Dinheiro mais barato atrai interesse para investir em negócio próprio

Regina Pitoscia

19 de junho de 2019 | 01h11

O brasileiro está buscando empréstimos com taxas mais baixas para acertar suas dívidas e, com isso, ter controle maior de seu orçamento, segundo dados da fintech Geru, primeira plataforma de empréstimos online do País. Até aí, nenhuma novidade diante do quadro de aperto financeiro atual.

O que surpreende, no entanto, é que quase na mesma proporção o interesse pelo financiamento está ligado ao início ou ampliação de negócio próprio. Com mais de 13 milhões de pessoas desempregadas no País, os empréstimos podem ser opção para driblar a falta de vagas no mercado, por meio da busca por pequenos e médios negócios.

Do total de pessoas que recorreram ao financiamento pela Geru, de janeiro a abril deste ano, 24,85% afirmaram ter a intenção de equilibrar suas contas, enquanto 23,41% buscaram o empréstimo para empreendimentos.

Em relação ao mesmo período do ano passado houve um crescimento de 16,85% no uso do dinheiro para esse tipo de investimento. “Os empréstimos para pequenos empresários são extremamente caros e difíceis de obter, o que torna um empréstimo pessoal com taxas mais baixas excelente para este público”, explica Tatiana Floh, diretora de operações da Geru.

“Quando players do mercado, principalmente os bancos, começam a enxugar as oportunidades de crédito, os microempresários e profissionais liberais são os primeiros a sofrer com pedidos negados e cobrança de taxas altas”, explica a especialista.

Fazer reformas em casa foi apontada como a terceira maior motivação para os pedidos, com 13,45%. Segundo a empresa, o número nessa área tem crescido nos últimos dois anos. Em 2018, essa parcela foi de 11,12%, enquanto em 2017 o índice foi de 8,65% no total de solicitações recebidas pela plataforma digital.

Os empréstimos concedidos para compras em geral e para carros representam metade ou menos dos pedidos. Para Floh, o brasileiro tem uma cultura de crédito voltado para o consumo e esses são fatores que levam os tomadores a buscar empréstimos.

“As linhas de crédito mais acessíveis são as que pressupõem uma garantia atrelada, como é o caso do financiamento de veículos. A avaliação do bem pode ser desafiador pela burocracia e demora no processo e pela qualidade da garantia propriamente dita, entre outros fatores” afirma a executiva.  “Isso faz com que muitos tomadores prefiram linhas de crédito um pouco mais caras, porém com maior praticidade e agilidade na liberação do recurso”, conclui ela.

Crédito online

Na Geru, o valor dos empréstimos vai de R$ 2 a R$ 50 mil, a taxa de juro varia de 2,00% a 8,20% ao mês no crédito pessoal para pessoas físicas e profissionais autônomos, de acordo com o perfil e a capacidade de pagamento. Quanto mais seu orçamento estiver comprometido com outros compromissos, maior o risco de inadimplência e daí maior a taxa.

O processo todo para o levantamento do dinheiro é feito pela internet. Qualquer interessado, maior de idade, e com conta corrente em um dos bancos parceiros da Geru pode se candidatar ao financiamento, bastando fazer um cadastro e apresentar comprovante de residência. A empresa fará uma análise de seus dados e perfil, de modo a encontrar a melhor taxa para sua condição. O site oferece um simulador que dá ideia exata de quanto ele terá de pagar por mês e em quanto tempo pelo crédito.

O empréstimo só será efetivado se o cliente der continuidade ao processo, ou seja, assinar o contrato e enviar os documentos. Após preencher o cadastro no site, em cinco minutos o cliente terá a resposta de sua pré-aprovação. Caso aprovado, em até um dia útil o dinheiro é depositado em sua conta.

A Lendico é outra plataforma que concede crédito online – o processo todo também é pela internet. Depois de fazer o cadastro e ter o crédito liberado, o dinheiro pode ser creditado no mesmo dia da assinatura do contrato, se isso for feito até as 14hs.

Os empréstimos são de até R$ 50 mil para pagamento em até 36 meses, e as taxas são a partir de 2,76% ao mês e quando incluídos impostos e outras despesas elas vão para 2,97%, o chamado Custo Efetivo Total (CET).

De janeiro a maio deste ano, a taxa de juros média nos empréstimos concedidos pela Lendico ficou em 3,78% ao mês, ou 59% ao ano. Já o custo efetivo ficou em 4,08% ao mês ou 64% ao ano. Os juros também variam na Lendico de acordo com o perfil do cliente.

De todo modo, fica claro que em ambas as fintechs, o interessado pode levantar um crédito bem mais barato que no cheque especial ou no cartão de crédito. Linhas que cobram o olho da cara e estão com juros de dois dígitos, veja tabela abaixo.

Também podem conseguir financiamento mais barato que no crédito pessoal oferecido pelos cinco grandes bancos do mercado. Neles, a taxa mensal no período de 29 de maio a 4 de junho ficou em 3,88% no Banco do Brasil; em 4,20%, no Itaú; em 4,32%, na Caixa; em 4,56% no Santander; e em 5,17% no Bradesco.

Mas sem sombra de dúvida, os juros no crédito pessoal estão em níveis mais camaradas que nas modalidades que se tornaram as vilãs do endividamento.

Juros exorbitantes (*)

Banco              Cheque Especial –  mês      Rotativo regular – ao mês (**)

Caixa                           11,84%                                10,49%

Bradesco                    12,28%                                11,56%

Itaú                             12,44%                                10,44%

BB                               12,68%                                  9,44%

Santander                 14,69%                                 11,37%

(*) Período de 29 de maio a 4 de junho

(**) Pagamento de 15% da fatura (no mínimo) no vencimento

Fonte: Banco Central

 

 

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