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Como ficam bolsa e dólar sem retorno do capital externo

Regina Pitoscia

27 de janeiro de 2020 | 00h45

(*) Com Tom Morooka

O mercado financeiro chega à última semana de janeiro movido ainda pelas expectativas otimistas de 2019 que, para muitos analistas e economistas, projetavam um ano ainda melhor para investidores e mercados em 2020. Tais expectativas, em geral, ainda não se confirmaram, mas nem por isso frustraram os investidores, que continuam à espera de boas novidades.

A principal delas é o retorno do investidor estrangeiro, que ainda não apareceu por aqui. Essa perspectiva em 2020 animou a aquisição antecipada de ações e a venda de dólares, pelos investidores locais, no fim do ano passado.

A ideia por trás dessa estratégia foi comprar ações por um preço mais baixo e vendê-las mais caras, para embolsar lucros com a diferença, em um ambiente de aumento de procura pelos investidores externos. Pensamento idêntico teria encorajado as vendas de dólar em dezembro. Embolsar lucros com a venda de uma moeda que se valorizou ao longo de 2019 para depois recomprá-la, mais barata, com as cotações deprimidas pela suposta volta desse capital estrangeiro.

Esse movimento, aguardado sobretudo pelos investidores que rechearam a carteira com ações e desovaram dólares no fim do ano, ainda não ocorreu.

Incertezas provocadas pela crise entre Estados Unidos e Irã são um argumento usado pelos que tentam explicar a indiferença de investidores internacionais com a bolsa de valores doméstica. Uma ala significativa de analistas comenta que o capital externo permanece arredio porque não está convencido nem vê sinais de que a economia retomou um processo vigoroso e sustentável de crescimento.

Para outra corrente de especialistas, ainda, em meio a dúvidas com a recuperação mais vistosa de atividade econômica, as ações por aqui estariam sendo consideradas caras. Resultado do aumento crescente de procura pelos investidores domésticos que têm migrado da renda fixa para a renda variável para a diversificação de carteira.

A torcida pela chegada de estrangeiros é grande, mas, mesmo sem eles, o mercado de ações teria suporte para alcançar patamares cada vez mais altos. Nesta semana, o Ibovespa (Índice Bovespa, índice representativo de 73 ações de 70 empresas mais negociadas no mercado) voltou a encostar em 120 mil pontos. “O que move a bolsa é o otimismo dos investidores que apostam na política econômica e na retomada do crescimento”, avalia Mauriciano Cavalcante, diretor de Câmbio da Ourominas.

“Mais dia, menos dia, esse patamar deverá ser rompido e, se o investidor estrangeiro voltar, o Ibovespa poderia buscar mais rapidamente um patamar perto de 140 mil pontos”, arrisca ele.

O fato é que, faltando apenas cinco pregões para o fechamento do mês, dólar e bolsa de valores seguem na disputa pela posição de aplicação mais rentável do janeiro no mercado de investimentos. Até o momento, a vantagem pende em favor do dólar, que acumula valorização de 4,75%, à frente da Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, em segundo, com alta de 2,36%.

O avanço da moeda americana surpreende os analistas, que esperavam um fortalecimento do real na virada do ano. Não é o que tem ocorrido, embora especialistas em câmbio afirmem não haver motivos para o dólar estar flertando R$ 4,20, após encerrar 2019 mais baixo, em R$ 4.

Uma das explicações para o fôlego da moeda americana é também a ausência do investidor estrangeiro, que, ao contrário do que se esperava, não voltou ainda com seus dólares para a compra de ações na bolsa de valores, a B3.

Com o capital externo fora, o que restringe a oferta de dólares, o mercado fica inclinado a operações especulativas, reforçando o movimento de vaivém das cotações. “Pelas notícias que estão aí, na política e na economia, o dólar deveria estar rodando em torno de R$ 4,10 e até R$ 4,08”, conclui Cavalcante.

Como fechou a sexta-feira cotado por R$ 4,19, o dólar teria espaço para descer a patamares mais baixos. Sobre a perspectiva de que venha fazer o caminho de volta para R$ 4, nível com que iniciou o ano, Mauriciano vê essa possibilidade apenas com a volta de capital estrangeiro, com grandes volumes de recursos, ao mercado de ações.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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