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Bolsa se recupera com ajuda do cenário externo

Regina Pitoscia

22 de junho de 2020 | 03h35

(*) Com Tom Morooka

O mercado financeiro segue em marcha batida de recuperação, apoiada mais em expectativas do que em fatos. A bolsa de valores acumula valorização superior a 10% no mês e o dólar, por motivos diferentes, percorreu também terreno positivo boa parte da semana, ainda que esteja com desempenho ligeiramente negativo no mês.

Anima os investidores domésticos em ações a perspectiva de retomada de atividades no exterior, apesar da volta de focos isolados da pandemia de coronavírus em alguns países, e a percepção de um sistema financeiro que carrega uma montanha de recursos à procura de opções rentáveis em um ambiente que os juros estão perto de zero ou negativos.

É essa massa de recursos, em volume de trilhões de dólares, que, segundo especialistas, tem dado suporte à valorização das bolsas de valores no exterior, sobretudo nos Estados Unidos, com reflexos positivos sobre o investidor doméstico.

A valorização da bolsa de valores brasileira “segue um movimento técnico de alta das bolsas em escala global, principalmente nos Estados Unidos”, avalia André Pimentel, diretor de Investimentos da Infinity Asset.  “Os Estados Unidos cortaram a taxa de juros para perto de zero e o estímulo monetário do Fed (Federal Reserve, o banco central americano) lançou cerca de US$ 3 trilhões no sistema financeiro”, como estratégia de combate aos efeitos do coronavírus na economia.

A expectativa é que uma fração desses recursos, ampliados pela folgada oferta de dinheiro em outros países, aporte para investimentos no País, mais atraente em oportunidades de ganho em relação a outros mercados que rodam com juros negativos e estão com bolsas mais valorizadas.

“Com as bolsas americanas próximas do pico de desempenho, os investidores estrangeiros começam a olhar para o Brasil.” O diretor de Investimentos da Infinity Asset diz que comunicados a clientes de pelos menos três grandes bancos de investimento estrangeiros recomendam a compra de ações no Brasil. A perspectiva, portanto, é que em algum momento os investidores de fora se juntem aos domésticos, cujas compras continuam sustentando a trajetória de recuperação da bolsa.

A previsão é que a migração de investidores pessoas físicas para a renda variável seja engrossada com a nova redução da taxa básica de juros, a Selic, que caiu para 2,25% e neutralizou o pouco apelo da renda fixa.

Um dos fatores que têm inibido a atração de capital externo, que, acredita Pimentel, já poderia estar dando mais tração à bolsa de valores local, é o cenário de incertezas, por causa do aumento das tensões políticas e crise econômica, agravada pelas dúvidas em relação à sustentação das contas públicas. A preocupação do investidor é saber que medidas o governo poderá adotar para tapar o rombo fiscal, agravado pela crise do coronavírus, para recolocar as contas públicas no caminho do ajuste no período pós-pandemia.

Para ter uma ideia de quanto a B3 se encontra distante ainda do pico a que chegou este ano, próximo de 120 mil pontos, em 23 de janeiro, o Ibovespa (principal índice da bolsa de valores) tem orbitado ao redor de 96 mil pontos. Essa pontuação indica que o mercado de ações compensou apenas pouco mais da metade da perda que acumulou ao despencar para um nível próximo de 63 mil pontos, em 23 de março, no auge do pânico provocado pela crise da pandemia no mercado financeiro.

A Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, encerrou o pregão de sexta-feira com alta de 0,46%, em 96.572 pontos, e acumulou alta de 4,07% na semana, que fica ampliada para 10,49% no mês. Um desempenho que, faltando uma semana para o término de junho, coloca a bolsa de valores como o investimento mais rentável do mês, pelo segundo período consecutivo. No ano, a B3 acumula ainda uma desvalorização de 16,49%.

O dólar encerrou sexta-feira cotado por R$ 5,32, com valorização de 5,35% na semana. No mês, a moeda americana tem uma queda residual de 0,37%, mas no ano acumula valorização de 33%, até o momento.

 

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