Covid-19

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Desemprego vai aumentar, é bom ter um plano B

Regina Pitoscia

13 de maio de 2020 | 03h20

O governo deve divulgar hoje sua nova estimativa de desempenho do Produto Interno Bruto (o PIB que mede a produção total de bens e serviços no País), em 2020. E tudo indica que ela vem ratificar o que o mercado financeiro já projeta há algumas semanas, uma queda da atividade econômica superior a 4%. A previsão anterior da equipe econômica era a de que o número ainda fosse positivo, de 0,02%.

No entanto, desde meados de março, quando a pandemia levou à adoção do isolamento social com o fechamento do comércio e de muitas empresas, o desempenho econômico está vindo ladeira abaixo, com consequências desastrosas no nível de emprego.

Pelos levantamentos do IBGE, a taxa de desemprego no País no primeiro trimestre do ano ficou em 12,2%, o que representa cerca de 13 milhões de pessoas fora do mercado de trabalho. E com essa paradeira da economia, os números poderão aumentar, e muito.

Dentro do próprio governo, há quem estime que até o fim do ano o contingente de desempregados chegue a 20 milhões. E não estamos sozinhos neste barco, em nível mundial, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) projeta que nada menos de 1,5 bilhão de pessoas vão perder o emprego em consequência do coronavírus.

Tendo esse cenário dramático pela frente, vale a pena começar desde já a pensar em um plano B. O professor Marco Antônio Cordeiro, coordenador do curso de Ciências Contábeis das Faculdades Anhanguera, concorda que o momento atual de novos modelos de trabalho e reclusão é complicado, mas que deve ser aproveitado para reflexões e uma série de iniciativas positivas.

“As pessoas devem aproveitar para ter um maior conhecimento de sua própria vida, para olhar questões práticas como o controle do orçamento, do fluxo de despesas, da real dinâmica de sua casa”, diz ele. Tudo como forma de preparação para tempos difíceis, mas com uma postura proativa.

O professor traça um paralelo de alguém que costuma andar de bicicleta como algo automático, mas sem reparar nos movimentos que precisa fazer, com os braços, as pernas, sem olhar se os pneus estão em boas condições, o freio e outros componentes. “É hora de olhar tudo isso”.

Em relação às questões financeiras, mesmo para quem já faz o acompanhamento de suas contas, o novo estilo de vida poderá levar a descobertas em relação a gastos com transportes, alimentação fora de casa, por exemplo. “Se a tendência é economizar com esses itens, deve haver uma sobra de dinheiro, que poderá ser empregada em outras despesas ou até poupada”.

Além da economia a ser obtida de imediato, esse olhar mais atento às finanças também leva a uma reflexão sobre hábitos que podem ser abandonados no pós-pandemia em benefício das finanças pessoais.

Se há essa perspectiva de queda de renda, seja em consequência de demissão ou redução salarial por negociação com o patrão, o desafio é encontrar opções para atravessar o período mais tenebroso.

Para quem foi demitido, por exemplo, Marco Antônio orienta usar parte da rescisão para desenvolver alguma atividade, que esteja em alta em decorrência do novo contexto. E estamos falando aqui de atividades bem básicas, que exigem recursos relativamente baixos para iniciar um negócio, mas que estarão em alta por conta da situação.

Ele cita como exemplo alguém que receba R$ 6 mil de rescisão de contrato. Essa pessoa pode comprar uma scooter ou moto, de segunda mão, de R$ 2 mil, e começar a fazer entregas, de alimentos e remédios, já que as pessoas não estão podendo sair de casa. Os R$ 4 mil restantes precisam ser cuidadosamente administrados enquanto não há entrada de dinheiro com a nova atividade.

Outra ideia é usar parte da rescisão na compra de um jogo de panelas para produzir e vender comida pronta, uma vez que os restaurantes estão fechados. E há opções que não exigem sequer investimentos, porque dependem mais da habilidade de cada um, como cuidadores de idosos ou crianças, ou ainda como um ajudante na organização de armários, papeladas, na residência de quem precisa.

Quem dominar a área de tecnologia pode ensinar como usar o computador a pessoas que não sabem ou têm dificuldades, ou como fazer lives, criar tutoriais. Muita gente dentro de casa vai precisar desses serviços agora dentro de casa para se comunicar, alerta ele.

“O importante é ter disposição, não ter vergonha ou restrições em desenvolver outras atividades com as quais não tinha familiaridade”, afirma o professor.

O mesmo tipo de orientação pode ser seguido para quem teve um corte nos rendimentos e está em busca de uma complementação. Já o empreendedor individual precisa tomar outras providências e se antecipar às dificuldades de pagar seus compromissos. Nesse caso, a orientação é procurar os credores o quanto antes para uma renegociação, parcelamento ou adiamento do pagamento.

 

 

 

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