Aplicação com juro pré ou pós-fixado? Avalie os cenários atuais

Regina Pitoscia

16 de janeiro de 2019 | 00h42

O cenário de inflação e juros, projetado a partir de expectativas do mercado financeiro, é bastante confortável. Inflação oficial pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) estimada em torno de 4% para este ano justificaria uma taxa básica de juros, Selic, acomodada em torno de 6,50% ao ano, como a do momento, ou ainda de 7% ao ano para o fim de 2019, como indicam as previsões de investidores.

Trata-se apenas de indicativos, mas dão ideia das estimativas positivas do mercado para inflação e juros para 2019. Para os especialistas, a taxa de juros referenciada na Selic poderia até ser mais baixa que 6,50% ao ano, se considerado apenas o comportamento da inflação. No entanto, o déficit público leva o Tesouro a oferecer taxas atraentes para financiar-se insistentemente no mercado, com a venda de títulos públicos, para tapar o rombo.

A esperança de que o País passe a pôr alguma ordem nas contas governamentais em busca de um reequilíbrio fiscal está fincada agora na reforma da Previdência Social. Os juros da dívida pública que o Tesouro paga para financiar-se no mercado e o déficit previdenciário são as duas contas mais pesadas para os cofres do governo.

Uma reforma bem encaminhada da Previdência Social em direção ao ajuste fiscal e aprovada pelo Congresso, como apostam investidores e mercado financeiro, poderia redundar em uma taxa Selic mais baixa, com efeitos positivos sobre as contas públicas. A Selic é o indexador de boa parte dos títulos da dívida pública.

Seria nesse possível novo contexto, em que uma perspectiva de ajuste fiscal reforçaria o ambiente de inflação e juro baixos como pilares da estabilização econômica, que há espaço para apostas em eventuais cortes adicionais na Selic.

Considerada a taxa de referência da economia, uma redução da taxa básica provoca efeitos baixistas em cadeia nos demais juros, incluídos os que remuneram as aplicações de renda fixa, especialmente os títulos públicos da dívida federal de prazos mais longos.

Em geral, títulos privados como os CDBs (Certificados de Depósito Bancários) emitidos pelos bancos são menos afetados pelas variações da Selic que os títulos públicos de prazos de vencimento mais longos, cuja rentabilidade, referenciada nos juros correntes, é mais sensível às expectativas futuras.

Uma alta da Selic, por exemplo, pode criar expectativa de elevação dos juros futuros em níveis acima da taxa embutida no título comprado pelo investidor. Já um movimento de corte na Selic, por sua vez, pode gerar uma expectativa de redução dos juros futuros abaixo da taxa embutida no título público de posse do investidor, o que pode redundar na queda do valor do título no mercado abaixo do original de sua emissão.

Na primeira hipótese, de elevação da Selic, o investidor que resgatasse o título no meio do caminho, no momento de valorização, obteria um rendimento superior ao previsto no título quando aplicou. Na outra hipótese, de queda da Selic, o investidor que resgatasse o título antes do vencimento, em momento de redução de valor, amargaria perda.

A tentativa de obter ganhos com ações especulativas reforça o risco de prejuízo mesmo em aplicações de renda fixa. Um risco que deixa de existir apenas quando o investidor faz o resgate no vencimento do título, quando recebe o valor aplicado mais o rendimento pela taxa combinada.

Uma regra de ouro para quem investe em títulos públicos, que costumam exigir tempo mais demorado para resgate, é ficar com eles até o prazo final de vencimento.

Tendência dos juros

Uma dica recorrente no mercado de investimento é que a escolha por um juro pré ou pós-fixado na hora de aplicar deve levar em conta a tendência projetada para os juros. Se a expectativa for de alta das taxas, seria mais vantagem optar por uma aplicação pós-fixada. Com o cálculo feito na hora do resgate, o rendimento final apropriaria as eventuais altas de taxa ocorridas no período.

Caso a perspectiva seja de redução dos juros, pode ser mais interessante um título com taxa prefixada, já que o investidor chegaria ao resgate amarrado a um juro prefixado mais elevado do que estiver sendo praticado no momento do resgate. Essa hipótese é considerada por boa parte de analistas mais animados com a reforma previdenciária.

Apesar de todo o otimismo com as mudanças econômicas, é preciso levar em conta que, no momento, tudo não passa de expectativas. Por enquanto, não se têm detalhes do projeto de reforma e tampouco ideia da disposição do Congresso de aprovar rapidamente as medidas.

Eventual tropeço no andamento da reforma poderia reverter as expectativas otimistas, pressionar o dólar para cima e, por tabela, a inflação e as taxas de juro.