Dólar em queda, bolsa em alta: o que fazer?

Regina Pitoscia

08 de julho de 2019 | 00h17

(*) Com Tom Morooka

Decididamente, a expectativa positiva com o andamento da reforma da Previdência Social no Congresso, após a aprovação do texto-base do relator Samuel Moreira na Comissão Especial, animou o mercado de dólar.

Dez em cada dez especialistas no mercado de câmbio apostam em viés de baixa da moeda americana. Uma tendência que levaria o dólar para níveis mais baixos, ao intervalo de preços entre R$ 3,75 e R$ 3,70, supostamente o novo piso de cotação que poderia vir mais abaixo, caso o avanço da reforma seja acompanhada pelo anúncio de medidas econômicas para tirar o País da estagnação.

Se existe certa unanimidade sobre a trajetória baixista de preços no câmbio, as opiniões se dividem quando o assunto é sobre o momento mais apropriado para a compra da moeda americana. Para o diretor de Câmbio da Ourominas, Mauriciano Cavalcante, quem puder esperar um pouco poderá comprar a moeda americana mais barata.

Cavalcante acredita que, à medida que a proposta de reforma previdenciária avançar no plenário da Câmara, para onde segue após passar pela Comissão, o dólar pode embicar em direção a R$ 3,75, antes de recuar para algo em torno de R$ 3,70 ou até abaixo desse nível. “Quem esperar um pouco tem grandes chances de comprar dólar mais barato.”

A análise do gerente de Tesouraria da Travelex Bank, Felipe Pellegrini, se alinha à avaliação do diretor da Ourominas. Para ele, um sentimento de animação com o avanço da reforma pode criar um clima de euforia que tenderia a levar o dólar ao patamar de R$ 3,70, mas a estratégia que sugere para quem precisa e pretende comprar dólar é diferente.

Sua dica é a tradicional compra de moeda americana aos poucos, em pequenos lotes, aproveitando os momentos de baixa dos preços. “Essa estratégia de compra faz com que se acumule um estoque de dólares formado com uma média interessante de cotações e com menos risco de perda”, argumenta.

Pellegrini não descarta a hipótese de que o dólar chegue ao fim de ano abaixo de R$ 3,60, em uma perspectiva de cenário mais otimista com a economia. Um quadro que conjugaria um ambiente de euforia na bolsa de valores, com maior fluxo de capital estrangeiro para investimento em ações – o investidor externo estaria esperando a aprovação da reforma para aportar com os recursos no País.

O ambiente e a perspectiva são positivos, mas tentar definir uma taxa futura de câmbio é sempre um exercício que embute alto risco. Na quinta-feira, dia seguinte à passagem da reforma previdenciária na Comissão Especial, a moeda americana veio abaixo de R$ 3,80, para R$ 3,77, mas fechou cotado por R$ 3,79. Já na sexta-feira, no fechamento da semana, o dólar reagiu a fatores pontuais e encerrou os negócios do dia cotado por R$ 3,82. A desvalorização na semana foi de 0,52%, que também é a do mês até agora.

Como fica a bolsa?

O avanço da reforma da Previdência Social no Congresso também teve efeitos positivos sobre o mercado de ações.

Embora o Índice Bovespa, que mede a evolução das ações de maior liquidez da B3, tenha se aprumado na direção dos 105 mil pontos, a expectativa é que as cotações nos mercados deem uma paradinha, em relativa estabilidade, na nova etapa de trajetória de reforma.

O projeto aprovado na Comissão segue agora para o plenário da Câmara, onde passa por novas sessões de debates e propostas, antes da votação final que exigirá, para sua aprovação, votos favoráveis de 308 deputados em dos turnos de votação. É possível, ainda assim, que o texto-base passe por novas alterações, mas o interesse principal dos investidores é que o processo de votação siga um calendário sem grandes percalços.

A torcida é que os debates em plenário tenham início nesta semana, provavelmente na quarta-feira, para possibilitar a votação em primeiro turno ainda antes do recesso parlamentar, que tem início previsto em 18 de julho.

O mercado financeiro vai acompanhar atentamente os embates de propostas travados no plenário e deverá reagir pontualmente a eles, com oscilação para cima e para baixo. Mas, independentemente de alterações no texto da reforma, as possíveis mudanças não tenderiam a alterar o bom humor dos mercados.

A expectativa é que a bolsa de valores siga em alta para novos patamares, deixando os 100 mil pontos para trás. Quem pretende pegar carona e surfar em boa onda da bolsa ainda encontrar papeis com preços atraentes.

O diretor de Câmbio da Ourominas, Mauriciano Cavalcante, afirma que o Ibovespa caminha na direção dos 105 mil pontos – o índice fechou a sexta-feira em 104.089 pontos – para em seguida rumar aos 110 mil pontos.

Além do otimismo com a aprovação da reforma, investidores e mercado financeiro estão animados com a perspectiva de redução da taxa básica de juros, a Selic, atualmente de 6,50% ao ano. Cavalcante prevê um corte no juro básico já na próxima reunião do Copom, no fim do mês, em 31 de julho, uma redução, acredita ele, de 0,25 ponto porcentual. “O corte ficaria maior, de 0,50 ponto, na reunião seguinte” – o encontro seguinte está marcado para 18 de setembro.

Cavalcante aponta também para o cenário externo, aparentemente mais favorável aos mercados locais, com perspectiva de manutenção ou redução dos juros nos principais países como estímulo para engatar o crescimento. Em alguns mercados estrangeiros os juros já correm negativos e novas reduções podem encorajar a migração de capitais externos para investimento em ações no Brasil, em um momento que a reforma previdenciária estiver bem encaminhada e praticamente aprovada no Congresso.

Por enquanto boa parte das motivações alentadoras não passa de expectativas, mas suficientes para dar renovado ânimo ao mercado financeiro doméstico. A Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, fechou a semana, a primeira do mês, com valorização acumulada de 3,10%.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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