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Consignado é um crédito barato. Por que ainda não decolou no País?

Regina Pitoscia

16 de outubro de 2019 | 00h51

Ainda que seja uma das linhas de crédito mais baratas, o consignado é pouco usado em comparação com outras modalidades oferecidas pelo mercado. Segundo o diretor-executivo da fintech Consiga+, especializada em consignados para empregados do setor privado, Victor Loyola, pelos dados do Banco Central o total emprestado pelo crédito pessoal está em R$ 180 bilhões, enquanto pelo consignado, em R$ 20 bilhões.

E qual seria, então, o motivo para essa baixa adesão ao empréstimo com taxas de juros mais baixas? A resposta é simples, afirma o diretor: os bancos tradicionais têm uma margem estreita (lucro mais baixo) quando trabalham com o consignado, portanto não têm lá muito interesse em oferecê-lo aos clientes.

Não é todo mundo que tem acesso a ele, porque uma das condições é que o interessado precisa receber a renda por meio de folha de pagamento com depósito em conta corrente. Dessa forma, o consignado é concedido ao aposentado que recebe os benefícios pelo INSS, ao funcionário público e ao empregado de empresas do setor privado que têm o seu salário creditado na conta bancária.

Loyola explica que por ter risco baixo de inadimplência, uma vez que as prestações são descontadas diretamente da folha, antes de o salário ou a aposentadoria chegar ao bolso do devedor, o consignado pode cobrar juros mais baixos.

Considerando as três modalidades e os cinco maiores bancos do mercado, eles podem variar bastante de 1,1% ao mês até 4,84% ao mês, conforme tabela a seguir. Já no crédito pessoal, de acordo com Loyola, as taxas ficam em 6,9% ao mês ou 90% ao ano, na média. Em relação ao que é cobrado no cheque especial, em torno de 12% ao mês ou 290% ao ano, e no rotativo do cartão, de 10% ao mês ou 214% ao ano, a diferença é significativa.

O executivo esclarece que mesmo no consignado ao setor privado a variação de taxa também pode ser grande, porque aí entram em sua composição o perfil tanto da empresa como do cliente que vai tomar o crédito. Por exemplo, em empresas em que a rotatividade de funcionários é alta, a possibilidade de o empregado sair ou ser demitido é grande.

Quando isso acontece, o consignado é cancelado e vira outro tipo de empréstimo, geralmente crédito pessoal, com juros mais altos e risco de calote também maior. O empregado deve tomar as providências junto ao departamento de Recursos Humanos da empresa, que se encarregará de informar as mudanças à instituição financeira que, por sua vez, cuidará dos trâmites de alteração de contrato de crédito. Sem ter o desconto em folha, o devedor passará a pagar suas prestações por meio de boleto.

O histórico de crédito do empregado também será considerado, seu nível de endividamento, se tem o nome negativado nos serviços de proteção ao crédito, ou se sempre pagou em dia seus compromissos. Claro, quanto melhor esse histórico, mais baixos serão os juros, podendo cair até 1,8% ao mês ou 24% ao ano, nesse caso, nas operações feitas pela Consiga+.

Mesmo quem tem nome sujo na praça ou apontamento de inadimplência em seu perfil vai conseguir condições melhores de empréstimo no consignado, no qual não há restrições para a liberação do dinheiro. Victor diz que se for ao mercado, além de ter dificuldades em obter o empréstimo, um consumidor com esse perfil de crédito terá de sujeitar-se a juros altíssimos.

Só para ter uma ideia, a Crefisa, uma das financeiras mais populares que concedem empréstimo pessoal a quem está negativado, cobra uma taxa de 21,74% ao mês ou 959% ao ano, ficando na segunda posição de juro mais alto do mercado. Só perde para o JBCred, com juros de 26,02% ao mês ou 1.504% ao ano. Definitivamente, é para o tomador de crédito não sair do atoleiro.

O empregado que tiver interesse em levantar um consignado precisa se informar na própria empresa se há convênios fechados com alguma instituição financeira para fazer a solicitação. Pode haver convênio com mais de uma e aí o candidato deve comparar e avaliar as condições, taxas de juro, prazos, custo efetivo total (CET), que inclui outras despesas para a concessão do crédito, para decidir qual a melhor opção.

No quadro abaixo, foram considerados os juros mais baixos, os do cinco maiores bancos e os mais altos do mercado, na virada do mês de setembro para outubro.

Crédito consignado taxa ao mês

Aposentado                                    Func. público                                Empregado setor privado

Bco Est. RS        1,45%                  Bco Sicredi      1,11%                    Daycoval          1,14%

CCB Brasil         1,45%                  Bco NE             1,20%                   Bco NE             1,29%

Bco Inter           1,47%                   Bradesco          1,26%                   Bancoob          1,35%

Bradesco           1,57%                    BBrasil             1,39%                   Caixa                1,80%

Caixa                  1,64%                   Santander       1,40%                   BBrasil             1,94%

Itaú                     1,85%                   Caixa                1,43%                   Bradesco          2,13%

BBrasil                1,88%                  Itaú                  2,10%                   Santander        2,40%

Santander          1,97%                   Socinal            3,56%                   Itaú                   2,76%

Facta                   2,11%                   Portocred       4,42%                   Portocred         4,40%

Via Certa            2,13%                   Facta               4,65%                   Lecca               4,84%

Fonte: Banco Central

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