COE: mistura renda variável e fixa e pode render mais

Regina Pitoscia

22 de maio de 2019 | 00h28

Quem tem interesse em encontrar aplicações com diferenciais e baixo risco, que possam render mais que os 0,40% ao mês na renda fixa, deve conhecer os Certificados de Operações Estruturadas (COE). É um título que as instituições financeiras emitem para a captação de recursos, assim como um Certificado de Depósito Bancário (CDB).

O COE ganha destaque nesse cenário de juros baixos na renda fixa porque combina elementos de aplicações em renda fixa e renda variável, mas com a vantagem de diluir os riscos da renda variável e elevar os ganhos da renda fixa.

Segundo o responsável pela área de produtos da Ourinvest, Fernando Fridman, o interesse por COEs aumentou nos últimos cinco anos, mas o papel ganhou popularidade mesmo nos últimos dois. E em boa parte porque por meio desses títulos tanto o grande como o médio e pequeno investidores têm acesso a aplicações em diferentes ativos e até mesmo em mercados internacionais, além de contar com análise especializada sobre as tendências de cada setor em que o dinheiro será empregado.

O título é oferecido em duas modalidades: de valor nominal protegido que oferece uma trava aos riscos de perda, no sentido de que na pior das hipóteses o investidor sai com o mesmo capital que empregou, nem mais nem menos; e de valor nominal em risco, em que as perdas ficam limitadas ao total aplicado.

Quem estiver disposto a aceitar essas condições poderá contar com uma boa recompensa, porque em troca terá a possibilidade de embolsar ganhos bem mais interessantes que os da renda fixa. Só para ter uma ideia, segundo Fridman, COEs distribuídos pela Ourinvest, que tiveram vencimento em dezembro de 2018, pagaram um rendimento de 18,6% no período de um ano, bem acima dos 6,5% do CDI, por exemplo.

Fernando explica que esse retorno é resultado de todo um trabalho de estudos dos diferentes mercados em busca de oportunidades de valorização de determinados ativos. A aplicação pode ser atrelada à variação de índices, como o Índice Bovespa, ou de inflação, de juros, de moedas, de alguma ação aqui ou lá fora, de commodities, ou a vários outros ativos.

No ano passado, segundo ele, foi possível estruturar operações vinculadas a ações de Petrobrás, Índice Bovespa, ações de empresas de tecnologia na bolsa de Nova York, enfim cesta de ativos que pudesse proporcionar um bom retorno aos investidores. Já este ano, houve operações ligadas à evolução de empresas europeias, as 50 mais negociadas na Zona do Euro e acompanhadas pelo Euro Stoxx.

Trata-se de uma boa opção para quem pretende pulverizar o patrimônio para obter melhor performance, mas não teria condições de aplicar nesses mercados, tanto por desconhecê-los como por contar com poucos recursos. Mesmo considerando os riscos envolvidos.

A partir do estudo e da previsão de cenários, nos COEs de Capital Protegido é possível ter algum controle sobre as oscilações de mercado, onde os ganhos e as perdas são amenizados. Quem opta por esse tipo de investimento conta com bom grau de previsibilidade da operação e consegue saber com antecedência quanto terá de retorno no vencimento, a depender de determinado cenário, e ter as perdas diluídas, por ter capital protegido.

Ao estruturar a operação, os COEs são colocados no mercado por meio de oferta pública, seguindo normas da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). As condições da aplicação deverão estar bem claras no Documento de Informações Essenciais (DIE). “Esse documento deve ser analisado com cuidado pelo aplicador porque ele será a carta-mestre do investimento. Lá estarão os cenários esperados e em que segmentos os recursos serão aplicados”, explica o diretor.

Os COEs são emitidos por prazos de dois ou três anos e, embora possam ser negociados em mercado secundário, o mais indicado ao investidor é ficar com o papel até seu vencimento. “Para conseguir uma rentabilidade diferenciada é preciso ficar com o dinheiro aplicado pelo prazo da operação”, afirma o executivo.

Há tributação do Imposto de Renda sobre os COEs, e é a mesma que recai sobre os títulos de renda fixa, quanto maior o prazo, menor o imposto. Para aplicações de até 180 dias, a alíquota de IR é de 22,5%; acima de 180 e até 360 dias, de 20%, acima de 360 e até 720 dias, de 17,5%, e acima de 720 dias, de 15%.

Uma aplicação em COE, pela Ourinvest, é aceita a partir de R$ 1 mil. Com isso, “o pequeno investidor tem acesso a um serviço especializado, incluindo vários outros mercados, com possibilidade de diversificar suas aplicações e obter ganhos diferenciados”, afirma Fridman.

 

 

 

Tendências: