Chega da desculpa de que não tem dinheiro para aplicar

Regina Pitoscia

09 de outubro de 2019 | 01h04

Saber que precisa guardar dinheiro para alcançar objetivos ou para não ser surpreendido por imprevistos e entrar em dívidas, o brasileiro sabe. O mais difícil é colocar em prática a estratégia de separar sempre uma determinada quantia para a formação de um bolo de recursos. Um levantamento do Instituto Axxus, em parceria com a Unicamp e Associação Brasileira de Educadores Financeiros, mostrou que apenas 20% das pessoas conseguem aplicar o dinheiro mensalmente.

Na maioria das vezes, a justificativa é que nunca sobra dinheiro ou não sabe onde investir. Mas, na verdade, a falta de hábito é que pode ser determinante e impedir uma atitude mais proativa das pessoas para poupar. Por isso, a primeira fintech voltada para o microinvestimento, a Diin, construiu uma ferramenta para ajudar qualquer um a vencer uma série de barreiras para a formação de uma poupança.

Trata-se do aplicativo Diin, em que é possível aplicar em títulos do Tesouro com valores a partir de R$ 1. Mais especificamente em Letras Financeiras do Tesouro (LFT) ou o Tesouro Selic, na plataforma do Tesouro Direto, cuja remuneração está atrelada à evolução da taxa básica da economia.

A possibilidade de saque é diária, e o crédito ao investidor é feito no dia seguinte ao do pedido (D+1). Embora fique sempre à mão, o ideal é deixar o dinheiro aplicado por mais tempo para pagar menos imposto. É que, além do imposto de renda, para aplicações inferiores a 30 dias há cobrança ainda do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que chega a ser de 96% nas de apenas um dia.

Nessas condições, a remuneração proporcionada pelo Diin é equivalente a 4,80% bruto ao ano e pode ficar, em termos líquidos, acima do que rende a caderneta com seus 3,85% ao ano, dependendo do prazo que o dinheiro ficar aplicado. “Criamos a Diin com o propósito de aceitar qualquer valor, pagando mais do que a caderneta e para aplicações de curto prazo. Estamos estruturando outros produtos com rendimento mais alto para aplicações de prazo mais longo”, explica a diretora-executiva e fundadora da fintech, Mônica Saccarelli.

Mas a novidade e a utilidade, trazidas pela Diin desde janeiro deste ano, não se limitam em aceitar o dinheiro mais miúdo, oferecer possibilidade de resgate a cada dia e pagar mais do que a poupança, mas passar vários outros conceitos fundamentais para quem quer começar a economizar e cuidar bem do dinheiro.

Por exemplo, o aplicativo lança uma proposta em formato de desafio: que o interessado aplique R$ 1 por 7 ou 21 dias. O valor baixo passa a impressão de que o cumprimento da tarefa será fácil e acabará estimulando o interessado a topar o desafio.

A ideia é que essa proposta, ao mesmo tempo lúdica e acessível, leve o investidor a prestar mais atenção ao dinheiro e a se habituar a guardá-lo. Ter a disciplina e reservar determinada quantia, seja qual for, para aplicar é um dos segredos para aumentar uma reserva financeira.

Mesmo que aceite valores a partir de R$ 1, o aplicativo ajuda a identificar a quantia ideal a ser guardada a cada mês, a partir de informações sobre a entrada e saída de dinheiro do bolso do usuário. Mais do que isso, o aplicativo organiza e separa os gastos em setores (alimentação, saúde, lazer, transporte, etc.) de modo que o poupador saiba exatamente para onde está indo seu dinheiro e, assim, possa promover eventuais ajustes no orçamento.

Ao informar qual o valor a ser obtido e em quanto tempo, o aplicativo simula valores e como deve ser feita a poupança. “Já tivemos cliente que em seis meses conseguiu juntar o dinheiro para uma viagem, resgatou o necessário e deixou aplicado o rendimento conseguido no período.”

Esses resultados concretos e em prazos menores acabam convencendo o aplicador a poupar, principalmente os mais jovens. É que falar em poupar para aposentadoria para esse público pode ser algo muito distante e desinteressante. No entanto, ao dar um formato de desafio e em estilo de jogo para começar a poupar e mostrar que os benefícios podem ser atingidos mesmo no curto prazo, o aplicativo pode ser mais eficiente na educação financeira.

O interessado em usar o Diin deve baixar o aplicativo e fazer uma transferência do banco onde mantém sua conta corrente para a fintech. E mesmo nessa simples operação, a tentativa foi a de levar o investidor a valorizar o dinheiro com conceitos de economia.

É que a fintech abriu conta em seis bancos para que não haja custo na transferência: Banco do Brasil, Caixa, Bradesco, Itaú, Santander e Banco Inter. Dessa forma, o dinheiro é transferido da conta do investidor para a conta da Diin nesses respectivos bancos. “A ideia é mostrar que a despesa de R$ 9 ou R$ 10 para transferir o dinheiro pode reduzir ou acabar com o rendimento a ser obtido”, explica a diretora.

Não há custos para o aplicador usar o Diin, os ganhos da empresa correspondem à diferença entre o que ela consegue na aplicação no Tesouro Selic e o que ela repassa ao aplicador.

 

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