ESG

Coluna Fernanda Camargo: É necessário abrir mão do retorno para fazer investimentos de impacto?

Diversificação com ações globais pode reduzir riscos de perdas

Regina Pitoscia

18 de dezembro de 2019 | 02h40

Aplicar em ações de empresas estrangeiras pode ser bem mais simples do que se imagina. Ficou para trás a época em que ser acionista e participar dos resultados de uma companhia global, admirada mundialmente e com boas perspectivas de lucro, era algo restrito aos grandes investidores, envolvendo barreiras burocráticas para abertura de conta no Exterior ou ainda para o recolhimento de impostos da operação.

Um dos caminhos simplificados para ter parte de seus recursos em ativos lá fora é procurar por fundos aqui, brasileiros, com carteiras compostas por ações internacionais. Opções que se tornam atrativas em cenário de juros cada vez mais baixos e o aplicador parece disposto a assumir algum grau de risco em troca de rentabilidade mais interessante.

Desde 2013, a Geo Capital está entre as instituições financeiras que atuam nesse segmento de fundos, e conta atualmente com cerca de R$ 1 bilhão de patrimônio administrado. Mas por que comprar papeis de empresas globais se a bolsa de valores doméstica conta com perspectivas promissoras para os próximos meses?

Quem responde é o sócio e diretor de Distribuição da Geo, Gustavo Aranha: “ Ter ações lá de fora, além de diversificar, reduz o risco do aplicador”. Uma possibilidade não elimina a outra, quer dizer, a estratégia de diversificação, para ele, deve compreender tanto aplicações na bolsa daqui como nos papeis estrangeiros.

Ele lembra, por exemplo, de dois momentos em que a bolsa de valores brasileira poderia ter engatado em curva de valorização não fossem eventos como a divulgação de gravações de conversas do ex-presidente Michel Temer e o empresário Joesley Batista, em maio de 2017, e a greve dos caminhoneiros que paralisou o País, em maio de 2018. Ao pulverizar as aplicações em mercados internacionais, o investidor passa a ter condições de minimizar as perdas.

A proposta da Geo foi montar uma estrutura especializada e oferecer ao investidor a possibilidade de ser acionista de empresas que não foram fundadas nem são negociadas no País. “São marcas como Coca-cola, Nike ou Tiffany, que, embora estrangeiras, estão próximas e fazem parte da vida dos brasileiros”, afirma Aranha. Trata-se, portanto, de uma expansão de horizontes para o aplicador.

Embora a escolha das ações e gestão dos fundos fique a cargo de profissionais experientes, para participar desse mercado internacional, o investidor precisa acompanhar e entender o modelo de negócios, se enfronhar mais no assunto, orienta o executivo.

Na gestora, o processo de seleção dos papeis e formação das carteiras é submetido a um rigoroso gabarito, que não se limita olhar e analisar as grandes vedetes do mercado internacional, como Disney, Nike, Tiffany, Marriot, John Deere (tratores e máquinas agrícolas), mas principalmente identificar empresas que fazem parte da cadeia de produção de cada setor e contam com potencial de lucros.

“Nossos profissionais viajam o mundo todo atrás de empresas de qualidade, com histórico de bom retorno em décadas, que já passaram por guerras, por recessão, mas contam com boa gestão, boa rentabilidade”, explica Gustavo.

E para ganhar o status de “empresa de qualidade”, as companhias globais devem atender a três 3 requisitos fundamentais: “ter poder de preço”, quer dizer, podem oferecer seus produtos e serviços em qualquer nível de preço que o mercado sempre estará disposto a pagar; contar com a “cultura de dono”, ter a gestão focada no acionista e no longo prazo; apresentar potencial de “crescimento”, que conseguem crescer mesmo em ambientes adversos.

Existem perto de 71 mil empresas listadas nas bolsas em todo o mundo, mas cerca de 380 atendem a essas três condições ao mesmo tempo, esclarece o diretor. No entanto, o acompanhamento sistemático da Geo é feito entre as 60 melhores e, desse total, apenas as que contam com suas ações consideradas baratas, diante dos resultados que podem proporcionar, é que vão para o portfólio de seus fundos.

“A Geo é focada nisso, quer ser referência e estar entre as boas gestões de ações internacionais”, diz Gustavo. Adotando essa estratégia, a meta é proporcionar um retorno diferenciado ao aplicador por meio de seus fundos, que podem ter o rendimento em reais ou em dólar.

A taxa de administração é de 2% ao ano, e a taxa de performance é de 20% sobre o rendimento que ultrapassar a inflação americana mais 2,5% ao ano. O imposto é de 15% sobre o ganho e cobrado no resgate. A aplicação mínima é de R$ 25 mil, no entanto, o investidor precisa se autodeclarar como “qualificado”, ou seja, ter um total de investimentos a partir R$ 1 milhão.

Os fundos da Geo são distribuídos pela XP Investimentos, BTG Pactual, Genial Investimentos, Banco Safra, Modal Mais, Mirae Investimentos e Banco CSHG.

Destaques

O gestor elenca cinco ações que estão no time das empresas consideradas por ele e sua equipe como de qualidade.

Disney, por ser forte e consolidada no mundo do entretenimento, domina o conteúdo, e é competente para obter lucro com esse negócio;

Luxottica, empresa italiana que domina o setor de armações. É dona de várias marcas e redes, como Óticas Carol e Sunglass, é um tipo de empresa que cresce com altas margens de lucro;

Nike, não tem uma fábrica, mas vende a franquia da grife. Muito leve de capital e com expansão no mundo inteiro. Tem a cultura do dono;

Marriot conta com quase 30 marcas de hotel em todos os níveis. Leve em ativos. Políticas fortes de milhagem e fidelização da clientela;

Tiffany, empresa que tem domínio completo da cadeia, desde a produção de diamantes até o atendimento, com diferenciais que geram margem alta de lucro. Crescimento constante, imune a crises.

 

 

 

 

 

 

 

 

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: