Cuidar da saúde é cuidar da economia

Regina Pitoscia

25 de março de 2020 | 01h09

Nesses tempos de coronavírus, cuidar da saúde é cuidar da economia. Um assunto está diretamente ligado a outro. A começar pelo fato de que quanto mais cuidados tivermos para impedir a disseminação da doença, menor tende a ser o período de crise, de paradeira na economia e, portanto, de prejuízos no nosso bolso. Além disso, menos pessoas doentes ocuparão os leitos nos hospitais, reduzindo os custos para o tratamento e poupando vidas.

Sabidamente, o País não conta com os mesmos recursos de realização de testes em toda a sua população, método usado com sucesso na Coreia do Sul, o país que apresentou os melhores resultados no enfrentamento da doença.

Quer queira, quer não, nossa principal estratégia é a de ficarmos em casa. Boa parte da população, especialmente nos grandes centros, parece ter entendido a importância do isolamento social. Fica mais difícil, no entanto, reconhecer os riscos em cidades em que a doença sequer apareceu.

Por números oficiais do Ministério da Saúde, até ontem, dia 24, o País somava 2.201 casos confirmados e 46 mortes pelo coronavírus. O total de infectados deve ser bem maior, porque não são feitos testes em todos os casos suspeitos. O que reforça ainda mais a necessidade de reduzir o máximo possível os deslocamentos.

Segundo o secretário do Ministério da Saúde, João Gabbardo dos Reis, a evolução da doença está dentro das previsões feitas com base em situações de outros países. Aqui, o crescimento de casos é de algo de 33% ao dia, o que significa que a cada três dias o total de infectados tende a dobrar. Não há o que questionar sobre as evidências da seriedade da situação, por isso sua recomendação é de que as pessoas sintomáticas permaneçam em casa.

A previsão do ministro da Saúde, Luiz Mandetta, é a de que haja um crescimento rápido daqui para a frente e a doença atinja o seu pico no final de abril. Momento em que o sistema de saúde estará atendendo o maior número de doentes, e poderá entrar em colapso, nas palavras dele, caso não se faça nada para conter o seu avanço. Outro forte argumento para que se respeite a quarentena.

Governos estaduais e prefeituras determinaram quarentena, com fechamento do comércio, exceto para os serviços essenciais. Em algumas cidades há restrição expressa de circulação de pessoas com mais de 60 anos, como em Porto Alegre, onde é permitido ir apenas ao médico, ao mercado e à farmácia, caso contrário, poderá haver multa der até R$ 417.

Na contramão de toda essa mobilização, de forma totalmente irresponsável, o presidente Bolsonaro, em seu pronunciamento de ontem a toda nação, novamente desdenhou da gravidade da propagação da doença. Questionou a necessidade de suspender as aulas e deixar as crianças fora da escola, se a infecção atinge mais as pessoas com 60 anos. E isso quando se sabe que as crianças que não apresentam os sintomas e, por isso, podem facilmente passar o vírus para seus avós, tios…

O presidente parece estar mais preocupado com as consequências sobre a economia do País, que serão duríssimas não há dúvidas, mas há que se colocar a preservação da saúde em primeiro lugar.  Afinal, se é possível sair de uma recessão, ainda que leve anos ou décadas, será impossível recuperar vidas.

Nossa parte

Mas cada um pode e deve continuar fazendo a sua parte ficando em casa. Isso não é brincadeira, não é a “gripezinha” ou o resfriadozinho do presidente Bolsonaro.

Além do isolamento, observar as orientações de lavar as mãos com água e sabão, ou álcool em gel se estiver na rua. A água com sabão comprovadamente é mais eficiente que o álcool. Não levar as mãos à boca, olhos ou nariz. Limpeza e higienização da casa, cuidados ao sair como o uso de luvas, por exemplo e ao chegar em casa, trocar de roupa, de sapato.

Atenção especial deve ser dada aos idosos, que estão no grupo de risco, sem esquecer que a doença atinge os mais jovens. Na Noruega, 32% das pessoas internadas têm menos de 50 anos. A primeira morte registrada no Amazonas, ontem, é de um homem de 49 anos. Sem falar que há registro de óbitos em adolescentes e crianças, ainda que muito pequeno.

O sacrifício de ficar em casa, isolado, tende a compensar. Mais rapidamente poderemos sair dessa situação dramática. Já são mais de 420 mil infectados e cerca de 19 mil mortes em todo mundo. Mas se tomarmos os devidos cuidados, poderemos chegar onde está a China que, depois de 4 ou 5 meses do surgimento da doença, praticamente zerou a ocorrência de casos novos.