Como o coronavírus pode afetar o rendimento da caderneta

Regina Pitoscia

29 de janeiro de 2020 | 01h44

Embora possam parecer assuntos totalmente distintos e desconectados, a ameaça do coronavírus à saúde mundial pode sim contribuir para uma nova queda do rendimento da aplicação financeira mais popular do País.

O receio é o de que medidas do governo chinês para conter a propagação do vírus provoquem impactos negativos não só em sua economia, mas acabem se espalhando por todo o planeta, travando qualquer reação da economia global, que já vem mal das pernas.

Se existe essa perspectiva de mais dificuldades para o desenvolvimento econômico global, aqui os diretores do Banco Central, que formam o Comitê de Política Monetária, passaram a contar, por conta disso, com mais um motivo para promover novo corte no juro básico da economia em sua próxima reunião, no dia 5 de fevereiro. A queda da taxa é tida como um impulso adicional à retomada mais forte do crescimento do País, com o crédito mais barato para a produção e o consumo. Além disso, a inflação dá sinais de que perdeu fôlego.

Por isso, ganhou força no mercado financeiro a expectativa de que a Selic venha cair dos atuais 4,5% para 4,25% ou até 4% ao ano na próxima semana. Se a taxa cair, o rendimento da poupança, que corresponde a 70% dela, vai junto.

Atualmente, a caderneta paga 0,26% ao mês ou 3,15% ao ano. Uma rentabilidade que pode deslizar para 2,98% ou 2,80%, dependendo do nível em que ficar a Selic. Mesmo pagando o que é considerado hoje o piso de remuneração do mercado, muita gente ainda fica com o dinheiro estacionado em caderneta, sendo que há outras opções tão seguras quanto ela, mas pagando mais.

A explicação para tal comportamento, segundo o professor de Finanças do ISAE Escola de Negócios, Pedro Salanek, está ligado ao aspecto de segurança inerente a essa aplicação. “Quando o brasileiro fala em guardar dinheiro, ele pensa muito mais na segurança de ter esse dinheiro reservado do que no ganho em si.”

Quem pretende encontrar um retorno mais interessante para o seu dinheiro precisa mudar de postura. “É necessário que as pessoas pensem qual o seu apetite ao risco, quem topa correr mais riscos mostra que é um investidor mais preocupado com rentabilidade”, diz ele.

Mas mesmo sem sair do território da renda fixa, longe da vulnerabilidade e oscilações das aplicações em renda variável como ações, o mercado financeiro oferece opções mais rentáveis do que a poupança. Em termos de segurança, não ficam devendo nada à caderneta, porque são igualmente cobertas pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Com ele, em caso de quebra do banco que emitiu o papel, o aplicador tem de volta até R$ 250 mil, por CPF e em cada banco. Existe ainda um teto de pagamento de garantia de R$ 1 milhão, aplicado na hipótese de quebrarem diferentes bancos em um período de até 4 anos.

Uma ferramenta que pode ajudar a garimpar os investimentos mais rentáveis na renda fixa é o buscador Yubb (www.yubb.com.br). Nele, basta clicar na opção desejada, se CDB, RDB, Letras de Câmbio, Títulos do Tesouro, Letras do Crédito Agrícola (LCA), Letras de Crédito Imobiliário (LCI), Letras Financeiras ou Debêntures. Depois é só informar nos campos o valor da aplicação e o prazo pretendido.

Em segundos, o buscador lista quais são os papeis mais rentáveis naquele momento, indicando qual a instituição financeira que emitiu o título, qual a plataforma de investimento que está oferecendo aquele papel, atém de trazer de forma clara qual o rendimento bruto e líquido do aplicador, uma comparação com o que é pago pela caderneta e ainda o grau de risco da aplicação. Tudo isso sem custo nenhum. Se a pessoa se interessou por algum título e decidir aplicar, o Yubb é remunerado por esse encaminhamento para a plataforma que está ofertando o papel, mas não cobra nada do aplicador.

Em uma rápida pesquisa nesta terça-feira, dia 28, foi possível encontrar CDB para prazos bem curtos, de 1 a 6 meses, e com remuneração acima da caderneta. Vale notar que, mesmo para aplicações de um mês, é possível ter um rendimento superior ao da poupança. Nos investimentos por seis meses, o rendimento do papel chega a ser 64% superior aos 3,15% da caderneta.

                                              Mais rentáveis no curto prazo

Prazo – 1 mês

Emissor                       Plataforma    Rend. líquido a.a.  Aplicação min. R$

Bco Daycoval                  Daycoval                    4,05%                           5 mil

Bco Pan                            Pan                             4,01%                            100,00

 

Prazo – 2 meses

Emissor                       Plataforma    Rend. líquido a.a.  Aplicação min. R$

Bco Sofisa                       Sofisa Direto              3,31%                           1,00

Bco Pine                          Pine Online                3,28%                          500,00

 

Prazo – 3 meses

Emissor                       Plataforma    Rend. líquido a.a.   Aplicação min. R$

Ourinvest                        Ourinvest                  4,36%                             1 mil

Bco Sofisa                       Sofisa Direto             4,25%                             1,00

 

Prazo – 4 meses

Emissor                       Plataforma    Rend. líquido a.a.  Aplicação min. R$

Bco Máxima                   Nova Futura              3,86%                           500,00

Bco Máxima                   Easynvest                   3,86%                           1 mil

 

Prazo – 5 meses

Emissor                       Plataforma    Rend. líquido a.a.  Aplicação min. R$

Bco Máxima                    Easynvest                  4,21%                            2.213

Omni Bco                         Easynvest                  4,21%                            3.303

 

Prazo – 6 meses

Emissor                       Plataforma    Rend. líquido a.a.  Aplicação min. R$

Bco Máxima                   Nova Futura              4,97%                           500,00

Bco Máxima                   Órama                         4,97%                           5 mil

Fonte: Yubb

 

 

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.