Como foi novembro e as perspectivas para as aplicações em dezembro

Regina Pitoscia

03 Dezembro 2018 | 00h13

(*) Com Tom Morooka

As cartas estão na mesa para o jogo de dezembro: inflação acomodada, perspectiva de manutenção da taxa básica da economia em 6,5% ao ano, alta dos juros nos Estados Unidos abaixo do esperado, expectativas em relação às propostas econômicas que devem pautar os rumos do novo governo a partir de 1º de janeiro. Elementos que, em sua maioria, sugerem gás para o mercado de ações e tendem a tirar o fôlego do dólar que, no mês passado, foi a aplicação mais rentável, com alta de 3,64%.

Retrospectiva de novembro

Ainda que a atenção dos investidores estivesse dirigida a fatos políticos e econômicos no quadro doméstico, no mês seguinte à eleição de Jair Bolsonaro como novo presidente, o desempenho de dólar e bolsa foi influenciado principalmente pelo cenário de incerteza internacional.

Novembro foi marcado pela expectativa sobre novos aumentos na taxa de juros nos Estados Unidos e a falta de ideias mais claras em torno do governo do presidente eleito, que devolveram gás ao mercado de dólar. Houve saída de grande volume de capitais externos, principalmente dos que estavam investidos em ações, o que pressionou as cotações da moeda para cima.

Dados da Bolsa de Valores de São Paulo apontam que apenas da B3, como é chamada também a bolsa de valores, os investidores estrangeiros retiraram R$ 10 bilhões em novembro, até o dia 26.

A escalada do dólar, que saiu de R$ 3,75 para R$ 3,92 em cinco dias, atraiu o Banco Central (BC), que ofertou a moeda americana em leilões com compromisso de recompra. A ação do BC tirou parte do fôlego de alta da moeda, que perdeu força também com a indicação do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de que a taxa de juros americana deve subir menos que a sinalizada anteriormente pelo próprio Fed.

Foi o que bastou para reanimar o mercado de ações e assegurar fechamento positivo em novembro, mês em que a expectativa esteve voltada à montagem da equipe econômica do novo governo e a possíveis anúncios de novidades nas reformas econômicas, que não vieram.

A demora na divulgação de propostas econômicas, sobretudo mudanças nas regras de aposentadoria para conter o crescente déficit público, para resolver os principais problemas do País, foi um dos fatores que inibiram as compras na bolsa e maior valorização das ações.

Renda fixa

No mercado de renda fixa, em que a referência de rendimento continua sendo a taxa Selic de 6,50% ao ano, o alento do aplicador veio dos sinais de queda mais forte da inflação.

O último boletim Focus, com projeções de analistas e economistas do mercado financeiro consultados pelo BC, aponta para uma deflação ou variação negativa de 0,06% em novembro, como reflexo do recuo dos preços de energia elétrica e combustíveis.

Nesse cenário favorável aos preços desses dois itens com forte peso na inflação e ajudado também pela queda do dólar, o IGP-M (índice Geral de Preços do Mercado) de novembro, divulgado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) na sexta-feira, teve variação negativa ou deflação de 0,49%. O IPCA (índice que mede a inflação oficial) de novembro deverá seguir o mesmo caminho e ser divulgado pelo IBGE até 10 de dezembro.

Tudo indica que a perspectiva positiva para a inflação vai estender-se para o último mês do ano, já que é bastante provável que a conta de luz volte à bandeira tarifária verde em dezembro e o consumidor fique sem a cobrança adicional na conta de energia elétrica.

A inflação estimada para dezembro, sem considerar ainda a provável mudança de bandeira tarifária para verde, está em 0,19%, por enquanto, de acordo com o relatório Focus.

Com inflação negativa ou próxima de zero, o rendimento nominal da renda fixa, que anda bastante mirrado, poderá chegar ao bolso do aplicador quase na totalidade como ganho real.

Perspectivas para dezembro

É nesse cenário projetado para inflação e juros que o mercado de renda fixa começa o último mês do ano que marca, para os dias 11 e 12, a derradeira reunião de 2018 do Comitê de Política Monetária (Copom). A aposta geral é que a taxa Selic seja mantida em 6,50% ao ano.

Especialistas veem também um cenário positivo para quem investe em renda variável, principalmente no mercado de ações, sobretudo do ponto de vista das condições externas. O entendimento é que a sinalização do Fed de que os juros americanos subirão menos afasta uma das principais fontes de incerteza que vinham inibindo o mercado doméstico de ações.

A torcida é que essa indicação estimule a volta do investidor estrangeiro à compra de ações no Brasil, movimento que daria suporte à valorização da bolsa de valores no fechamento do ano.

Em contrapartida, o dólar poderia escorregar para níveis mais baixos, algo em torno de R$ 3,70 a R$ 3,60, projetados para o período pós-eleitoral, mas frustrados pelo aumento de incertezas no cenário internacional. Uma trajetória que dependeria também de novidades ligadas à política ou à economia no quadro doméstico.

Ranking das aplicações

Confira a posição das aplicações na corrida dos investimentos em novembro, de acordo com os cálculos do administrador de investimentos Fabio Colombo.

Aplicação                                                   Rendimento

1º – Dólar                                                        3,64%

2º – Euro                                                         3,54%

3º – Ouro                                                        3,23%

4º – Bolsa de valores                                    2,38%

5º – Fundos DI                                              0,40% a 0,55%*

6º – Fundos de renda fixa                           0,40% a 0,55%*

7º – CDBs                                                       0,35% a 0,50%*

8º – Caderneta                                              0,37%

9º – Títulos indexados ao IPCA                 0,15 a 0,30%**

10º – IPCA                                                   – 0,08%***

11º – IGP-M                                                 – 0,49%

Obs.: * rendimento bruto

** indicativo

*** estimativa