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Crédito consignado: as facilidades e as diferenças

Regina Pitoscia

27 de fevereiro de 2019 | 00h32

O mercado oferece três tipos de crédito consignado, aquele que é concedido a quem recebe sua renda por meio de folha de pagamento com crédito em conta corrente: aos aposentados, aos funcionários públicos e aos empregados de empresas do setor privado.

São linhas de financiamento que estão entre as mais baratas do mercado, com juros inferiores a 3% ao mês, ou 42% ao ano. Níveis bem abaixo dos que são cobrados, por exemplo, no rotativo do cartão de crédito, em torno de 10% ao mês ou 214% ao ano, ou do cheque especial, em torno de 12% ao mês ou 290% ao ano.

Os juros mais camaradas no consignado decorrem das garantias envolvidas na operação. Como as parcelas são descontadas da renda do devedor ainda na folha de pagamento, antes mesmo que chegue ao seu bolso, o risco de calote é muito baixo.

Mesmo entre as três modalidades de consignado há diferença de taxas de juros. E a razão é a mesma, o grau de risco de inadimplência. A que é oferecida ao servidor público, geralmente, tem a taxa mais baixa, porque pode contar com a estabilidade do devedor em seu emprego e na manutenção de seus rendimentos. Os cinco grandes bancos – Bradesco, Itaú, Santander, Banco do Brasil e Caixa – cobram taxas entre 1,53% e 2,16% ao mês nessa linha.

Em seguida, vem a que está disponível aos aposentados, com uma taxa um pouco mais elevada, mas ainda bem baixa, entre 1,71% e 2,06% ao mês, nas mesmas instituições. Afinal, as mensalidades serão debitadas da aposentadoria ou pensão do devedor.

É dos empregados do setor privado que são cobrados os juros mais altos dentro do segmento de consignado, entre 2,14% e 3,05% ao mês – mesmo assim, mais baixos que outros tipos de empréstimos. Em tese, existe aí um risco maior, o de o devedor ser demitido e ficar sem condições de pagar seus compromissos. Situação em que hoje se encontram cerca de 12 milhões de brasileiros.

Na tabela a seguir, é possível conferir o que as cinco maiores instituições financeiras cobram no consignado ao setor privado.  Entre todos os bancos que informam os juros do crédito ao Banco Central, o mais baixo nessa mesma linha de financiamento é o Banco do Nordeste do Brasil, de 1,19% ao mês ou 15,25% ao ano, e o mais alto é da HS Financeira, de 6,80% ao mês, ou 120,13% ao ano.

Consignado setor privado

Banco                               Taxa a.m           Taxa a.a.

Banco do Brasil                    2,14%                28,88%

Caixa                                      2,18%                29,49%

Bradesco                               2,40%                32,89%

Santander                             2,63%                36,58%

Itaú                                        3,05%                 53,33%

Fonte: Banco Central, no período de 6 a 12 de fevereiro

A diferença dos juros cobrados no consignado é muito acentuada em relação ao cheque especial, ao rotativo do cartão e até em relação ao crédito pessoal para ser desprezada. Portanto, quem tiver acesso a esse tipo de crédito, porque recebe sua renda por meio de folha de pagamento e depósito em conta corrente e estiver precisando de financiamento, deve dar prioridade ao consignado.

Consignado online

Para tentar atrair clientes, a Creditoo – uma fintech que oferece crédito pela internet e até pelo whatsapp – decidiu oferecer o consignado aos empregados do setor privado e a juros competitivos, a partir de 1,50% ao mês ou 19,56% ao ano. Essa taxa chega a 2,99% ao mês ou 42,41% ao ano, dependendo do perfil de crédito do interessado.

Trata-se do Custo Efetivo Total (CET) da operação, porque nele já estão incluídos impostos e outras despesas. O empréstimo pode ser feito em um prazo que varia de 3 a 48 meses e até um teto de R$ 50 mil.

Qualquer pessoa registrada em regime de CLT, com carteira assinada, há pelo menos três meses pode pedir dinheiro emprestado na Creditoo. Se a empresa em que trabalha não é conveniada, a Creditoo entra em contato com o RH e oferece a parceria.

A partir de dados pessoais será feita uma análise de crédito do interessado, quer dizer, da sua capacidade de pagamento da dívida. Depois da avaliação, a fintech decide se concede ou não o empréstimo e também define o valor, sendo que a prestação não pode comprometer mais do que 30% da sua renda. A concessão é feita mesmo para quem está com o nome sujo na praça.

Para as empresas a parceria representa um benefício, porque poderá ajudar o seu empregado a sair do vermelho, com uma taxa baixa e em condições que cabem no seu bolso. Ao mesmo tempo, isso pode representar maior produtividade para quem retira as pressões de dívidas do seu dia a dia. E não há custos para firmar esse convênio com a fintech.

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