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Como o crédito consignado pode preservar empregos

Regina Pitoscia

03 de abril de 2020 | 00h28

Embora o governo tenha editado medida provisória, que permite a redução de jornada e salário, mas com uma contrapartida de complementação de renda, tudo para evitar demissões, há outras saídas que também podem ajudar na manutenção de empregos, pelo menos, durante a tormenta do coronavírus.

Uma opção para o enfrentamento da crise no mercado de trabalho é o crédito consignado. O financiamento a ser concedido aos empregados da inciativa privada poderia suprir a redução do salário ou até mesmo a falta total de seus vencimentos. A fintech Paketá saiu na frente oferecendo às empresas novos formatos dessa linha de crédito para atravessar esse período mais difícil.

O crédito consignado é oferecido a aposentados e pensionistas do INSS, a funcionários públicos e a empregados do setor privado. Em comum, todos eles recebem sua renda por meio de folha de pagamento, com crédito em conta corrente.  E para que funcionários de uma mesma empresa tenham acesso a esse dinheiro, que é mais barato que do cheque especial, do rotativo do cartão de crédito e do crédito pessoal, é preciso que haja um convênio entre o patrão e a instituição financeira que vai liberar os recursos.

A ideia básica para o enfrentamento da crise no mercado de trabalho está ligada à concessão do crédito consignado como forma de garantir o pagamento do salário integral, ou de parte dele, de acordo com a realidade da empresa e seus funcionários. Fabian Valverde, presidente da Paketá explica que o empréstimo é feito em condições mais favoráveis ao tomador do crédito e formatado sob medida para a empresa.

Para isso, antes de conceder o financiamento, a fintech presta uma consultoria às empresas interessadas. São feitas análises sobre suas condições financeiras, suas necessidades, e a situação de seus empregados, para que se possa chegar ao valor ideal a ser levantado pelo consignado, no sentido de permitir à empresa contornar a situação sem a necessidade de demissões.

Valverde afirma que “muitas vezes o empresário se vê pressionado e sem recursos para pagar os salários, e toma medidas precipitadas de demissão, sem analisar outras saídas para a situação”. Ele cita o caso concreto em que, com o consignado, foi possível evitar um corte de 1,5 mil empregados de uma determinada empresa.

Essa empresa, com 10 mil funcionários, tinha como principal dificuldade conseguir recursos para bancar verbas referentes a horas extras e adicionais noturnos. Com o estudo da situação, a fintech concluiu que para colocar em prática as 1,5 mil demissões, seria necessário o desembolso de R$ 20 milhões para o pagamento das respectivas indenizações, além de despesas para o treinamento do pessoal a ser contratado assim que as atividades econômicas voltarem ao normal.

Como opção às demissões sumárias, a orientação inicial foi para conceder férias e licenças para quem contasse com esse direito. Em conjunto com essa medida, ficou decidido que os recursos provenientes do consignado seriam para a complementação do salário. Mais precisamente para o pagamento de horas extras e adicionais noturnos. Com isso, a empresa não precisou demitir ninguém e teve condições de manter o valor dos salários.

Para o empregado foram oferecidas algumas facilidades, como a carência de quatro meses para o início do pagamento das prestações, e a taxa de juro ficou em 2,10% ao mês.

O mesmo modelo pode ser aplicado a uma empresa que esteja pretendendo garantir o salário integral, ou interessada em socorrer seus fornecedores segundo o presidente da Paketá. “Também fazemos pesquisas com os empregados para identificar suas principais necessidades, para podermos aplicar o consignado de forma cada vez mais criativa”, afirma ele.

Além da consultoria financeira, a fintech tem se colocado à disposição de empresas que foram forçadas a trabalhar de modo remoto, da noite para o dia, sem ter o conhecimento ou estrutura de tecnologia para implementar o home office. As orientações, desde as mais básicas até a sugestão de melhores sistemas a serem usados, podem ser conseguidas com a equipe da Paketá, de forma gratuita. Quem tiver interesse deve entrar no site www.paketa.com.br, para mais informações sobre esse serviço.

Plataforma de investimentos

Para aumentar a captação de recursos e incrementar essas operações de crédito consignado, a Paketá criou uma plataforma que reúne investidores, como fundos de investimentos, grande empresas e famílias com grandes fortunas, de um lado, e empresas que querem levantar consignado para seus empregados, de outro.

O formato foi batizado de CaaS (Consignado as a Service), ou Consignado como Serviço. Nele, a fintech fica responsável por toda a operação dos empréstimos consignados, gestão da carteira de crédito e relacionamento com as empresas.

Para os investidores, a opção reúne boa rentabilidade e baixo risco. “Os fundos, family offices e donos de grandes empresas, em vez  de destinar seus recursos em aplicações tradicionais, com baixo rendimento, terão a oportunidade de aplicar seu capital em uma operação de consignado, em que e o risco é o de não pagamento dos salários aos funcionários pela empresa”, explica o executivo.

A Paketá possui R$ 240 milhões de crédito disponível para os empregados registrados em carteira de empresas conveniadas. A meta da fintech é chegar a R$ 1 bilhão em empréstimos em até cinco anos. Hoje, ela conta com uma base de possíveis tomadores de crédito composta por mais de 8 mil funcionários de diversas empresas, de todos os tamanhos.

 

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