste ano, a empresa adquiriu o aplicativo Summly, que faz o resumo de notícias, criado por um jovem empreendedor londrino de 17 anos. O negócio foi avaliado em US$ 30 milhões.

Tempo e esperança. O Yahoo reformulou seus aplicativos de e-mail e esportes e há sinais que mais usuários aderiram a eles. De acordo com a Onavo, que desenvolve diversos aplicativos para iPhone, 16% dos usuários de smartphones da Apple usaram aplicativos feitos pelo Yahoo em junho, contra 8% um ano antes.

Mas, ao contrário dos rivais Apple e Google, o Yahoo tem muitos desafios nesse segmento, porque não possui um sistema operacional ou aparelho próprio.

Sob a gestão de Marissa, o Yahoo também gastou tempo e dinheiro para melhorar os serviços noticiosos, financeiros e de esportes. Em maio, anunciou mudanças no Flickr, com o aumento do espaço para um terabyte. Também descontinuou o Altavista, o que parece sensato diante da inegável vitória do Google entre os buscadores.

Agora, que parece mais eficiente e em busca de um rumo estratégico, o Yahoo precisa mostrar resultados. “Em Wall Street, como no Vale do Silício, nem tempo ou esperança duram para sempre”, diz a Time.

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