Banco Central definirá nova Selic, que deve ficar em 6,5% ao ano

Regina Pitoscia

17 Setembro 2018 | 00h17

Com Tom Morooka

Esta semana, nos dias 18 e 19, o Copom (Comitê de Política Monetária), do Banco Central, se reúne para deliberar sobre a taxa básica de juro, a Selic, que vem rodando em 6,50% ao ano desde maio.

O encontro da autoridade monetária está ofuscado pela política, pelo acirramento da corrida presidencial, onde sobram dúvidas e nenhuma certeza. O desinteresse se explica também pela falta de convicção de que haverá alguma alteração na Selic, diante de uma inflação que, salvo por algum choque de preços, acena com bom comportamento nos próximos meses, além da atividade econômica que continua em marcha lenta.

Quer dizer, não haveria necessidade de calibrar o juro para cima para frear o consumo, desaquecer a economia e segurar um suposto aquecimento da inflação. Assim, o entendimento é que, se depender da decisão sobre o rumo da Selic, tudo deve permanecer como está, principalmente para quem se preocupa com o bolso, tanto os que têm dívidas quanto aplicações financeiras.

A rigor, o nível da taxa básica de juros afeta, nesse grupo de interesses, apenas as aplicações remuneradas por taxas de juro. Pela insistência da Selic em permanecer marcando passo em 6,50% ao ano, a rentabilidade de 0,37% ao mês ou 4,55% ao ano (70% do juro básico) da caderneta passou a ser visto como piso e teto de ganho das aplicações de renda fixa.

Investidores que aplicam em CDB, fundos de renda fixa e fundos DI, além de caderneta, precisam conformar-se com um rendimento líquido mensal em torno de 0,40% durante bom tempo. E torcer ainda para que a inflação siga em trajetória de baixa, apesar de alguns fatores de risco.

A ameaça vem dos persistentes reajustes nos preços dos combustíveis e de energia elétrica, que têm forte influência no comportamento da inflação. Sem falar da escalada do dólar, que costuma encarecer os preços de produtos importados (combustíveis inclusive) e de outros fabricados domesticamente com insumos e matérias-primas importadas.

Caso a inflação retome o fôlego, pressionada por esses fatores, e os juros permaneçam nos atuais níveis, o aplicador em renda fixa corre o risco de ficar com o rendimento no vermelho, sem ganho real. Até porque o rendimento nominal continua muito baixo.

Especialistas orientam, ainda assim, que o investidor dê preferência à segurança e proteção ao capital, em vez de rentabilidade mais atraente, neste momento de incertezas e turbulências no mercado financeiro.

Descompasso da Selic

A taxa Selic, na prática, exerce duas funções. Define a remuneração dos títulos públicos, em operações de financiamento da dívida pública no mercado financeiro. É quanto rende o dinheiro para o investidor que compra títulos do Tesouro Nacional para financiar a dívida pública. E também baliza o custo de captação de recursos pelos bancos que abastecem, na outra ponta, as diversas linhas de crédito.

Outras aplicações, mais sofisticadas e de maior risco, têm como referência de rentabilidade os juros futuros, que andam descoladas cada vez mais da taxa Selic. São os juros que realmente contam para a remuneração de aplicações e para o custo de investimentos produtivos porque dão ideia do nível de juros que estarão rolando no futuro.

São taxas de juro que, impregnadas pelas dúvidas e temor com o processo eleitoral, estão correndo bem à frente da Selic. O juro para 2021 embutido nos contratos futuros de acordo com as projeções dos investidores superou a marca de 10% ao ano na sexta-feira.

No crédito

A expectativa de que os juros estejam mais elevados no futuro – apesar da manutenção da Selic em 6,50% –  é determinante também para a definição de juros no segmento de crédito. Os analistas não se mostram otimistas com a perspectiva de novas reduções das taxas cobradas nos financiamentos. Aliás, algumas estimativas apontam até para o ajuste para cima no custo de determinadas linhas de crédito.

No cheque especial estão os juros mais altos entre as diferentes modalidades de financiamento. Na última semana de agosto, nos cinco maiores bancos do País, elas estavam em 11,4% ao mês ou 263% ao ano no Itaú; em 11,7% ao mês e 277% ao ano no Bradesco; em 11,9% ao mês ou 287% ao ano no Banco do Brasil, em 12,4% ao mês e 308% ao ano na Caixa; e 14,7% ao mês ou 419% ao ano no Santander. Níveis muito superiores aos da Selic, de 0,53% ao mês ou 6,5% ao ano.

No rotativo do cartão de crédito, nessas mesmas instituições, os juros variaram de 8,44% ao mês ou 164% ao ano no Banco do Brasil a 13,74% ao mês ou 369% ao ano no Bradesco. No crédito pessoal, em que o custo do dinheiro é bem mais baixo, os juros oscilaram de 4,1% ao mês no Banco do Brasil a 5,23% ao mês no Bradesco. E no crédito consignado, que oferece os juros mais baixos do mercado, as taxas estavam entre 1,6% ao mês no Santander a 3,06% ao mês no Itaú.