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Como dosar renda fixa e variável no cenário de juros baixos

Regina Pitoscia

04 de setembro de 2019 | 01h37

Vários sinais reforçam a ideia de que os juros baixos vieram para ficar. Setembro começa com a taxa básica de juros, a Selic, na mínima histórica de 6% ao ano, com perspectiva de que encolha mais, pelo menos um ponto porcentual, para 5% ao ano, ainda em 2019.

A estimativa faz parte de indicadores econômicos projetados por analistas e economistas do mercado financeiro no último boletim Focus. Estima-se que nova redução da Selic poderá ocorrer na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), do Banco Central (BC), que começa no dia 18 de setembro e termina no dia 19.

À medida que a Selic cai, menor fica o rendimento da renda fixa, em que o investidor é remunerado por juros atrelados à Selic. Não é sem motivo que alguns já migraram para aplicações de maior risco, na renda variável, à procura de uma rentabilidade mais atraente para seu dinheiro.

Outros, no entanto, hesitam em deixar o conforto e a segurança da renda fixa, à espera de uma reviravolta na trajetória dos juros. A perspectiva, porém, não é animadora, do ponto de vista do investidor. De acordo ainda com o relatório Focus, a Selic projetada pelo mercado para 2020 está em 5,25% ao ano e, para 2021, em 7% ao ano, para uma inflação estimada em 3,59% para este ano, em 3,85% para 2020 e em 3,75% para 2021.

Embora o juro nominal esteja baixo e inclinado a novas quedas, pelas estimativas do mercado ele permaneceria rodando acima da inflação, a menos que o IPCA Índice de Preços ao Consumidor Amplo, a régua da inflação oficial) sofra acidentes de percurso.

A perspectiva de garantia de ganho real, ainda que por margem estreita acima da inflação, não seria suficiente, na avaliação de especialistas, para manter o apego e fidelidade dos investidores à renda fixa. A tendência parecer ser muito mais a de uma migração de recursos para a renda variável, sobretudo para a bolsa de valores.

O investidor que pensa embarcar nesse processo de migração da renda fixa para a variável precisa avaliar vários pontos e redobrar a cautela antes de se decidir pela mudança. Aplicações que oferecem mais risco em troca de maior rentabilidade não combinam com investidores de perfil conservador que se satisfazem apenas com a preservação do capital. Uma condição que a renda fixa, mesmo com juros rastejantes, costuma oferecer, apesar de alguns sustos com a inflação.

As aplicações conservadoras têm cumprido esse papel de proteção ao dinheiro. Cabe ao investidor zeloso de suas finanças separar os recursos que formarão um colchão de reserva de segurança ou para uso no curto prazo, para aplicação na renda fixa, dos que irão para carteira de investimentos de maior risco, na renda variável.

Essa separação é importante porque, em aplicação com juros, o investidor tem ideia do que será o possível rendimento de sua reserva financeira, que poderá sacar com mais facilidade para cobrir despesas e necessidades emergenciais. Na renda variável, sobretudo na bolsa de valores, corre-se o risco de comprar na alta, quando a ação está cara, e vender em momentos desfavoráveis do mercado, com desvalorização, se o dinheiro investido tiver data prevista para o resgate.

Outra dica é que o investidor conservador migre gradualmente da renda fixa para a variável. Alguns especialistas sugerem ainda um período de   transição nessa etapa de diversificação de carteira, com paradas em opções como os fundos imobiliários, antes de seguir para um fundo multimercado.

Os fundos imobiliários são um investimento que tem base em imóveis. Ao comprar cotas desses fundos com diferentes carteiras o investidor pode diversificar sua aplicação em vários tipos de imóvel, como prédio de escritórios, shoppings, hospitais, galpões, lajes corporativas e outros. O rendimento, isento de imposto de renda, corresponde a uma fração do aluguel proporcional ao número de cotas do investidor no fundo.

Os fundos multimercado aplicam em vários mercados. Podem fazer parte de uma mesma carteira ações, dólar, juros, tanto à vista como futuro de derivativos, e títulos negociados no exterior.

Pela diversidade de mercados em que investe os recursos, os fundos multimercado se caracterizam pela volatilidade, vistos por alguns especialistas como a antessala em que o investidor faz uma pausa antes de seguir para a bolsa de valores, seja pela compra direta de ações, seja por meio dos fundos de ações.

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