Bolsa na liderança e dólar na lanterna, mesmo em mês de turbulências

Regina Pitoscia

30 de abril de 2019 | 19h56

Apesar de chuvas e trovoadas, instabilidade política, dúvidas e incertezas com a aprovação da reforma da Previdência Social, ainda assim, o mercado de ações ocupou a liderança no ranking dos investimentos em abril. A B3, antiga BM&FBovespa, apresentou uma valorização de 0,98%.

Já o dólar que, por esses mesmos motivos, chegou a bater a marca dos R$ 4,00, por duas vezes no mês, ocupou uma das últimas posições com avanço, de apenas 0,16%, em relação a sua cotação no final de março. Resultado bem modesto, se considerado o ambiente de turbulências que permeou o mercado financeiro ao longo de abril e provocou fortes solavancos, em movimentos que lembram os de uma gangorra, tanto no segmento de dólar como de ações.

Correndo por fora, mas no páreo, está a renda fixa, que superou o dólar, mas perdeu da bolsa. Aplicações como caderneta e fundos de renda fixa, incluídos os DI, renderam em torno de 0,37% a 0,44%, em média, em abril.

Bolsa e dólar

A B3 sente ainda a ausência de compras do capital estrangeiro, que permanece fora do mercado doméstico de ações. O investidor externo está à espera do andamento do projeto de reforma no Congresso que sinalize na direção de uma mudança consistente nas regras da aposentadoria.

Em clima de insegurança e forte vaivém das cotações, o dólar foi mais uma vez o refúgio procurado pelo investidor para a proteção de seu capital. O interesse pelo dólar como proteção de patrimônio, expediente comum em momentos de incertezas e medo, não foi a única responsável pelo sobe e desce das cotações.

Esse movimento refletiu também, de acordo com analistas, a ação de investidores que trocam rapidamente de posições no mercado em busca de lucros, movimentações que fizeram o dólar avançar aos R$ 4,00, sem encontrar, porém, suporte nesse nível.

O comportamento do mercado doméstico esteve sensível também à influência de fatores externos, especialmente em dia de notícias menos preocupantes no front da reforma previdenciária.

A sinalização do Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA) de que não está em seus planos uma elevação dos juros, no entanto, não tirou a política monetária americana do foco de investidores domésticos. Quando não por decisão do Fed, o movimento dos juros por lá, em geral de alta, tem sido influenciado pelo fortalecimento do dólar, como reflexo do vigor da economia americana contrastando com a fragilidade das demais de países da Europa e do Japão.

Por isso, uma alta dos juros nos EUA costuma pressionar o dólar para cima e a deprimir a bolsa de valores, decorrente do movimento de investidores que, ao desfazerem suas posições por aqui, inclusive em ações, transformam os reais em dólares, migrando para papeis americanos.

Renda fixa

Tudo indica que quem está em renda fixa ficará desapontado mais uma vez com o rendimento de sua aplicação em abril. Se a prévia apontada pelo IPCA-15, de 0,72%, for confirmada pelo IPCA, a inflação final de abril será quase o dobro da remuneração de aplicações como fundos DI e caderneta, que pagaram rentabilidade média entre 0,37% e 0,44%. Em outras palavras, esses investimentos terão proporcionado rendimento negativo ao investidor, sem proteção contra os efeitos corrosivos da inflação sobre o seu patrimônio.

Apesar do repique recente da inflação, não se prevê mudança na taxa básica de juros, Selic, que, pelas previsões do mercado financeiro, deve ser mantida em 6,50% na reunião do Copom, na segunda semana de maio, já que a alta de preços é considerada sazonal e tende a diluir-se nos próximos meses.

Um fator adicional de pressão sobre a inflação em maio será a volta da cobrança de taxa extra nas contas de energia elétrica.

Corrida dos investimentos

Acompanhe abaixo, o desempenho de cada aplicação nos cálculos do administrador de investimentos Fabio Colombo.

1- Bovespa                                    0,98%

2- Título Tesouro IPCA             0,80 a 0,90% (indicativo)

3- Ouro                                         0,93%

4- IGPM                                        0,92%

5- IPCA                                         0,61% *

6- Fundos DI                               0,44 a 0,54% **

7- Fundos R.Fixa                        0,44 a 0,54% **

8- CDB                                          0,42 a 0,52% **

9- Poupança                                 0,37% (liquido)

10- Dólar                                       0,16%

11- Euro                                         0,14%

(*) estimado

(**) rendimento bruto

 

 

 

 

 

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