coluna

Louise Barsi explica como viver de dividendos seguindo o Jeito Barsi de investir

Ao romper os 100 mil pontos, bolsa de valores pode ganhar novos ânimos

Regina Pitoscia

13 de julho de 2020 | 02h40

(*) Com Tom Morooka

Sem grande alarde, mas com muita persistência e tentativas, a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, rompeu o patamar de 100 mil pontos, ao fechar o pregão de sexta-feira em 100.031,83 pontos.

A última vez que o Ibovespa (índice Bovespa, o principal índice da B3) se havia equilibrado acima desse nível, com fechamento em 102.233,24 pontos, foi em 5 de março, antes do início de instabilidade e turbulências provocadas pela pandemia do coronavírus.

O furo da marca emblemática de 100 mil pontos, na avaliação de especialistas e profissionais do mercado, poderá dar novo impulso à recuperação da bolsa de valores. Embora tenha fechado a semana com valorização de 3,38% na semana, que sobe para 5,23% no mês até agora, o Ibovespa acumula ainda uma desvalorização de 13,5% no ano.

Para o diretor de Câmbio da Ourominas, Mauriciano Cavalcante, “o rompimento da barreira psicológica dos 100 mil pontos pode levar o Ibovespa a buscar os 105 mil ou até 110 mil pontos”, apesar do persistente fluxo de saída de capital estrangeiro em volume maior que o de entrada.

Faltam também, de acordo com Cavalcante, fatos concretos positivos que estimulem maior apetite pela compra de ações. Eles pipocam de vez em quando e animam o pregão, como os dados surpreendentes do varejo acima das expectativas em maio que sinalizariam uma retomada mais forte das vendas, mas seus efeitos são pontuais e passageiros.

“O que tem dado sustentação para a recuperação do mercado é o aumento significativo de investidores pessoa física como compradores de ações”, destaca o diretor da Ourominas.

São investidores que, segundo Cavalcante, estão se posicionando em ações em busca de retorno com a esperada valorização das ações no longo médio e longo prazo. Existiria certa convicção de que, mesmo com as idas e vindas da bolsa de valores, em meio a muita volatilidade, não teriam muito a perder, porque os juros que remuneram a renda fixa estão muito baixos e devem permanecer assim por bom tempo.

O diretor da Ourominas prevê que, no mercado de dólar, as cotações podem trafegar por algum tempo no intervalo entre R$ 5,30 e R$ 5,50, com certa inclinação à alta, a menos que surjam notícias positivas.

Uma delas seria a retomada do processo de privatizações, como declarou o ministro Paulo Guedes, uma sinalização que animou a bolsa de valores e contribuiu para deprimir o dólar. O aceno de venda de estatais, entre as quais a expectativa dos investidores inclui a Eletrobrás, dá alento ao mercado porque pode significar o ingresso e trânsito de recursos estrangeiros de que o País tanto precisa para engatar investimento e o crescimento econômico.

Uma perspectiva de ingresso de capital estrangeiro poderia trazer a cotação do dólar abaixo dos atuais patamares, acredita Cavalcante. O preço de fechamento na sexta-feira foi R$ 5,32, que redundou em variação zero na semana. No mês, até o momento, o dólar acumula perda de 2,21%, mas no ano ainda ostenta uma valorização de 33%.

Renda fixa e inflação

A inflação reapareceu em junho, após dois meses seguidos de variação negativa ou deflação, de acordo com dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) na sexta-feira, dia 10. O IPCA, que mede a inflação oficial do País, acelerou e fechou o mês com alta de 0,26%. Em abril, houve uma deflação de 0,31% e em maio, de 0,38%.

A expectativa de especialista em acompanhamento de preços é que, a partir de agora, a inflação passe a percorrer terreno positivo, deixando para trás a temporada de inflação negativa. Seja como for, a inflação tal como refletida nos índices é vista por muitos consumidores com indisfarçável e justificado ceticismo, pelo desalinhamento com a carestia que cada um vem sentindo no bolso.

Especialistas atribuem como uma das fontes de pressão sobre a inflação em junho o realinhamento de preços de alguns produtos mais procurados pelos consumidores com o dinheiro do auxílio emergencial, concedido pelo governo para o combate aos efeitos da crise da pandemia do coronavírus. A recomposição seria uma tentativa de reaver a margem de lucro perdida pelo fechamento do comércio pela chegada do coronavírus.

O consumidor poderá pagar mais pelos produtos daqui para a frente, se a recomposição tiver continuidade, mas o investidor já amargou perdas para a inflação nas aplicações remuneradas por juros baixos em junho, algo entre 0,14% e 0,15% ao mês.

O risco de perda na renda fixa, em aplicações como títulos e fundos de renda fixa e caderneta, permanece à medida que a inflação der sinais de retomada de fôlego. Nova pressão sobre o IPCA, para especialistas, poderá vir do reajuste de tarifas de energia elétrica em algumas regiões do País, além de possíveis novos aumentos nos preços dos combustíveis, dois itens que têm forte participação no cálculo da inflação.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: