Dólar liderou o ranking em novembro. Como será dezembro?

Regina Pitoscia

02 de dezembro de 2019 | 00h23

(*) Com Tom Morooka

O mercado financeiro dá o pontapé aos negócios do último mês do ano convencido de que a moeda americana passará por uma correção para baixo que traria as cotações de volta ao redor de R$ 4,20, em um primeiro momento, antes de seguir para patamares inferiores, demarcados por um intervalo entre R$ 4,20 e R$ 4,10. Essa cotação mais baixa, aliás, coincide com as estimativas para o dólar, no fechamento do ano, apontada por analistas do mercado financeiro.

A expectativa, portanto, é que as cotações voltem gradualmente a níveis mais baixos em comparação com as da última semana de novembro, quando alcançaram R$ 4,27 e atraíram o Banco Central (BC) ao mercado com ofertas de dólar à vista. Foram quatro intervenções. “Os leilões de venda do Banco Central fizeram o dólar devolver os exageros, não havia motivo para chegar perto de R$ 4,30”, afirma Felipe Pellegrini, gerente de Câmbio do Travelex Bank.

A reacomodação dos preços, embora reflexo das atuações do BC, passaria ser, em sua avaliação, um movimento natural do mercado, para a correção de distorções. “O Banco Central atuou para cortar o que considerou um exagero do mercado e não para formar a taxa do câmbio.”

De acordo com especialistas, não há motivos para a compra precipitada de dólar, por qualquer preço, mesmo depois da recente onda de solavancos da moeda americana. A estratégia mais indicada para formar uma reserva em dólares, seja para viagem ao exterior, seja para quitar dívidas atreladas à moeda americana, continua sendo a compra periódica, em pequenos lotes, aproveitando o momento de cotações em baixa – o preço que o comprador paga é o do dólar turismo, mais alto que o do comercial.

Senão por outros motivos, porque o BC parece disposto a conter uma disparada do dólar, como ficou claro na oferta para venda à vista ao mercado de nada menos de US$ 1 bilhão na última quinta-feira. Foi essa oferta e a revisão para cima dos dados do superávit comercial (volume de exportações acima das importações) de novembro que, segundo especialistas em câmbio, inibiram o fôlego e levaram à reversão da trajetória de valorização da moeda americana.

A oferta à vista de tamanho volume de dólares é uma sinalização de que o BC estaria disposto a usar todo o poder de fogo que tem – aproximadamente US$ 370 bilhões empilhados nas reservas internacionais – para atender a demanda do mercado e conter qualquer tentativa de puxar artificialmente os preços.

Ranking novembro

Com valorização de 5,73% em novembro, a moeda americana ocupou o topo na condição de aplicação mais rentável do período. A mobilidade do dólar reflete uma pressão conjunta de uma série de fatores, estruturais e conjunturais. O pano de fundo, contudo, seria o sentimento de frustração de investidores que apostaram no ingresso de uma enxurrada de dólares, que seriam atraídos a partir de alguns eventos domésticos.

A primeira foi a expectativa de que a reforma da Previdência Social, ao apontar para uma melhora do quadro fiscal, encorajaria o investimento externo no País, principalmente na bolsa de valores.

O investidor estrangeiro permaneceu indiferente, de costas viradas para o Brasil e assim se manteve no leilão de excedentes de petróleo do pré-sal, frustrando mais uma vez a torcida dos que viam nesse leilão um canal que traria ao País os sonhados bilhões de dólares.

A decepção dos investidores com o leilão da cessão onerosa de petróleo, que falhou como fator de atração de companhias estrangeiras, foi o divisor de águas da trajetória recente do dólar, que mudou de patamar. A moeda americana, que marcava passo ao redor de R$ 4 à espera da chegada de capital estrangeiro, retomou a trajetória de alta. Primeiro para R$ 4,10 e daí rapidamente em direção a R$ 4,20.

A senha que abriu caminho para avanços além desse nível foram as declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes, segundo as quais a política de juro mais baixo empurraria naturalmente o dólar para um degrau mais elevado.

É fato que a taxa básica de juros, a Selic, nas mínimas históricas – está em 5% ao ano, mas poderá recuar para 4,50% ainda este ano –  vem diminuindo o interesse de investidores estrangeiros em aplicações financeiras no Brasil. A perda de atratividade das aplicações domésticas reduz o fluxo de divisas, o que tem contribuído para pressionar as cotações do dólar. O entendimento da fala de Guedes pelo mercado foi que, diante dessa relação causa e efeito entre juro baixo/dólar alto, a equipe econômica não estaria preocupada em conter a valorização em curso do dólar.

A Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, também sofreu com o aumento de instabilidade no mercado financeiro em novembro e a expectativa frustrada da chegada de dólares ao País. Como nem a reforma previdenciária nem o megaleilão de petróleo do pré-sal animaram o investidor estrangeiro a investir no País, a expectativa agora se volta à recuperação da economia como possível fator de atração de capitais.

Enquanto isso, a bolsa de valores tem encontrado suporte nas compras de ações por investidores pessoas físicas. Desapontados com os juros baixos da renda fixa, aplicadores têm migrado para a renda variável, sobretudo para o mercado de ações, para diversificar aplicações e tentar obter um rendimento mais atraente que o proporcionado por taxas de juro.

Um fato que pode agravar o desapontamento de quem aplica em renda fixa, já frustrado com o persistente recuo dos juros, é a aceleração da inflação em novembro, bem além da de 0,14% sugerida pelo IPCA-15, considerado uma prévia de inflação.

Ranking de novembro

Confira quanto renderam as aplicações em novembro, de acordo com os cálculos de Fabio Colombo. A rentabilidade de títulos e fundos de renda fixa é bruta, antes do desconto do imposto de renda.

Aplicação                                       Rendimento

1º – Dólar                                               5,73%

2º – Euro                                               4,45%

3º – Ouro                                               2,17%

4º – Bolsa de valores                           0,95%

5º – Títulos IPCA                                 0,45 a 0,55%

6º – Inflação (IPCA)                            0,42% (*)

7º – Fundos DI                                     0,26 a 0,36%

8º – Fundos de renda fixa                  0,24 a 0,34%

9º – CDB                                                0,24 a 0,34%

10º – IGP-M                                          0,30%

11º – Caderneta                                    0,29%

Obs.:  *  estimativa

 

 

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