ESG

Coluna Fernanda Camargo: É necessário abrir mão do retorno para fazer investimentos de impacto?

Bolsa de valores lidera rentabilidade no ano com alta de 32,55%

Regina Pitoscia

30 de dezembro de 2019 | 00h15

Ainda falta contabilizar o pregão de hoje, o último do ano, mas o investimento em ações foi, disparadamente, o mais rentável do ano. A Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, acumula alta de 32,55% em 2019, até a última sexta-feira, dia 27, de acordo com o Ibovespa (Índice Bovespa, principal índice de referência do mercado de ações brasileiro), formado por uma carteira teórica das 68 ações mais negociadas no pregão.

O vistoso desempenho da bolsa, o melhor desde 2016, quando o Ibovespa subiu 38,94%, reflete uma combinação de fatores favoráveis ao mercado de ações. O ano começou com renovado otimismo em relação ao desempenho da economia, sob gestão do novo governo. O crescimento não veio na dimensão esperada, chegou a patinar por meses, até entrar em cena a perspectiva de aprovação da reforma da Previdência Social.

Ao mesmo tempo que as propostas de alteração nas regras da aposentadoria avançavam no Congresso, sinalizando a perspectiva de melhora fiscal pelo alívio nas contas públicas, pelo lado da política monetária os bons ventos de uma inflação controlada passaram a derrubar degrau a degrau, no tamanho de meio ponto porcentual cada vez, a taxa básica de juros, a Selic.

Os seguidos cortes na Selic, a partir de meados do ano, geraram uma expectativa, uma aposta mais confiante na retomada do crescimento, e um fato, a contínua redução do rendimento nominal de aplicações financeiras, especialmente de títulos, como CDB (Certificado de Depósito Bancário), e fundos de investimento, como o de renda fixa e DI – todos com o rendimento referenciado na taxa básica de juro.

O desencanto com a renda fixa desencadeou uma onda crescente de migração de investidores para a renda variável, sobretudo para a bolsa de valores, à procura de uma remuneração que minguava nas opções mais conservadoras de aplicação à medida que a Selic ia caindo.

Os recursos de investidores pessoas físicas que migraram da renda fixa passaram a movimentar o moinho de alta do mercado de ações, visto pelos especialistas, cada vez mais, uma das poucas opções à baixa remuneração dos juros. Especialmente diante de dados de inflação controlada que apontam para a manutenção da Selic e, com ela, dos juros da renda fixa baixos por bastante tempo.

O ano que termina sacudiu o mercado de renda fixa e tirou do conforto seu investidor cativo acostumado a altas taxas nominais de juro correntes no País, seja por causa da crise fiscal (que obriga o governo a financiar o déficit bancando juros altos), seja pela fragilidade das contas externas (que exige juros elevados para a atração de capital estrangeiro), seja pela insistente inflação alta que requer também juros altos para seu controle.

Esse cenário de inflação e juros altos ficou para trás e, para economistas e analistas, 2019 será o divisor de água dessa mudança. Quem quiser rentabilidade mais atraente terá de reavaliar e remodelar sua carteira de investimentos reservando um espaço para a renda variável.

Apesar dos seguidos cortes da Selic para a mínimas históricas e de soluços da inflação, as aplicações de renda fixa que têm o rendimento alinhado à taxa básica fecharam 2019 com margem de ganho real, embora discreto.

O dólar até tentou correr por fora, ensaiando uma valorização mais forte em momentos de tensão política e econômica – dúvidas com o andamento da reforma previdenciária, acirramento da disputa comercial entre Estados Unidos e China, soltura do ex-presidente Lula, ausência de investidor externo, portanto de capital estrangeiro em leilão do excedente de petróleo do pré-sal, dentre outros -, mas perdeu fôlego.

O dólar comercial acumulou valorização de 4,65% até o dia 27.

Confira quanto renderam as aplicações em 2019, até o dia 27 de dezembro, de acordo com os cálculos do administrador de investimentos Fabio Colombo:

Aplicação                                                                  Desempenho

1º – Bolsa de Valores de São Paulo (B3)                  32,55%

2º – Ouro                                                                        27,69%

3º – IGP-M *                                                                    7,25%

4º – Títulos indexados ao IPCA                                   6,72%

5º – Fundos DI **                                                           5,74%

6º – Fundos de renda fixa **                                        5,71%

7º – CDB **                                                                      5,65%

8ª – Dólar                                                                       4,65%

9º – Caderneta                                                                4,00%

10º – IPCA *                                                                    4,20%

11º – Euro                                                                         2,18%

Obs.:  * estimativa

** rendimento médio

 

 

 

 

 

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