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Zynga pode ter de enfrentar fuga de talentos

Nayara Fraga

28 de novembro de 2011 | 13h31

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Mark Pincus, CEO da Zynga. Hora de lidar com a frustração de empregados

O clima sempre descontraído das empresas do Vale do Silício — ideia do senso comum, que associa grandes marcas a regalias durante o trabalho — tem suas exceções. A produtora de games Zynga parece ser uma delas. Durante pesquisa realizada com a equipe, funcionários frustrados reclamaram das longas horas de trabalho e de prazos estressantes para conclusão de tarefas, relata o DealBook, do “New York Times”.

O clima de discórdia no território da mãe de FarmVille, CityVille e Mafia Wars é indício de que a cultura da companhia pode não conseguir reter seus melhores talentos, ainda mais quando a disputa por profissionais competentes no Vale se intensifica.

Prestes a abrir capital em Bolsa, a Zynga se encontra em uma estrutura organizacional que faz a companhia parecer um banco de investimento de Nova York, segundo analista ouvido pelo DealBook. Funciona como uma federação com seus estados: cada game tem um time autônomo. “Às vezes, isso pode ser uma guerra confusa e cruel”, diz o blog.

E a concorrência já se move para captar talentos insatisfeitos da Zynga. O DealBook relata que uma empresa de recrutamento enviou cestas de biscoitos para 150 funcionários.

O presidente da companhia, Mark Pincus, está ciente dos problemas, segundo o blog. Ele teria pedido ajuda à equipe para contornar as insatisfações.

Recompensa. Quem tem bom desempenho na Zynga não deve ter muito a dizer de negativo. As recompensas são fartas. Quando o Mafia Wars apresentou grande audiência dois anos atrás, a empresa comprou 80 passagens aéreas e enviou a equipe a Las Vegas para celebrar — mais US$ 500 para cada e hospedagem em hotel de luxo, disse um ex-funcionário ao Dealbook.

Quem não traz resultado, no entanto, paga por isso. Fontes disseram ao blog que, além de 30 demissões em 2009, já foram oferecidas a empregados as opções de ocupar outro cargo com o mesmo salário e menor participação no capital ou deixar a companhia.

Em véspera de IPO (oferta pública inicial de ações), a situação deve estar tensa. Rumores de que Pincus e outros executivos da companhia pediram aos funcionários que entreguem parte de suas ações cresceram nos últimos dias.

Desafio. A Zynga espera levantar US$ 1 bilhão em seu IPO. Apesar do aumento de 80% na receita no terceiro trimestre, o lucro caiu 54%. A companhia enfrenta, como relata reportagem da Bloomberg BusinessWeek, o desafio da indústria dos games: manter e conquistar usuários com novos games ou novas edições. No caso da Zynga, o problema maior parece ser superar o próprio sucesso do FarmVille.

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